A Cortina de fumaça de Waldez
Waldez Góes está com a estratégia de esconder a decisão sobre seu futuro político para tentar confundir adversários e aliados e ganhar tempo de governabilidade, por que a partir do seu posicionamento a base aliada vai rachar de vez em pelo menos três candidaturas ao governo em 2010, Jorge Amanajás, Lucas Barretos e Pedro Paulo e em uma delas ele deve figurar como candidato ao Senado.
No entanto o governador para evitar desgaste antecipado prefere usar partidários e meios de comunicação para alardear pelo Estado que pode ficar na cadeira do setentrião e lançar um candidato do PDT ao governo Alberto Góes ou Roberto Góes, Apesar dessa tentativa de embaralhar o jogo para 2010 é pouco provável que isso aconteça por falta de tempo e de condições políticas de se consolidar tal mudança, afinal estamos a apenas sete meses da eleição.
Na contramão desta cortina de fumaça criada pelos pedetistas para inebriar a todos, o que vem ocorrendo nos bastidores da política tucuju é que Waldez vem dando sinais claro que sua decisão de fazer dobradinha com o Vice Pedro Paulo está tomada, tanto que ai está à verdadeira razão da crise do orçamento instalada entre Executivo e Legislativo no momento. A maioria dos Deputados Estaduais exige o posicionamento de Waldez a favor da candidatura do Presidente da AL Jorge Amanajas do PSDB, o que dificilmente vai acontecer por que o Vice Pedro Paulo do PP é quem vai ficar com a chave do cofre, sinal de facilidades oportunizadas pela estrutura governamental na mão durante a eleição, além disso, Jorge Amanajas é do PSDB oposição ao Presidente Lula e de toda a base aliada PDT,PT,PMDB,PP,PCdoB,PR etc…, estes partidos fazem parte do palanque que Waldez pretende montar em 2010 para si e para candidata de Lula a Presidência Dilma Russeff.
As recentes movimentações políticas de Waldez revelam que ele decidiu agir pessoalmente para construir as condições ideais para concorrer ao Senado em 2010, resolveu brigar pelo orçamento que será executado por Pedro Paulo em 2010 seu possível parceiro de chapa, outra medida tomada foi de enfraquecer um concorrente direto que tem votos no mesmo segmento que o seu o Senador Gilvan Borges, exonerou todos os cargos de direção indicados por ele no governo, DETRAN, SEC. de SAÚDE e CAESA, isso deixou os Borges perplexos, não esperavam, até hoje estão meio perdidos não sabendo o que fazer, ficam apenas mandando recado de suas insatisfações com o governador por jornais e pela rede de comunicação que eles detém em todos os Municípios do Estado.
Contudo é importante verificar que o fim do ciclo Waldez no poder traz um quadro interessante de divisão quase irreversível na base de sustentação do governo, haja vista existirem projetos de poder de vários partidos que compõem a base aliada o que vem causando brigas na tão decantada harmonia.
A possibilidade de reaglutinação destas forças políticas no segundo turno é muito difícil por causa das feridas abertas dos derrotados durante o processo eleitoral do primeiro turno em 2010, a interferência de Sarney no jogo sucessório pode ocorrer no segundo turno onde deverá passar um candidato da base junto com um candidato de oposição (caso seja confirmada), neste momento ele tentará influenciar os derrotados a voltarem para coalizão, o que parece improvável por que terá que superar mágoas profundas e aparar várias arestas para poder mudar a realidade de divisão política.
Finalmente este cenário de disputa acirrada de vida ou morte na base de Waldez e Sarney deixa a turma do poder apreensiva, mas enquanto essa turma fica com os olhos voltados para briga em sua base aliada tentando conciliar o inconciliável surge ótima oportunidade de a oposição criar uma boa opção para a disputa do governo em 2010.
Juliano Del Castilo Silva – Advogado e Secretário do Movimento Negro Socialista do PSB-AP. (delcastilo@ig.com.br)
*Publicado por Nezimar Borges
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