Uribe com o apoio de Bush gera crise na América do Sul
E aí você dá um soco na cara ou um tiro em alguém e depois pede desculpas. De que adianta se o mal está feito. É o que está acontecendo neste momento grave na América do Sul em função do bombardeio e posterior entrada de tropas colombianas em território equatoriano. Bogotá ficou radiante porque conseguiu matar o número dois das Farc, o comandante Raúl Reyes, o guerrilheiro que estava negociando a libertação de mais reféns em poder o grupo insurgente (o termo é este, apesar da oposição do governo colombiano).
Pois bem, com base nas informações de satélite fornecidas pelos Estados Unidos, Álvaro Uribe autorizou o bombardeio em território do Equador dos guerrilheiros, que foram surpreendidos quando dormiam. Não contente com a violação da soberania de um país, Uribe deu o sinal verde para que suas tropas entrassem em território equatoriano para pegar o troféu, o corpo de comandante Reyes. Violação dupla, portanto
Não é à toa que Uribe é considerado um fantoche de Washington. Recebe as informações do Pentágono e conseqüentemente a sugestão no sentido de mandar bala. Sem pestanejar, o presidente colombiano exibe até o troféu e transforma a região em um barril de pólvora. Uribe imaginava que com um pedido de desculpas formal resolveria a situação. O governo Rafael Correa respondeu com a expulsão do embaixador colombiano do Equador.
No fundo, seguindo a linha estadunidense, Uribe quis demonstrar que poderá repetir a dose em qualquer lugar, inclusive em território venezuelano. Mas antes que isso aconteça, o Presidente Hugo Chávez Frías adotou as medidas necessárias para evitar alguma incursão provocativa em seu território por parte do fantoche de Washington mandando tropas para defender a Venezuela.
Chávez já tinha alertado
Não é de hoje que Caracas vinha advertindo sobre a possibilidade da eclosão de algum fato grave na região que poderia provocar uma situação de confronto. O episódio no Equador pode ter sido o início de uma escalada. Naturalmente a mídia conservadora, seja ela nacional ou latino-americana, vai querer dourar a pílula, ou seja, justificar a ação de Uribe, mesmo passando por cima da soberania de um país vizinho. Vão falar o diabo contra Chávez. Não é preciso nenhuma bola de cristal para chegar a esta conclusão.
Uribe repete a mesma estratégia do governo israelense nos territórios palestinos ocupados e agora especialmente na Faixa de Gaza. E isto em um momento em que as pesquisas demonstravam que a maioria absoluta dos israelenses é favorável a um cessar fogo com o Hamas. Mas os sionistas truculentos, sob o pretexto de acabar com os ataques de foguetes contra o território israelense, decidiram utilizar métodos nazistas em Gaza, matando indiscriminadamente palestinos. Os foguetes não pararam e dificilmente pararão com as incursões militares israelenses que já deixaram cerca de 100 vítimas, inclusive mulheres e crianças.
Três delinqüentes agravam tensões
Então, na geopolítica mundial, o premier israelense Ehud Olmert, Álvaro Uribe e George W. Bush não passam de dirigentes delinqüentes que são os principais responsáveis pelo agravamento das tensões em várias áreas do planeta.
No caso da América do Sul é visível o fato de George W. Bush estar de olho no petróleo venezuelano, principalmente em um momento em que os Estados Unidos se encontram na antevéspera de um colapso de suas reservas de ouro negro. Bush e os fundamentalistas que ocupam a Casa Branca têm vínculos estreitos com a indústria petrolífera e armamentista. Têm como aliados incondicionais os Estados terroristas da Colômbia e de Israel. Então, incursões como as feitas contra o território do Equador por parte do Exército colombiano e a “solução final” israelense em Gaza contam com o sinal verde de Washington. Aliás, sinal verde para estes casos é pouco. Bush concorda e estimula e dá garantais para qualquer eventualidade.
Bush está em sua reta final, mas nos meses que lhe restam de governo poderá ainda fazer muito mal a humanidade, como está acontecendo desde que assumiu fraudulentamente a Presidência dos EUA.
Quando esta reflexão estava sendo escrita, as Farc avisaram que apesar do que aconteceu com Reyes, o caminho da negociação continua. Na verdade, a única alternativa para a saída do impasse que vive a Colômbia é o caminho da negociação. Mas o governo Uribe, orientado por Washington, não aceita, porque acha que ganhará militarmente a parada. O caminho da negociação, como vem sendo proposto por Hugo Chávez e Nicolas Sarkozy em relação à libertação de Ingrid Betancourt, continua de pé. Fora disto é a continuidade da violência
Agora, só resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos e esperar que se evite o pior, ou seja, um confronto armado provocado pelo governo Uribe com o estímulo de Washington e que Lula, Cristina Kirchner estão tentando evitar se colocando como mediadores.
*Publicado por Nezimar Borges
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