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Condição de classe marca preferência por sim ou não

Local: Caracas (Venezuela)
Fonte: Claudia Jardim,
Link: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia

“A vida a que você está acostumado mudará para sempre depois da reforma”. Com esse título, centenas de panfletos foram distribuídos na zona Leste de Caracas, reduto da classe alta caraquenha, convocando uma assembléia com um dos representantes da oposição, Leopoldo López, prefeito de Chacao.

A propriedade privada, a reeleição indefinida, a redução da jornada de trabalho – que tende a afetar os interesses dos patrões – pautaram a discussão na praça Bolívar de Chacao.

“Vamos dizer não à reforma. Mas não adianta ficar sentado em casa sonhando que somos maioria porque não somos. A única maneira de ser é organizar-nos com força para construir essa maioria”, advertiu López.

A oposição ainda não apresentou uma estratégia e tampouco dá indícios de criar uma frente unitária contra a reforma. A campanha para promover a abstenção, utilizada em outras eleições, dificulta a convocatória da oposição a votar pelo não. Muitos preferem não participar.

Outro erro da oposição foi haver retirado suas candidaturas às vésperas das eleições parlamentares em 2005 em uma tentativa de deslegitimar o pleito e chamar a atenção da opinião pública internacional.

A estratégia falhou. A Assembléia Nacional foi conformada em sua totalidade por deputados chavistas, os que hoje estão aprovando, sem dificuldades, o texto para a nova Carta Magna.

“Cometemos um grande erro. Dentro do Parlamento poderíamos tentar barrar a reforma. Agora, estamos pagando o preço”, disse Julio Borges, dirigente do Partido Primero Justicia.

Sim ou não

A campanha (ainda não oficial) para o referendo já começou. No dia 23, milhares de estudantes de oposição marcharam em Caracas em protesto contra a reforma constitucional.

Em uma reedição do plebiscito de 2004 – em que a oposição pretendia revogar o mandato de Chávez – dessa vez, os papéis se inverterão. Chavistas votam pelo sim e opositores pelo não.

“Vocês aprovaram (a Constituição), só vocês podem modificá-la. Isso fala muito do processo que vivemos na Venezuela (...)”, disse Chávez.

Se mantida a tendência das eleições anteriores – Chávez saiu vitorioso de todas – a reforma tende a ser aprovada, mas não deverá repetir os números dos outros pleitos, na opinião de Lander.

“Tudo dependerá da atuação da oposição. Se não houver inimigo, os chavistas dificilmente se mobilizarão. Dessa vez, não está em jogo a continuidade ou não do governo”, argumenta o sociólogo venezuelano.

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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