Para EUA, Brasil deve trabalhar com Otan
28 de Agosto de 2007
Os EUA querem que o Brasil faça uma parceria com a Organização do Tratado do
Atlântico Norte (Otan) e ajude a convencer outros países da América do Sul a
cooperarem com essa aliança. A sugestão foi feita ontem pelo embaixador
americano em Brasília, Clifford Sobel, numa palestra na Fundação Armando Álvares
Penteado (Faap), em São Paulo. O embaixador falou da importância da ampliação da
atuação da Otan para além das fronteiras dos EUA e da Europa por meio de
alianças com outros países e citou a América do Sul como uma das regiões nas
quais a organização teria interesse. A reportagem é de Ruth Costas e publicada
pelo jornal O Estado de S. Paulo, 25-08-2007.
“Considerando a experiência do Brasil em fornecer ajuda a outros países em
questões de segurança, talvez ele possa abrir caminho na América do Sul para que
outras nações com interesses semelhantes determinem como trabalhar com a Otan”,
afirmou Sobel. Segundo o embaixador, o Brasil poderia seguir o exemplo do Japão
e da Austrália, que possuem uma estreita parceria com a Otan, ou entrar no
Programa de Parcerias para a Paz, no qual os países assinam acordos pontuais com
a organização. Ele não quis opinar sobre como seria esse acordo no caso do
Brasil, mas no discurso lembrou as áreas de atuação da Otan hoje: resposta a
desastres, combate ao terrorismo, intercâmbio científico e - de longe a mais
destacada - ações militares dentro e fora da Europa.
O ex-embaixador Sérgio Amaral, que abriu a palestra de Sobel, confirmou que
uma parceria com a Otan, em última instância, poderia permitir que a organização
- que interferiu no conflito dos Bálcãs e está à frente da missão no Afeganistão
- atuasse em conflitos na América do Sul. Num momento em que os EUA estão
preocupados com a influência do líder venezuelano Hugo Chávez na região, é
difícil não pensar que o eixo antiamericano formado por Venezuela, Bolívia,
Equador e Cuba não tenha sido uma das motivações da proposta.
Segundo uma fonte diplomática, a iniciativa também assinala um caminho para
resolver o que hoje é um grande problema para os EUA: como lidar com a questão
da segurança em outras regiões, num momento em que o Exército americano está tão
desgastado pelas guerras no Oriente Médio. A resposta seriam alianças
estratégicas da Otan com países que “têm os mesmos interesses”. “Isso não é
colocar em questão o papel da ONU”, disse Sobel, explicando que os países
atuariam com mandato das Nações Unidas.
Ele defendeu ainda a retomada do diálogo sobre acordos de comércio no
hemisfério - assunto que esfriou no Brasil depois que o governo Lula ajudou
Chávez a enterrar a Alca. Sobel citou o exemplo da integração dos EUA com o
Canadá e o México e sugeriu um acordo similar com os países do sul: “Podemos e
devemos ter políticas similares entre a América do Norte e a do Sul. Não se
trata de ideologia. Trata-se de obter resultados.”
Instituto Humanitas Unisinos
http://www.unisinos.br/ihu/index.php
*Publicado por Nezimar Borges
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