STF nega liberdade a ex-governador preso do Amapá
Ministério Público já entrou com pedidos de prorrogação alegando risco às investigações
Em decisão monocrática, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal)
Joaquim Barbosa negou nesta terça-feira (14) a soltura do ex-governador
preso do Amapá Waldez Góes, candidato ao Senado. O pedido de habeas
corpus para a mulher dele, Marília Xavier, também foi rejeitado.
Os dois foram presos na última sexta-feira (10) pela Polícia Federal com
outras 16 pessoas por suposta participação num esquema de desvio de
dinheiro público envolvendo políticos, empresários e servidores públicos
do Amapá.
Além deles, foram detidos o governador do Estado, Pedro Paulo Dias e o
presidente do Tribunal de Contas do Estado, José Júlio Miranda.
Até abril deste ano, Goés era o governador do Amapá, mas saiu para
disputar o Senado. A prisão temporária dele e da mulher terminariam hoje
à meia noite.
O Ministério Público, porém, já pediu ao STJ (Superior Tribunal de
Justiça) a prorrogação da prisão de seis pessoas, sob o argumento de que
eles poderiam atrapalhar as investigações. Como o processo corre em
segredo de Justiça, a Procuradoria-Geral da República não divulgou os
nomes.
A tendência é que o relator do caso no STJ, João Otávio de Noronha,
aceite a prorrogação. Os advogados de Dias aguardavam até amanhã para
também entrar com pedido de habeas corpus.
Operação Mãos Limpas
As investigações, que contaram com o auxílio da Receita Federal,
Controladoria-Geral da União e do Banco Central, começaram em agosto do
ano passado.
Foram apurados indícios de um esquema de desvio de recursos da União,
que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá,
provenientes do Fundeb e do Fundef.
De acordo com a PF, a maioria dos contratos administrativos firmados
pela Secretaria de Educação não respeitava as formalidades legais e
beneficiava empresas previamente selecionadas.
Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada, segundo a polícia,
manteve contrato emergencial por três anos com a secretaria, com fatura
mensal superior a R$ 2,5 milhões, e com evidências de que parte do
valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.
O mesmo esquema seria aplicado em outros órgãos públicos. A Polícia
Federal identificou desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado
do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas
Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de
Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de
Administração Penitenciária.
Surrupiado do Portal R7, em Brasília
*Publicado por Nezimar Borges
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