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Carta aberta aos professores

Local: Macapá - 17/10/2010
Fonte: Nezimar Borges
Link: Blog do Borges

O legado que um governante pode deixar aos profissionais de educação podem ecoar através dos tempos, ou de outro modo, pode recolher-lhe a insignificância de uma vida política precoce eivada de ostracismo. Em todo caso, porém, no jogo político onde determinados interesses particulares falam mais alto em detrimento dos interesses coletivos quem sofre um verdadeiro atentado é a verdade. E a verdade precisa ser dita sobre o Estatuto do Magistério remanescente do antigo território federal do Amapá.

Não antes clarificar verdades ditas como a que o ilustre estadista e mestre político alemão Otto von Bismarck. Ele dizia, por ironia do destino sobre cassadas, guerras e eleições, que as pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra ou antes de uma eleição. Um outro, embora desprovido de caráter, Josepf Goebbels, ministro da propaganda de Hitler disparou a celebre frase verdadeira e atualíssima "uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade", pois é dessa forma que se retrata a forma mitológica com que se debate em torno do velho estatuto, especialmente e quase sempre em época de eleições: “aquele partido “rasgou” o estatuto do magistério” o qual ecoa de tempos em tempos sempre conciliada a uma retórica descabida a fim de prejudicar e desconstruir a verdadeira candidatura da oposição no estado.

Em tempo contar-se-á, portanto, um de uma variabilidade de fatos e relatos ocorridos da época e da era que se chamava “Trem da Alegria” que foi as ações governamentais do antigo território federal do Amapá liderada por um velho comandante remanescente da ditadura militar.

Certo dia professor há três meses sem pisar em sala de aula, pois o estatuto do comandante o permitia sem justificar para quê o tal repouso às custas do estado, onde a folha de freqüência ia até sua residência para assiná-la todo final do mês. Em um desses dias chega uma convocação para que fosse ao menos justificar o porquê de deixar as crianças sem aulas. Estranhou, pois pensava em se tratar da freqüência que ora assinava em casa todo mês, e disparou um arremeda ao velho comandante: “Xiii, Comexô a perxiguixão!”.

Embora na legalidade, mas um estatuto arcaico que enquanto satisfazia a era do “Trem da Alegria” tudo permitia e tudo podia, mas o tal estatuto caducou diante da promulgação de uma nova lei maior do país chamada de lei das diretrizes e bases da educação nacional - LDB lei 9.394/96 e precisava ser readequado, revisado e, sobretudo ser aprovado pelo poder legislativo e pelo executivo, este último recém instalado no palácio do Setentrião no ano de 1995.

O governo socialista tentou e mandou proposta para a Assembléia Legislativa readequar o velho e caduco estatuto à nova Lei, mas o mesmo grupo político que tomou de assalto o estado em 2003 que ora foi encarcerado pela policia federal na operação “Mãos Limpas” estava na vanguarda da oposição de então e barrou qualquer iniciativa do executivo em relação à nova realidade da educação no país e à nova LDB.

Diante do impasse não houve alternativas ao executivo e a partir desse episódio criou se o Mito da Educação no Amapá satisfazendo interesses escusos da politicagem eleitoral em ano de eleição ao dizer “aquele partido “rasgou” o estatuto do magistério”. Pensam em conciliar o útil ao agradável: depreciar a maior figura política Tucuju e ganhar eleições. Mas até aqui não conseguiram lograr êxito com essa pecha, pois o resultado da última eleição mostra a sobrevivência política diante de adversidades e adversários poderosos e, portanto, dificilmente conseguirão tal intento, pois não existem mais docentes ingênuos quando daquela época.

Por hora com o aproximar da eleição, o candidato que acusa se diz de oposição, mas seu histórico político o contradiz quando se faz a pergunta: há alguma entrevista desse candidato defendendo a população quando da “Operação Pororoca” da PF; ou da “Operação Antídoto I e II” quando desviaram 40 milhões de reais da saúde publica, ou onde estava este mesmo candidato quando surrupiaram 200 milhões de reais da frágil e combalida educação no Amapá em 2009? ou ainda da “Operação Mãos Limpas” quando foram escoados pelo ralo da corrupção 300 milhões de reais? Onde estava ele? Por que só agora dois meses antes da eleição é que se diz de “oposição”? Quando sabemos que o mesmo foi pego e descoberto pela mídia nacional pendurado em ato secreto do senador Sarney no senado federal.

O partido que o candidato de Sarney acusa deixou o governo em 2002 e na ocasião os salários dos professores era o 3º maior do país, hoje ocupa o medíocre 7º lugar no ranking dos melhores salários da federação, sendo uma prova concreta da desvalorização profissional e uma vergonha para o pelego sindicato da categoria subjugado a dita “harmonia” defendendo interesses governamentais e fazendo vista grossa para o sucateamento das escolas públicas estaduais e o aviltamento dos salários.

Esses personagens quando acuados sempre lançam mão do velho e caduco estatuto e revigoram e enaltecem a promulgação do novo, mas de que adianta se o mesmo não foi cumprido pelo atual grupo que deixa o governo no final do ano? E que até este momento não se tem expectativa de sair do papel, onde o plano de carreiras não é colocado em prática, onde a mudança de categoria não é cumprida, onde professor com especialização ou mestrado não é valorizado no contra cheque como diz o novo estatuto, o qual devia ser respeitado; ou ainda com os retroativos que nunca são cumpridos e os acordos quebrados e desrespeitados.

O presidente do cooptado sindicato, no entanto, já declarara em 2007 em embate no rádio com um dos candidatos ao governo nessas eleições no qual este cobrava do presidente porque ser dócil com o governo da “harmonia” e ser extremamente hostil ao governo que governou o estado até 2002. Aildo Silva, portanto, admitiu que aquele governo que ele tanto deprecia deu aumento em 1995 de 150% aos professores do estado, isto, em plena era do real.

Entretanto é percebida e descabida a postura do presidente do Sinspeap nesses últimos anos, onde sempre direcionou as questões da categoria nas assembléias de greve em favor do governo. Não à toa, Aildo Silva, apóia o candidato de Sarney e do grupo empresarial que quer tomar o estado nessas eleições.

A docência, afinal, é uma dádiva que poucos possuem embora a labuta desvalorizada é a classe que tem maior poder de formar opinião e, portanto, é preciso ficar atento a discursos demagógicos com o fim de lograr dividendos eleitorais e, por fim, discernir o que é a verdadeira mudança da pseudo-mudança.


(*) Tecnólogo e Professor da Escola Augusto Antunes/STN
Graduado em Matemática e Especialista em Física
Escreve no Blog http://www.nezimarborges.blogspot.com
borges@unifap.br

*Publicado e escrita por Nezimar Borges

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