De quem é o dinheiro?
Diante da posse de dados dos casos e ocasos das ações dos aliados de Sarney nesses últimos oito anos no estado do Amapá, têm-se na contabilização sete operações da polícia federal e inúmeros escândalos de corrupção e em muitos destes a PF não chegou à seara das investigações. Porém se esmiuçará suposições do último caso de corrupção no estado: o dinheiro pego pela Polícia Federal no aeroporto de Macapá na manhã de sábado um dia antes da eleição. Eram 5,5 (cinco e meio) milhões de reais.
Em tempo, a trazer novamente à memória o primeiro escândalo no recém governo instalado no palácio do setentrião no ano de 2003, o escândalo da AFAP ou Banco do Povo, onde na ocasião um mui amigo do então governador Waldez Góes, Edmar Lourinho, fora investigado e acusado pela polícia civil e pelo ministério publico estadual de desviar um pouco mais de um milhão e meio de reais da instituição. Na ocasião o gestor do executivo já mostrara a que veio. Em manobras preservou de toda maneira Edmar Lourinho inclusive processando na justiça o jornalista que denunciou o caso. Esse foi um dos primeiros escândalos de corrupção no estado nesses anos de domínio de Sarney. Mas o último está longe de ser esclarecido, pois até este momento ninguém se dispôs a ir à PF pegar “seu” dinheiro. Por que será? Ninguém sabe.
Nesses entretantos há uma serie de questionamentos e respostas e suposições que pessoas comuns fazem consigo sobre a origem e o fim da soberba quantia de quase seis milhões de reais e discorrer-se-á, doravante, sobre diversas delas:
O ex-governador e seu primo, o medíocre alcaide, preocupados com a eleição do herdeiro político da maior figura política tucuju articularam, talvez, uma operação arriscada: o retorno de uma pequena parte do dinheiro desviado [“roubado”] do estado nesses últimos oito anos com a finalidade de comprar votos em favor do compadre de Waldez Góes, Lucas Barreto [entre estes há uma reciprocidade no compadrio], pois como é sabido Góes apoiou Lucas durante o 2º turno das eleições;
Em um ato de desespero, José Sarney, atual presidente do senado, quiçã como vez em mais de uma dúzia de eleições no Maranhão, “desembolsou” essa exuberante quantia de reais para ajudar seu ex-assessor e ato secreto do senado Lucas Barreto a ganhar as eleições, pois na aritmética e na ponta do lápis: 5,5 milhões dividido por 100 [vamos supor que cada voto, ou bandeira, seja comprado por 100,00R$] dão em torno de 55 mil votos. E, como a diferença relativa entre os candidatos foi em torno de 24 mil entretanto precisaria comprar apenas 12 mil votos, pois é a diferença absoluta. Explico: Na realidade quando se compra um voto de um candidato “A” na realidade se está comprando dois votos, pois diminui um voto de “A” e aumenta um para o candidato “B” que na contabilidade absoluta dá dois votos. E, portanto, só precisaria apenas comprar 12 mil votos para tirar a diferença de 24 mil embora a dinheirama pudesse comprar muito mais: 55 mil votos, quantidade muito superior à necessária de 12 mil eleitores;
Eike Batista, o mega empresário do setor de mineração no Brasil, é ligado umbilicalmente ao senador José Sarney, pois este último, como é sabido, tem como uma de suas cotas no governo Lula a pasta do Ministério das Minas e Energia [grifo proposital, pois como se sabe Batista teve todas as benesses escusas do governo da “harmonia” na exploração de minérios no Amapá] e, portanto, na iminência do descalabro do candidato de Sarney e, satisfazendo a um “pedido” do amigo oligarca, o qual versaria a uma ajuda financeira de última hora a tentar mudar os rumos do pleito que em pesquisas internas mostravam a voz imperativa do povo na eleição folgada pro - socialista Camilo Capiberibe, embora Eike houvesse contribuído com valores menores na campanha do candidato de Sarney;
As grandes empreiteiras, a propósito, também sempre tiveram [e têm] uma relação mais do que íntima com senador José Sarney. Em tempo, entretanto, a vinda à tona do escândalo da empreiteira Gautama de propriedade do empresário e amigo do oligarca, Zuleido Veras [até então financiador das campanhas da famiglia Sarney] no qual a Polícia Federal desvendou desvios de recursos em várias obras pelo Brasil, uma delas o superfaturamento da construção do aeroporto internacional de Macapá. Com o escândalo, enfim, se verificou que o governo do Amapá através do Diário Oficial do estado estava na iminência de pagar um contrato milionário feito com a Gautama de mais de 140 milhões de reais, contrato este que objetivava a construção e manutenção da malha viária e pontes em torno Macapá. E uma das vozes, no entanto, que ditam sobre os quase seis milhões, dizem que uma das empreiteiras ligadas a Sarney, talvez seja a verdadeira dona da expressiva quantia encontrada no aeroporto de Macapá;
Uma especulação que surge para o proprietário desta “grana preta” é um tanto quanto inusitada e absurdamente ilógica, senão vejamos: o dilema aqui se passará pelo conhecimento do senso comum e do conhecimento do senso crítico cientifico para se verificar o despautério dessa suposição.
O primeiro, o senso comum como é sabido demonstra que todos os políticos são iguais, que todos roubam [pela acepção jurídica, furtam]. Essa pecha a totalidade dos políticos corrobora para mascarar e ludibriar uma grande e considerada parte da população, pois não têm uma leitura profunda das questões relacionadas à ciência política e às ideologias que perduram na verdadeira esquerda. O mesmo senso comum pobre e precário que carece de análise mais apurada e principalmente carece de conhecimento que esmiúce as possibilidades que canalizam para uma realidade por de trás dos fatos, e, nesse aspecto esse senso comum ajuda aqueles políticos que não tem compromisso com a realidade, àqueles que compram, através do poder econômico, consciências e votos. Esses políticos pregam sempre que não há diferenças de caráter, de turma do bem e do mau; que inexistem preconceitos de racismo; de ideologias; de direita e esquerda...
E, por fim, o segundo, o conhecimento do senso crítico científico demonstra a contrariedade de tudo que se diz sobre o conhecimento do senso comum. Nesse se enquadram os socialistas natos, pois para esses não interessa a desinformação de seu povo, pois trabalham para que através da educação, os mais carentes de políticas públicas, possam se desvencilhar do pseudo-conhecimento - aquele do senso comum. Para esses socialistas não interessa a alienação da população, pois tentam mudar no poder do convencimento os votos através da consciência critica sadia de cada cidadão.
Isto posto dizem as más línguas que, a candidatura da verdadeira mudança passava por grande dificuldade na reta final das eleições, que pesquisas internas mostravam a derrota acachapante do socialista líder da oposição no estado e, portanto, os três governadores eleitos até então pelo partido do candidato resolveram vir em socorro da Frente Popular e de seu candidato. E que a suposta grana dos governadores eleitos seria para mudar os rumos da eleição na compra de votos para o socialista.
Portanto doutro lado a esta última e absurda suposição eram perceptíveis o desespero e o destempero do candidato de Sarney bastando para isso acompanhar os debates, o horário eleitoral e as alianças últimas com o clã dos Góes para se ter idéia de quem estava perdendo as eleições e que, talvez, precisasse urgentemente de algo parecido com o que aconteceu nas eleições de 2008. Tudo em vão. A Polícia Federal com tiro de misericórdia sepultou as pretensões desesperadas de quem quer que seja.
Passadas as eleições, afinal, restam apenas suposições e as especulações vão perdurar até a polícia federal mostrar de quem, de fato, era os quase seis milhões de reais, pois como se sabe até este momento não se tem o desfecho do derradeiro escândalo da era da “harmonia” no Amapá.
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(*) Tecnólogo e Professor
Escreve no Blog http://www.nezimarborges.blogspot.com
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*Publicado por Nezimar Borges
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