A mando do chefe Sarney: "Capiberibe, o demônio das fraudes"
Chico Bruno-17/08/2007

Todo dia faço uma varredura na internet pelos jornalões do país, mas não me descuido de navegar, também, pelos jornais regionais. Os leitores deste blog estão acostumados a ler diariamente manchetes de jornais de Salvador, Belo Horizonte, Manaus, Recife, Porto Alegre e Fortaleza, além dos jornais mais importantes do RJ, SP e DF.
Isso não quer dizer que não passe, também, por jornais de outras capitais. Hoje, deparei-me com um artigo intitulado “Capiberibe, o demônio das fraudes”, de autoria de Said Barbosa Dib, no Diário do Amapá, de propriedade do pragmático jornalista e radialista Luis Melo.
O artigo é um libelo contra Capiberibe. Ao lê-lo, tive a nítida impressão de estar lendo um dos artigos dominicais do senador José Sarney, publicados na primeira página do jornal Estado do Maranhão, de São Luiz, de propriedade da família Sarney. Lembrei-me de um artigo do Sarney, publicado logo depois da derrota de sua filha Roseana para Jackson Lago, em que retirando a pele de cordeiro, o velho lobo desancava com o governador José Reinaldo. Um artigo tão violento, que até o falecido ACM o repreendeu, por estar expondo a verdadeira face, coisa que não é do feitio de Sarney, que sempre posa de estadista.
A semelhança dos textos me deixou encafifado. Principalmente por que Said Barbosa Dib não era um nome desconhecido. Sabia que já tinha lido alguma coisa de com essa assinatura. Coloquei minha memória para funcionar em dedicação exclusiva com o objetivo de desvendar a similitude.
De repente um zig e a memória velha de guerra deu a resposta. O Said é um velho conhecido do Observatório da Imprensa. Sempre que a imprensa ofende ou não cita Sarney sem lhe conceder as devidas honras, o velho Said reaparece para ditar regra sobre como se faz o “bom jornalismo”.
Mais adiante, lembrei-me de um artigo do Said, no Observatório, desancando o Globo Repórter por que omitiu o trabalho do Sarney em relação ao Parque Nacional do Tumucumaque. Fui atrás do texto na busca do OI e o achei, ele foi publicado no dia 22 de fevereiro de 2005 com o título “Santo da casa não faz milagre”.
O trecho que interessa é o seguinte: - Não foi por outro motivo que, desconsiderando toda e qualquer regra do bom jornalismo, omitiu esforços importantes como o do senador eleito pelo Amapá José Sarney, que no ano passado enviou o Plano de Desenvolvimento Regional dos Municípios do Entorno do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.
A partir daí, a memória velha de guerra foi despejando um zig atrás do outro. O Said é aquele que assina a coluna Madame Natasha, no jornal Veja Agora, de São Luiz, de propriedade do Ricardo Murad, cunhado da Roseana Sarney. Corri atrás do meu arquivo e encontrei escrito na coluna do Said o seguinte sobre o “Xô Sarney”: - A campanha “Xô Sarney”, por exemplo, ampliada pela Internet e apoiada por muitos formadores de opinião do eixo Sul/Sudeste (financiados pelo tucanato paulista e pelas transnacionais, que nada ou quase nada se interessam pelos estados do Norte e do Nordeste), é exemplo triste de tais desvios. Daí a necessidade imperiosa de se estar sempre atento para que se faça cumprir, rigorosamente, a Legislação Eleitoral, única forma de se aperfeiçoar o processo democrático e republicano. Se a Justiça Eleitoral não agir realmente com precisão e severidade com relação ao que aconteceu no segundo turno das eleições para o Governo do Maranhão, todo o esforço de aperfeiçoamento democrático estará sacrificado.
Said é aquele sobre o qual um dia alguém escreveu: - Ele serve como uma espécie de "preposto", faz o "serviço" que Sarney não pode fazer no seu esforço de parecer um grande estadista. Sarney, o operador político invisível, pode ser visto nos atos de alguns daqueles que o cercam. Said Barbosa Dib é um deles.
Descobertas as semelhanças entre Said e Sarney restou saber a razão de artigo tão virulento contra Capiberibe. Reli o artigo do Said e detive-me na frase: - Por isso, desesperado [Capiberibe], tenta sair do limbo político às custas do caso Renan Calheiros (PMDB-DF). O negrito em DF é meu, pois a sigla está no original ao contrário do correto que seria AL, de Alagoas.
A frase sintetiza o estrago e a dor de cabeça que as cartas abertas escritas por Capiberibe a Renan Calheiros e Carlos Veloso estão causando a Sarney e companhia ilimitada, haja vista, a repercussão na internet e na mídia nacional, principalmente pelos artigos de Dalmo Dallari, no JB, Zuenir Ventura, em O Globo, o discurso do senador Cristovam Buarque e a entrevista de Capiberibe à revista Fórum.
José Sarney imaginou que, ao retirar de Capiberibe o mandato de senador, havia lhe dado o tiro de misericórdia política, confinando-o nas fronteiras do Amapá. Ledo engano, um militante político não se abate como um político profissional.
O inesperado retorno de Capiberibe a mídia nacional colocou o “preposto” Said Dib em campo, para fazer o "serviço" que Sarney, o lobo travestido em pele de cordeiro não pode fazer, pois sujaria a imagem de grande estadista que ele vende ao povo do Amapá.
Para fechar em grande estilo, deixei para o final a grata revelação. Said é professor de história dos cursos pré-vestibulares Equipe e Átrium, de Brasília e se auto-intitula “analista político” nos rodapés da maioria dos artigos que assina.
Mas é, também, assessor do gabinete do senador José Sarney, onde coordena o boletim informativo mensal do mandato do parlamentar e mantém o seguinte e-mail saidb@senado.gov.br.
Portanto, se você leu “Capiberibe, o demônio das fraudes”, dê um grande desconto ao que está narrado, pois foi escrito a pedido do chefe.
*Publicado por Nezimar Borges
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