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Por Nezimar Borges

Para se chegar até este momento, o de colocar em prática uma mídia calçada numa trajetória política e social de um personagem tão querido pelo povo amapaense, deve-se falar primeiramente de uma ideologia que vem de a muito tempo, a historia de se colocar um site como este no ar não começou da noite para o dia, destes que envolvem interesses do personagem político, como não é o caso, pois a idealização não partiu do interessado – o homem público. Mas de um militante político que passou por vários lugares, e onde quer que estivesse tomou partido partindo-se de uma ideologia que achava-se de maior relevância para a sociedade e para os mais precisados.

Para se falar onde realmente tudo começou é preciso remontar tempos passados, tempos estes que envolveram minha infância – fase descomprometida com a realidade da vida. A minha adolescência – aquela em que a rebeldia e o protesto as suas marcas; e por ultimo a adulta – onde a preocupação maior do dia-dia é a busca por dias melhores para nós, para nossos filhos; para nossa sociedade...

E a política sempre me acompanhou de perto em todas essas fases de minha vida e eu sempre a ela, e a ideologia a que me referi no inicio não é aquela “ideologia” vulnerável a circunstancias e situações, onde ontem você se postou na defesa de um ponto de vista A, passando depois de acordo com as circunstancias e a interesses escusos para uma defesa de uma ideologia B, e mais tarde numa trajetória sem coerência ficar construindo trincheiras e negociando idéias de um lado C, mas sim uma postura que no decorrer dos anos a coerência foi e é sua marca principal. Aquela defesa do que seria mais justo para nossa sociedade, e essa coerência sempre busquei onde quer que eu estivesse, foi assim em Almeirim do Pará onde passei minha infância e parte da minha adolescência, em Belém do Para onde minhas convicções políticas foram ratificadas; e Macapá onde atualmente é meu domicilio desde 1998 quando aqui cheguei.

Portanto a idéia do site não surgiu por acaso, digamos que essa vem da construção de uma ideologia que começa lá trás no começo da década de 80. Nessa época de plena ditadura militar meu Pai – Nestor Gonçalves – militava no antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) partido que então era oposicionista ao regime. Eu ainda criança devia ter uns sete a oitos anos de idade e desde bem mais criança já ouvia meu Pai falar em política, das injustiças do regime. Meu Pai não era um militante daqueles radicais de décadas anteriores, posso inferir que sua postura era de um moderado, talvez, pois naquela época com a anistia o Brasil passava por uma abertura política e o MDB crescia a cada ano. O apogeu da carreira política dele foi nas eleições de 1982 onde ele conseguiu ser eleito o vereador mais votado do partido daquelas eleições naquele município, lembro-me como se fosse hoje o resultado daquelas eleições. Festas... Festas... Muitas festas. Talvez por isso, da política fazer parte muito cedo da minha vida que sempre estive fazendo diretamente parte dela. E sempre nos lugares onde morei, estive envolvido com os agentes e gestores públicos, aqueles alinhados com aquela coerência. Foi assim em Almeirim Pará com saudoso Sebastião Baía Águila, em Belém com Edmilson Rodrigues e em Macapá com Randolfe Rodrigues e Clécio Luis, homens públicos de notável seriedade política, sinônimo de ética e compromisso com a população. O primeiro foi exemplo de honestidade na política, foi prefeito por duas vezes de Almeirim, já idoso, faleceu em sua casa simples sem tanta ostentação financeira. O segundo como muitos conhecem, prefeito de Belém também por duas vezes, professor universitário com grande capacidade administrativa, modernizou Belém. E os últimos nem preciso dizer, todos aqui conhecem seus trabalhos.

Outro fato que marcou minha personalidade política foi estudar o meu Fundamental em Almeirim no colégio de freiras chamada Escola Nossa Senhora da Conceição, onde todas as professoras eram freiras, uma delas chamava-se Irmã Elza, competente professora de Educação Moral e Cívica era comunista de carteirinha, ela soube chamar a atenção de seus alunos para os problemas relacionados as mazelas sociais de então, fomentava nos uma consciência critica moral, o ano então era 1987 e ela soube influenciar a minha geração para suas posições políticas, reflexo disto foi as eleições presidenciais de 1989, onde toda minha família, no primeiro turno, votou no Collor e somente eu em Lula. Discutíamos, lembro-me que ela instigava-nos e fazíamos “vaquinha” para mandar fazer umas camisas do presidenciável Lula, e na discussão os nossos opositores sempre falavam: - É esse ai é aluno da Irmã Elza. Como se dissessem é comunista. Mas nossa luta não foi em vão, no segundo turno daquelas eleições todos em casa votaram em Lula, talvez, pois fruto dos ensinamentos de Irmã Elza, uma freira baixinha de voz bastante grave, mas de personalidade forte. Até hoje sou muito grato a ela e jamais me esquecerei de seus ensinamentos.

Em um segundo momento, já da minha chegada a Belém em 1990, o objetivo era cursar um curso superior, mais tarde decidiria que o que eu queria era cursar Licenciatura em Física, pois me identificava mais com Ciências e cálculos. Antes disso iniciei o meu 2 º Grau no Colégio Paes de Carvalho, o colégio da rede publica mais tradicional de Belém, cursando apenas o 1º Semestre do 1º ano pois havia sido aprovado na ETFPa-Escola Técnica Federal do Para e cursei o curso de Telecomunicações.

O primeiro ano serviu para a adaptação, e em todos esses anos antes de 2002, minha admiração política - como para a maioria dos jovens – era pelo partido dos trabalhadores, assim como eu, muitos se decepcionaram com este partido. Naquela época, de vacas magras, precisava fazer economia para tudo, transporte, alimentação, livros, lazer..., o ano era 1992, ano este de grandes turbulências em Belém. Por varias vezes participava de passeatas em reivindicação a direitos de meia passagem, lembro-me de uma em que reivindicávamos o fim ½  passagem com números de bilhetes limite e o limite era 60 ao mês por estudante, e nós estudantes fomos as ruas e com isso conseguimos a carteira de meia passagem sem limite o qual bastava sua identificação para passar na roleta, e nessa época a admiração ficava do lado do deputado estadual BABA, que sempre nos acompanhava nas passeatas e quase sempre acabava detido por excessos que eram cometidos como o de uma vez em que muitos estudantes conseguiram tombar um ônibus. Uma parte deles foi presa. Mas o que marcou mesmo naquele ano foram as passeatas do Impechement do presidente Collor, onde todos os estudantes em massa foram as ruas, onde as escolas da Av. Almirante Barroso se encontravam,  começava pelas primeiras, Costa e Silva, Rego Barros, Souza Franco, Anchieta, Escola Técnica... uma puxava a outra e o destino era o centro de Belém. Todos quase sempre de Cara Pintados. Mas sabíamos que o Collor só cairia se perdesse os apoios da Elite (inclusive das Organizações Globo), Classe Política e da População. O que acabou acontecendo. Se ele conseguisse segurar pelo menos uma dessas classes, com certeza teria terminado seu mandato.

No ano de 1996 estava saindo da Escola Técnica e mais uma vez a classe estudantil foi definitiva e importante para a eleição de Edmilsom Rodrigues naquele ano, tive apenas dois encontros com ele antes daquela eleição, pois era uma época financeiramente difícil e não pode acompanhá-lo mais vezes, mas num desses encontros no Comitê da Senador Lemos do Telegrafo pode dizer a ele que a juventude e o s professores da ETFPa estavam mobilizados na sua campanha. E realmente estava. Foi impressionante aquela eleição, ele começou, não lembro muito bem, mas com um ou dois pontos percentuais no inicio da campanha e na reata final tornou-se febre entre os professores, estudantes, e escolas. Não tinha quem não tivesse um adesivo na camisa, e acabou virando na reta final e vencendo aquelas eleições.

Já em um terceiro momento o de minha chegada em Macapá não foi diferente, procurando sempre apoiar aqueles que se identificam com minhas convicções políticas, não foi difícil encontrar essas convicções em Randolfe Rodrigues e Capiberibe. O primeiro chamou minha atenção por sua interminada luta na Assembléia Legislativa, sinônimo de coerência política em seus atos. E o segundo não preciso falar nada, o povo dará essa resposta nessas eleições.

Portanto, onde quer que eu esteja sempre estarei de um lado em que minha coerência política permite estar e isto significa estar do lado do povo. E o histórico deste site não começa agora, vem de longa data, e em memória de muitos que tombaram defendendo esta política e esta ideologia. Que privilegia os mais carentes e os mais pobres.

Nezimar Borges Gonçalves / cont.:nezimar@uol.com.br

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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