Camilo Capiberibe é eleito governador do Amapá
Local: Macapá, 01/11/2010
Fonte: Correio do Amapá via G1
Link: Blog do Borges |
G1, em São Paulo
Camilo Capiberibe (PSB), 38 anos, foi eleito governador do Amapá neste domingo (31). Com 99,58% das urnas apuradas, às 20h28, o deputado estadual pelo PSB somava 53,74% dos votos válidos, cenário em que não podia mais ser ultrapassado pelo rival Lucas Barreto (PTB). Capiberibe foi beneficiado pela crise política desencadeada pela Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, que investiga desvio de recursos públicos do estado e da União. A ação prendeu em setembro o ex-governador Waldez Góes (PDT), que perdeu disputa ao Senado, o governador Pedro Paulo Dias (PP), que não conseguiu a reeleição, e mais 16 pessoas.
Filho do ex-governador João Capiberibe (PSB, 1995-2002), ele focou a campanha no discurso sobre ética e mudança. Utilizou imagens da operação em sua propaganda na TV e procurou associar o rival ao ex-governador Góes, que declarou voto em Barreto.
Durante a campanha, foi alvo de ataques pelo fato de sua mãe, Janete, candidata a deputada federal, e de seu pai, que disputou o Senado, estarem com as candidaturas suspensas após terem sido barrados pelo Tribunal Superior eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. O primeiro turno na eleição para o governo do Amapá foi um dos mais acirrados neste ano no país. Barreto venceu com 96.165 votos (28,93% dos votos válidos), contra 95.328 votos (28,68%) de Capiberibe.
O governador eleito nasceu em Santiago, no Chile, quando os pais João e Janete Capiberibe viviam no exílio. É brasileiro nato, casado e tem dois filhos. Formou-se em direito e estudou ciência política no Canadá. Militou no movimento estudantil e é deputado estadual desde 2006. Declarou à Justiça Eleitoral ter um patrimônio de R$ 93 mil. Em sua campanha, defendeu propostas como levar banda larga às escolas e ceder um notebook para cada professor da rede pública. Prometeu priorizar o comércio local nas compras do governo e fazer o Amapá acompanhar o ritmo de crescimento da economia nacional.
Eleito por uma coligação entre PSB e PT, Camilo recebeu no segundo turno o apoio do PV, do PPS e do PRB no estado. O PSDB do presidente da Assembleia Legislativa Jorge Amanajás, político citado na investigação da PF e terceiro colocado no primeiro turno, declarou-se neutro na disputa.
Campanha tensa no segundo turno
A temperatura da disputa subiu no segundo turno no estado. Um militante do PTB de Lucas Barreto foi baleado na madrugada do sábado (23) em frente à sede do PSB em Macapá. O PSB negou participação.
Debates entre os candidatos foram marcados por troca de acusações. No programa da última quinta-feira (28), Capiberibe destacou o apoio de Góes e do senador José Sarney (PMDB-AP) a Barreto. O petebista disse que não recusaria apoio voluntário de Góes e negou que Sarney tenha candidato no estado, mas afirmou que, se eleito, trabalharia com o senador.
Biografia
Camilo Capiberibe, 38, nasceu em Santiago do Chile, onde seus pais viviam exilados pela ditadura militar. É formado em direito pela PUC de Campinas e estudou ciências políticas na Universidade de Montreal, no Canadá.
Iniciou a militância no movimento estudantil. Em 2006, foi eleito deputado estadual pelo PSB. Na Assembleia Legislativa, presidiu duas vezes a Comissão de Direitos Humanos e, entre projetos aprovados, criou o programa Crédito para a Juventude, o que estabelece o financiamento da Universidade Estadual (UEAP) e o que concede isenção fiscal aos mototaxistas e motoboys na compra de motos novas.
Camilo é filho de João Capiberibe (PSB), ex-governador e ex-senador. Candidato neste ano, João Capiberibe concorreu sub judice, após ter sido barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com base na Lei da Ficha Limpa.
PROPOSTAS DE CAMILO
• Planejamento estratégico a partir do zoneamento ecológico, econômico e social do Estado, valorizando o servidor e o serviço público, recompondo a capacidade e função de planejar, gerir e induzir novas práticas e saberes para o desenvolvimento do Amapá
• Participação popular na gestão do Estado desenvolvendo o orçamento participativo para decisão das políticas públicas, criando canais de diálogo com a base, rompendo com a cultura dominante e centralizadora, burocrática do Estado
• Transparência na arrecadação e gasto do dinheiro público criando mecanismos de controle da ação do Estado pela sociedade, rompendo assim, com o centralismo da máquina pública
• Descentralização do dinheiro público para efetivação das políticas públicas melhorando a qualidade e a democratização dos serviços públicos primando com eficácia, efetividade e eficiência a administração pública
• Desenvolvimento econômico combatendo as desigualdades sociais com foco na preservação e proteção do meio ambiente
*Publicado por Nezimar Borges
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