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A guerra do Iraque e a recessão

Local: Rio de Janeiro - 16/03/2008
Fonte: Gary Wilson
Link: http://www.odiario.info/

O Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz “afirma que a guerra do Iraque é agora a segunda mais dispendiosa na história dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial e a segunda mais longa depois do Vietname, (…) é uma causa oculta da crise actual de crédito”.

É o Iraque a razão dos Estados Unidos entrarem em recessão?

É a razão apresentada pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz
Stiglitz, que já foi economista chefe no banco mundial e é agora professor na Universidade da Columbia, explicou a sua opinião numa entrevista de uma hora na Pacif Radio’s Democracy em 29 de Fevereiro. Ele e Linda Bilmes da Harvard’s Kennedy School of Government estiveram no programa para promover o seu livro acabado de publicar «A Guerra dos Três Mil Milhões de Dólares

Stiglitz e Bilmes calculam que o preço total da guerra fica em 3.3 triliões de dólares, comparado com os 50 ou 60 mil milhões que a Administração Bush declarou ser o custo total na altura em que a guerra foi iniciada. Hoje, a Casa Branca calcula o custo total em 500 mil milhões.

Stiglitz afirma que a guerra do Iraque é agora a segunda mais dispendiosa na história dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial e a segunda mais longa depois do Vietname. Ninguém contesta.

A sua opinião é que a guerra do Iraque é uma causa oculta da crise actual de crédito. Declara que a Reserva Federal respondeu à drenagem financeira massiva da guerra inundando a economia com crédito barato. Isso levou a uma fraude imobiliária que está agora a afundar e a levar consigo a economia para uma recessão.

Esta opinião agrada aos que são contra a guerra e que sentem na carne que a guerra não é boa para o Iraque nem para o povo norte-americano. E se é verdade que o custo da guerra é terrível — e que uma pequena fracção desses 3.3. triliões daria para ter construído boas casas para todos em Nova Orleãs, por exemplo — Stiglitz e Bilmes apresentaram apenas uma parte do monstro por detrás do colapso económico enquanto ignoram o monstro total.

Talvez o outro livro do Professor Stiglitz seja útil para a compreensão desta agenda. Esse livro intitula-se «Fazer a Globalização Funcionar» «Globalização» é o actual código utilizado pelos académicos e os media para o imperialismo, o tipo de imperialismo que V. I. Lenine descreveu como o último estágio do capitalismo.

O relatório de Stiglitz sobre a guerra de 3.3 triliões de dólares não pretende atingir o cerne do problema. Concentra-se no falhanço da guerra para avançar com a «globalização». De facto, atira deliberadamente fumo clamando que quem vai ganhar a guerra não é o grande petróleo. Ao invés declara que a guerra afastou «a riqueza dos Estados Unidos para locais, como, Abu Dhabi «porque a guerra levou os preços do petróleo de 25 dólares o barril quando começou para mais de 100 dólares o barril hoje.

É uma cobertura correcta. Podia antes dizer que o Grande Petróleo tem sido o grande vencedor da guerra do Iraque. A Exxonmobil apresentou a 1 de Fevereiro os maiores lucros jamais reportados por uma empresa norte-americana, 40.6 mil milhões em 2007. A Exxonmobil pertence aos Estados a 100 por cento e é por eles controlada.

Para a actual recessão, a guerra é certamente um factor principal na derrapagem. E quanto à crise do crédito subprimário? Karl Marx no «Capital» mostrou que a crise do capitalismo normalmente se apresentava no crédito ou no mercado de acções. Isso indica que o crédito, as operações bancárias ou as especulações do mercado de acções são a razão desta crise.

Para muitos, a crise do crédito e o problema da habitação parece ser a causa da queda. Mas é realmente um reflexo de uma crise na produção do capitalismo.

O mercado de acções e o mercado de créditos são os barómetros mais sensíveis do capitalismo e reflectem exactamente todas as flutuações e mudanças que acontecem na produção do capitalismo. A crise de crédito é na realidade, uma consequência de uma crise de produção.

A produção do capitalismo não é para uso directo. As facilidades do capitalismo são produzidas de modo a tirar lucro. Os lucros são tudo o que interessa para os capitalistas. A crise chega quando o capitalista deixa de tirar um «lucro» normal.

O que Stiglitz e Bilmes deixaram de fora é que é uma crise de produção capitalista que está a encaminhar a economia para uma recessão ou pior ainda. E a única maneira de parar isso é verem-se livres do capitalismo.


Tradução de Manuela Gouveia

Este artigo foi publicado em www.workers.org

 

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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