JOÃO CAPIBERIBE é Apontado como o "Maior Amapaense de Todos os Tempos" Saiba Mais Aqui>>

Sobre o Casal Capiberibe: Uma fraude e duas vidas públicas de serviço ao Brasil

João Capiberibe: Perseguido indomável

João Capiberibe, Heloísa Helena e Protógenes Queiroz em ato do PSOL contra o desemprego e a corrupção

Carta aberta ao senador Renan Calheiros

Casal Capiberibe: Dois seres preciosos

O  caso da cassação de Capiberibe:  Passo a passo de uma farsa

Carta aberta a Carlos Veloso

João Capiberibe explica o projeto Transparência ao procurador-geral da República

João Capiberibe é Apontado como o "Maior Amapaense de Todos os Tempos"

João Capiberibe recebe Maior Comenda do Acre

Carta à minha cidade

Local: Macapá
Fonte: João Capiberibe
Link: http://jdia.leiaonline.com.br

Carta à minha cidade
Em 04 de fevereiro de 2008.

Querida Macapá,

Escrevo-te essas mal traçadas linhas para te dizer do muito, muito que te quero. Deixa-me lembrar, com emoção, de quando nossas vidas se cruzaram na curva do tempo, lá pelos idos da primeira metade dos anos cinqüenta. Encontrei em ti, carinho e aconchego. Somos, definitivamente, um caso de amor à primeira vista.

No nosso primeiro encontro olhei-te desconfiado, ainda do outro lado do rio vi um enorme clarão, nunca tinha visto um ajuntamento de vaga-lumes igual aquele. Quando cheguei mais perto me dei conta que eles não se moviam. Eu estava chegando das brenhas do Marajó e você, ao me receber toda iluminada, me apresentou a essa invenção fascinante: a energia elétrica! Daí em diante, foi uma surpresa atrás da outra.

Quando desembarquei da canoa e coloquei os pés na rua - vupt!.. Passou raspando, um dragão metálico com olhos de fogo, que urrava e quase me engoliu. Senti uma vontade danada de voltar pro Jurará. Nem pensar! diria minha mãe, que havia decidido me fazer estudar, assim como a todos os meus irmãos e irmãs.

Não demorou e nos tornamos íntimos. Passei a te conhecer como poucos e fomos crescendo juntos. Enquanto tuas ruas e avenidas iam se espichando pra todo lado, eu ia acumulando conhecimentos: tudo começou no Barão do Rio Branco com a professora Joana Sousa, depois na Escola Normal e, por último, o Colégio Amapaense.

Também fui mergulhando nas tuas contradições, descobrindo muita desigualdade na distribuição das riquezas que geravas. Por exemplo, no bairro onde eu morava, no Igarapé das Mulheres, não havia energia e nem água tratada. Aquilo me deixava muito chateado.

Um dia, ainda adolescente, decidi correr mundo e “dar um tempo” para a nossa relação. A vizinhança não apostava meio centavo naquela decisão:

-Ih..! Dona Raimundinha, nem se preocupe! Não dou um mês pra ele bater de voltar por aqui. Era dona Osmarina, assegurando à minha mãe, que tudo não passava de fogo de palha da juventude. Dessa vez as previsões falharam, quase morro de saudades, mas segurei a onda.

Muitos anos se passaram até que eu voltasse pra você, Macapá. E voltei para expressar toda a minha gratidão à cidade que me abriu a porta da escola, convidou-me pra sentar em frente de um quadro negro e apresentou-me à mulher (ou seria uma fada?) que me abriu as cortinas do mundo. Depois, quando da minha volta, você me recebeu com tapete vermelho e me distinguiu, confiou em mim e me atribuiu a mais nobre das funções que um cidadão pode exercer em sua sociedade, a de líder político.

E tem mais! Você, Macapá, é testemunha de um pacto de amor e de luta que teve início depois da missa do galo de ano de 1968, fortaleceu-se e floresceu no percorrer de teus e tantos outros caminhos, e do qual, Janete e eu, já colhemos muitos frutos. Lembro-me bem, foi na saída da igreja. Começamos a recordar de Aluisio, meu irmão e amigo de Janete - estávamos chocados com sua morte prematura, não conseguíamos entender esses acontecimentos com gente tão jovem.

Passamos um tempão vagando em tuas artérias, depois paramos atrás da sede dos escoteiros do laguinho, um campo de pelada, naquela madrugada sem bola e sem gente pra correr atrás dela e ali ficamos até que os primeiros raios do sol chegassem para nos avisar que a noite findara. Retomamos essa conversa nos dias seguintes, em anos seguintes e ainda hoje cedo...

Minha querida Macapá parece que foi ontem, mas já faz 250 anos que os colonialistas portugueses fincaram seus brasões por aqui, misturando gente de muitas cores e de muitas maneiras de viver. Esse tempão se passou e você não mudou, continua assim, acolhendo gente vinda dos quatro cantos.

Bem, antes das despedidas gostaria de trocar algumas confidências com você, Macapá - porém antes gostaria de pedir discrição -, que isso fique apenas entre nós... Tudo bem? Então vamos lá. Estou sentindo que os que deveriam cuidar de ti com carinho te abandonaram; tu foste desprezada e tu parece confusa, meio perdida, quase sem saída.

Por essa e por outras que você Macapá deve lembrar a todos aqueles que te viram criança, aos que te viram crescer e aos que chegaram depois, que nesse momento precisas da atenção de todos. Vai! Fala aos que vivem em tuas entranhas, que para adentrar em suas casas, precisam de tuas artérias, chamadas ruas e avenidas. Diz que para chegarem a teus espaços privados precisam usar os teus (nossos) espaços públicos. Brada ao mundo que é desse entendimento que surgirá o novo pacto em nossa convivência coletiva.

Carinhosamente eu te parabenizo,

João Capiberibe, ex-prefeito de Macapá, ex-governador e ex-senador pelo Amapá. Atualmente vice-presidente nacional do PSB.

*Publicado por Nezimar Borges

 

AJUDE O SITE "históriadocapi" A SOBREVIVER. FAÇA UMA DOAÇÃO AQUI>>>
Trajetória | Capiberibe na Mídia | Anos de Chumbo | Luta pelo mandato | Artigos | Entrevistas
Página Inicial | Idealizador do Site | Notícias | Fale Conosco
Transparência | Desenvolvimento Sustentável | Amazônia
Mundo | Especial | Socialismo do Séc. 21
Site feito por: Nezimar Borges
Copyright © 2006-2012