Chávez faz surpreendente apelo às Farc: abandonem as armas
CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez ontem um apelo surpreendente à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), para que liberte todos os reféns que tem sob seu poder, entregue as armas e desista da luta armada contra o governo colombiano.
Chávez disse que os esforços das Farc para derrubar o governo da Colômbia, democraticamente eleito, são injustificáveis. "A guerra de guerrilhas já é parte da história," declarou Chávez, durante o discurso de ontem às emissoras de rádio e televisão da Venezuela.
"A guerrilha está fora de lugar," disse Chávez, que em seguida dirigiu-se ao novo líder das Farc, Alfonso Cano, após lamentar a morte do antigo líder do grupo, Manuel Marulanda (o "tirofijo") morto por um ataque cardíaco em março:
"A guerra de guerrilhas passou para a história. E os senhores das Farc devem saber uma coisa: que se converteram em uma desculpa do império (os Estados Unidos) para ameaçar a todos nós," afirmou Chávez. "No dia em que houver paz na Colômbia, acabou a desculpa do império."
Sem lugar
Para Chávez, um movimento guerrilheiro na América Latina, atualmente, "esta fora de lugar, isso é preciso dizer às Farc. Isso é o que eu queria ter dito a Marulanda." Segundo ele, um acordo de paz entre as Farc e o governo da Colômbia poderia ser garantido por um grupo de países da região e da Europa, entre eles Argentina, Brasil e França.
Chávez se pôs "às ordens" de Cano, novo chefe das Farc, "para buscar os mecanismos que levem à libertação dos prisioneiros que os Srs. têm lá na montanha."
Melhorias
As declarações de Chávez poderão ajudar a melhorar a relação entre a Colômbia e a Venezuela, estremecida a partir das acusações colombianas de que Chávez poderia estar ajudando financeiramente as Farc.
Chávez sempre negou apoiar as Farc. Ele diz que seus contatos com a guerrilha colombiana sempre ocorreram tendo em vista a libertação dos reféns mantidos no cativeiro pelo grupo.
No sábado, Chávez disse que quer trabalhar com o novo presidente dos Estados Unidos, que será eleito em novembro. Ele disse que a Venezuela e os EUA deveriam cooperar para resolver problemas como a fome no mundo, a falta de energia e o aquecimento global. Mas Chávez também alertou que o presidente dos EUA, George W. Bush, "ficará ainda mais perigoso" até ele deixar a Casa Branca em janeiro de 2009.
Deboche
O presidente Hugo Chávez ainda deixou às Farc de lado e deu destaque à inédita vitória da seleção de seu país sobre o Brasil, na sexta-feira passada, em Boston (EUA), no futebol. "Já tinha dito ao Lula que um dia ganharíamos do Brasil.
Chegou o dia e é um dia histórico", disse o dirigente venezuelano, durante um ato público do Partido Socialista Unido da Venezuela. "Metemos 2 a 0 no pentacampeão do mundo, nada mais nada menos", complementou Chávez, que chegou a pedir uma saudação do povo à seleção ævinotinto" (vinho tinto).
*Publicado por Nezimar Borges
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