Esperança e mudança
O presidente mais bem avaliado da história do Brasil enfatiza no jargão “nunca antes na história desse país...” mais do que uma frase de efeito realça a necessidade que teve o Estado brasileiro nessas últimas décadas de implementar políticas agressivas nas áreas estruturantes do país especialmente na seara social. Entre o governo que sai e o novo que entra, tanto lá como cá, no Amapá renovam-se as esperanças e com elas está inerentemente ligada o anseio por mudança que toda a sociedade amapaense almeja.
Essa frase de efeito faz jus ao que acontece no Brasil, e, por extensão ao Amapá? Resposta apressada por quase todos que acompanham a política nacional dizem que sim, enquanto aqueles que viram de perto o descalabro do Amapá dizem indubitavelmente que não. No entanto, o que faz grande parte da população ter essa avaliação positiva do governo Lula talvez sejam os ganhos discretos que teve na área social através principalmente do Bolsa-Família. Porém, para um país que não havia experimentado esse “boom” no consumo como este que se vê nesses últimos anos é porque alguma coisa aconteceu, pois tem que se reconhecer o acréscimo no emprego e salário das pessoas. Fato que faz ser o presidente brasileiro mais bem avaliado pela sociedade brasileira.
Lula fecha um ciclo vitorioso para uma considerada parcela da população e espera-se, finalmente, ser aberto um neociclo para o Amapá com o governo socialista que se inicia na nova década vindoura. A esperança na mudança faz se conjecturar para que daqui no máximo até o início do primeiro biênio o Estado volte a normalidade e a caminhar com seus próprios pés como foi outrora e, por isso a mudança por ora se faz mais do que necessária.
E as esperanças depositadas pelo povo brasileiro e pelo amapaense em Dilma e Camilo respectivamente realçam a vontade que a primeira tem de continuar a mudança e o outro de mudar radicalmente as estruturas políticas com que o Estado vinha sendo administrado. Embora o Amapá, um dos estados mais rico da federação, e, portanto, a situação com que o governador eleito irá encontrar nunca havia acontecido por esses lados Tucujus. Um Estado imerso numa famigerada bolha insolvente, praticamente falido e com uma conseqüente crise institucional sem precedentes em sua história, o qual teve suas principais autoridades presas pela Polícia Federal dentre eles o prefeito, o governador, o ex-governador, o presidente do Tribunal de Contas...e outras “mãos sujas” encastelados no legislativo que poderão ser presas a qualquer momento.
Mas a esperança e mudança, todavia, andam sempre lado a lado sendo co-irmãs siamesas. Elas se completam ditando as novas diretrizes da sociedade, e, nesse novo ano que se inicia o povo amapaense têm as esperanças mais que renovadas e carentes de políticas básicas principalmente em relação à saúde da população. Nesse aspecto o novo governo socialista deverá ser um “divisor de águas” para a sociedade amapaense e tudo que teve nesse governo que está saindo deve passar longe das ações do novo, e uma mudança que a população quer ver é a transparência com que o orçamento público é aplicado.
Portanto sabedor que não agradará gregos e troianos o novo governador terá de implementar de imediato as necessárias mudanças originadas das esperanças da população e, uma primeira crítica que se ouve dos seus derrotados opositores é em relação a indicação de um técnico competente e não médico para pasta da saúde, quando dizem “o que um profissional da área jurídica que não é médico vai fazer se não entende nada de saúde?” raciocínio conservador que foi muito usado pelo governo do ex-governador Waldez Góes e que cai por terra quando se diz: “Você sabe quantos secretários de saúde que eram médicos foram presos pela Polícia Federal no governo que se encerra melancolicamente neste final do ano?
Por fim é bom ressaltar que o abstrato motor esperança não gera necessariamente a mudança para o bem estar social de uma sociedade, sobre isto, basta olhar no retrovisor e se transportar para exatos oito anos atrás para constatar essa lógica. Se fosse, não haveria a dialética na construção da verdadeira mudança. No entanto, há algo de novo no ar, pois o histórico, trajetória e origem política socialista de Dilma e Camilo só faz corroborar para o sucesso de ambos e conseqüentemente para o sucesso e bem estar social do Brasil e do Amapá.
Nezimar Borges – Professor
Escreve no blog http://www.nezimarborges.blogspot.com
Email: borges@unifap.br
*Publicado por Nezimar Borges
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