MP move ação para anular
concessão de TV de Jader
Tenta-se
desfazer uma manobra ‘ilegal’ do governo
Lula
18/07/2007
Sergio Lima/Folha
O procurador da República Rômulo Moreira Conrado
foi ao Judiciário para tentar anular uma manobra do governo Lula que
livrou o “aliado” Jader Barbalho (PMDB-PA) de uma dívida estimada em
R$ 82,4 milhões com a Receita Federal e outros órgãos públicos. A
ação do Ministério Público foi protocolada na segunda-feira (16) na
Justiça Federal do DF. Mas a providência só foi divulgada nesta
terça-feira (17).
Rômulo
Conrado se insurgiu contra um negócio que começou a ser costurado em
junho de 2006 e que foi efetivado seis meses depois, em dezembro.
Deu-se o seguinte: com a providencial autorização de um Ministério
das Comunicações chefiado pelo senador licenciado Hélio Costa
(PMDB-MG), Barbalho logrou transferir a concessão da TV Bandeirantes
no Pará, a terceira maior audiência do Estado, da empresa Rede
Brasil Amazônia de TV para a firma Sistema Clube do Pará
de Comunicação, da qual
tornou-se sócio.
A
Rede Brasil, dona da concessão pública de TV, encontra-se imersa em
dívidas com o fisco, a Previdência e o FGTS. O Sistema Clube Pará,
ao contrário, opera no azul. Ao transferir para a segunda toda a
rendosa atividade da primeira, o deputado Barbalho deixou o governo
na incômoda posição de ter de cobrar a dívida de R$ 82,4 milhões de
uma organização sem faturamento.
Para
o procurador Rômulo Conrado, a transferência da concessão de TV da
endividada Rede Brasil para o saudável Sistema Clube do Pará não
poderia ter sido feita senão por meio de uma licitação, aberta à
participação de outras empresas. Daí a ação judicial. O Ministério
Público pede que o negócio seja anulado já em decisão liminar
(provisória), antes mesmo do julgamento definitivo do
processo.
O
grosso do contencioso de Jader Barbalho com o Estado resulta de uma
série de autuações lavradas pela Receita Federal. Os auditores
fiscais varejaram os livros da Rede Brasil depois que Barbalho, sob
FHC, tornou-se protagonista do chamado “escândalo da Sudam”. Um caso
que compôs o rosário de suspeições que levou Jader a renunciar ao
posto de presidente do Senado e ao próprio mandato. Com os direitos
políticos intactos, o ex-senador pôde candidatar-se à Câmara. E o
eleitor do Pará o transformou em deputado.
Hoje,
Jader é um dos principais conselheiros do companheiro de partido
Renan Calheiros, às voltas com um escândalo que ameaça despejá-lo da
mesma cadeira de presidente do Senado. Jader converteu-se também em
fervoroso aliado de Lula. No último dia 11 de abril, durante um
jantar com congressistas do PMDB, o presidente da República fez
questão de afagar os adversários do passado, entre eles
Jader:
Qual
cidadão de pensamento progressista em 1974 não votou no Quércia para
senador? Quem é o progressista que, em 1978, não votava em Jader
Barbalho, no Pará, para deputado federal?" Sob a fluidez retórica de
Lula escondia-se o acerto que o Ministério Público se empenha agora
em anular.
Escrito por Josias de Souza às 19h04
*Publicado por Nezimar Borges
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