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Desafio de chavistas é derrotar abstenção

Local: Caracas-Venezuela
Fonte: Claudia Jardim,
Link: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia

Batalhões do partido assumem campanha do referendo; cada militante deve conseguir nove votos

De Caracas (Venezuela)

“Antes, só participávamos da política na hora de votar. Hoje não; tiramos a venda dos olhos e estamos construindo juntos o país que queremos”, disse o trabalhador informal Leonidas Olívar, após viajar 12 horas para participar da primeira grande marcha em apoio à reforma constitucional proposta pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Olívar entusiasmado, junto a outras centenas de milhares de simpatizantes que tomaram as ruas de Caracas, dia 4, vestia camiseta e boné vermelhos com um “sim” no centro. “Apoiamos a reforma porque ela beneficia os pobres. Pela primeira vez, vou ter direito a seguridade social”, explica Olívar, que afi rma ter trabalhado sempre no mercado informal.

Uma das mudanças constitucionais prevê o pagamento de seguridade social a todos os trabalhadores inseridos na economia informal, inclusive para as donas-de-casa. Olívar conta que, depois do trabalho, participa das reuniões do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), em que assumiu a tarefa de segundo porta-voz de um batalhão.

Com a campanha do referendo, será destacado para uma nova tarefa. Na manifestação, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que será tarefa dos batalhões do PSUV assumir a campanha pelo “sim” no referendo da reforma constitucional. “O povo vai derrotar a abstenção, a partir de cada batalhão, rua por rua, casa por casa, não ao sectarismo, a unidade revolucionária deve ser o caminho”, discursou.

Campanha contra a abstenção

Repetindo a estratégia utilizada no referendo de 2004 – do qual saiu vitorioso com 60% dos votos –, Chávez leva os batalhões do partido às ruas para assumir a responsabilidade de conseguir nove votos por militante do partido. Mais do que angariar votos, a estratégia do presidente venezuelano é mobilizar a população e, ao mesmo tempo, combater o principal inimigo que poderá frear a aprovação da reforma: a abstenção. No referendo convocado para aprovar a atual constituição, em 1999, apenas 44% da população foi às urnas. No referendo de 2004, para decidir a permanência de Chávez no poder – 70% dos eleitores votaram. “O grande objetivo é aprovar a reforma constitucional.

Mas não de qualquer maneira e, sim, de maneira contundente, para que não fique nenhuma dúvida de que a maioria disse sim”, disse Chávez, no encerramento da manifestação.

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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