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PF prende mais sete pessoas no Amapá

Local: Macapá, 26/10/2010
Fonte: Jornal Correio do Amapá
Link: Blog do Borges

É a 3ª fase da Operação Mãos Limpas, que em setembro prendeu o governador, o ex-governador e mais 16.

Do UOL Notícias - Em São Paulo) - A Polícia Federal prendeu mais sete pessoas no Amapá na manhã de ontem (25), em uma nova etapa da operação Mãos Limpas. Foram presos os empresários Hugo e Jardel Góes (parentes do ex-governador Waldez Góes), Luiz Adriano Ferreira, Alexandre Albuquerque, além do  secretário de gabinete da prefeitura de Macapá, Humberto Góes, e da ex-secretária de Ação Social e Trabalho, Hécia Lúcia Souza e Carlos Colombo.

Agentes da PF também cercaram a casa do atual prefeito de Macapá, Roberto Góes, e o levaram para depor. Também foram conduzidos para a sede da PF, no centro da capital amapaense, os procuradores do município, Marcelo Leal e Gláucia Oliveira. Após prestarem depoimento, os três foram liberados, segundo o setor de comunicação social da corporação. Pelo menos 200 homens participaram da ação.

Em setembro, na mesma operação, foram presos o governador do Estado, Pedro Paulo Dias; o ex-governador e candidato ao Senado, Waldez Góes; sua mulher, Marília Góes; o presidente do Tribunal de Contas do Estado, José Júlio de Miranda Coelho; além de vários secretários de governo e empresários. Dias, Waldez e Marília respondem ao processo em liberdade.

Na ocasião, foram apreendidos R$ 1 milhão em dinheiro, cinco carros de luxo e duas armas. As apurações da PF revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos, superfaturamento, contratos emergenciais sobretaxados em diversas secretarias, em especial as de Agricultura, Educação, Justiça e Segurança Pública e Saúde.

Desvios e nepotismo

O inquérito da PF aponta que cerca de R$ 300 milhões em recursos públicos foram desviados. Além dos desvios, a Polícia Federal constatou que os organogramas das secretarias do governo do Amapá estavam repletos de parentes dos governantes.

Waldez Góes tinha, pelo menos, quatro parentes trabalhando com ele antes de se afastar do cargo para se dedicar à campanha eleitoral. Já Pedro Paulo Dias nomeou um primo, dois irmãos e a mulher dele para trabalhar na gestão.

“São estes apenas alguns exemplos da forma como o Estado do Amapá foi tomado por um grupo de pessoas, em sua maior parte ligadas por relação de parentesco, com finalidades criminosas”, diz o inquérito da PF.

“Essa ‘montagem’ da cúpula administrativa do Estado do Amapá por meio de vínculos familiares é sintomática do propósito de assegurar a estabilidade da atividade criminosa, e, consequentemente, da existência de uma quadrilha no âmbito da administração daquele Estado”, afirma ainda a PF.

Segundo a investigação, a Secretaria de Inclusão Social e Mobilização Social, que foi comandada pelas primeiras-damas do Estado, tinha “importância estratégico-eleitoral” para os governantes.
De acordo com conversas telefônicas interceptadas, a polícia afirma que a secretaria praticava crimes de fraude à licitação, “com superfaturamento de preço, e desvio de recursos públicos em proveito próprio ou de terceiros”.

A fraude consistia em comprar mercadorias para fazer kits que o governo distribuía como supostos programas sociais. Esses kits eram compostos de material escolar, artigos para construção, roupas para gestantes, entre outros. Segundo a PF, a fraude envolvia desde o direcionamento das empresas vencedoras das licitações até superfaturamento dos produtos.

Um dos indícios apontados pela polícia é o fato de que uma empresa que forneceria roupas de bebês era na verdade uma papelaria.
Já o superintendente federal de Agricultura do Amapá, Ruy Santos Carvalho, primo de Dias, é investigado pela PF por ter praticado “ilícitos extravagantes no desvio de recursos da União”. Carvalho é acusado de contratar, emergencialmente, os serviços de uma empresa pelo dobro do preço de mercado.

*Publicado por Nezimar Borges

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