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Alianças e crises

Local: Macapá, 08/02/2011
Fonte: Nezimar Borges
Link: http://www.nezimarborges.blogspot.com

As alianças via de regra são pautadas no compromisso de metas objetivando na teoria ratificar uma união estável e duradoura, entretanto na prática há os empecilhos que obstaculizam tais pactos que por vezes são desfeitas em decorrência de interesses e convenientes que passam pela política, pela economia e por outras de cunho cultural. Sobretudo levadas por um tino de sobrevivência na busca de poder por grupos ou indivíduos no interior da sociedade.

Na temporalidade houve alianças políticas de diversas matizes, umas bem sucedidas, porém outras... nessas há viés político-partidária justificada por interesses circunstanciais efêmeros, no entanto na de cunho teológico-cultural é que se encontra a mais duradoura das alianças, talvez porque na prática sejam menos traumáticas as relações entre os homens e o firmamento quando visam uma eternidade no futuro.

Além do mais a aliança abraâmica que se vê em Genesis é o primeiro olhar do Divino para o homem feito através da circuncisão onde o prepúcio masculino era supresso iniciando, desse modo, pacto duradouro que perdura até os dias atuais. Ainda que se trate de uma aliança teológico-cultural entre o abstrato e o concreto, o superior e o inferior, o forte e o fraco... entretanto, diferentes são às de interesses terrenas.

Em outras palavras, é na política que se tem o substantivo que visa sistematizar e organizar a sociedade com a finalidade de controlá-la ora com diretrizes sócio-econômicas, ora com diretivas culturais canalizando para interveniências de acordos que visem a ordem e o seu bem estar. Foi assim na formação embrionária do capitalismo quando através de alianças econômicas entre o capital emergente - a classe mais abastada no final do período medievo - e os decaídos nobres de então, quando mais adiante, o primeiro não manteve na aliança o papel de sustentabilidade ao antigo regime absolutista contribuindo, portanto, para a derrocada deste último na maior das revoluções em solo europeu.

Com efeito, quando se diz “só não se vê boi voar” se está associando às alianças dentro da sociedade política, as quais dependendo do ponto de vista podem ser compreensivas, outras escabrosas e deploráveis, aliás, entre esta última está a aliança entre o Partido dos Trabalhadores e o PMDB na reeleição do senador José Sarney quando, então, os petistas se “auto-alopravam” no jargão “Sarney, guerreiro do povo brasileiro” assim ajudaram a reeleger o oligarca  por minguada margem de votos em 2006.

Neste mesmo ano para viabilizar a reeleição do governador fez se o “protocolo” tendo o nome de Jorge Amanajás para as eleições de 2010, porém é sabido o revés que este sofreu de seus aliados. Dessa forma, esboços de alianças precipitadas estão geralmente fadadas ao fracasso, principalmente quando há um tempo razoável para finalizá-la, pois em política o que se tem de absoluto é que tudo é relativo especialmente em relação às alianças intempestivas, precoces como aquela que versa sobre as eleições de 2012.

Em tempo, a viabilidade da aliança PSB/PT passou pelas cúpulas nacionais no momento em que os socialistas locais estavam vulneráveis, pois o consórcio chamado de “harmonia” estivera, então, tomado todas as estruturas do Estado: executivo e legislativo, tanto estadual quanto municipal, além de parte considerada do judiciário, assim, a oposição viu-se numa encruzilhada diante de seus ideais, isto é, procurar aliança com um dos tentáculos da famigerada “harmonia”. Tudo vã. Mas então havia uma última cartada via PSB nacional vislumbrada na possível candidatura do socialista Ciro Gomes.

Pois bem, até início de junho não havia uma definição sobre qual garupa ia o PSB local, e, nacionalmente para o PT rifar a candidatura de Ciro teve que fazer concessões na aliança com o PSB de Eduardo Campos. Em contrapartida o PT nacional teria que, impreterivelmente, apoiar o PSB em alguns estados e o Amapá estava incluído neste, digamos, pacto em favor da polarização entre Dilma e Serra. O que fez fragmentos do PT local debater-se no dilema: ligar-se aos socialistas ou ter a desagradável desmoralização de uma possível intervenção no partido, assim como aconteceu no maranhão.

A vantagem disso tudo é que iriam emergir como um dos atores principais no projeto de poder com a indicação do vice e papel de relevo num eventual sucesso no pleito que de outro lado dificilmente teriam vez e voz.

Todavia a grande “alavanca” para o desfecho final das eleições de 2010 foi a Operação “Mãos Limpas” da Polícia Federal o qual fez a Frente Popular passar ao segundo turno. Com isso a outra parte do partido caiu na Coligação por gravidade, assim como outros atordoados diante da vontade popular ávida por mudanças.

O PT foi importante, não o mais. E lamenta-se que parte insignificante da legenda, insista em querer trazer para si a responsabilidade de ter “feito” o atual governador do estado como se fosse ele, o PT, o principal ator que precedeu a aliança denominada Frente Popular, quando é sabido por todos o que de fato aconteceu para o sucesso de ambos, PSB e PT.

Uma lição assimilada depois do imbróglio envolvendo os mandatos dos socialistas decorrentes da ação junto ao STF: os chamados “aloprados”, minguados boquirrotos, vassalos, persistem em alguns postos do partido principalmente no município de Santana e que, apesar deles, o imperativo da aliança entre o PSB e o PT deve ser ratificada e superada com esta “crise” e com as que poderão vir, pois juntos, sim, PSB e PT são demasiadamente fortes, caso contrário...

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(*) Professor
Escreve no Blog http://www.nezimarborges.blogspot.com
Twitter: @nezimarborges
Email: borges@unifap.br
Publicado no Jornal Folha do Estado

*Publicado por Nezimar Borges

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