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Aliados de governador preso vêem influência de Sarney

Local: Brasília, 13/09/2010
Fonte: Revista Veja
Link: Veja Online

A Operação Mãos Limpas deve ser um fator deciviso na reta final das eleições do Amapá. Na disputa pelo governo, quatro candidatos aparecem com chance de vitória. Lucas Barreto (PTB) é o primeiro colocado nas pesquisas, seguido pelo governador preso Pedro Paulo Dias (PP), por Jorge Amanajás (PSDB) e Camilo Capiberibe (PSB).

Como sempre, os envolvidos dizem que são vítimas de perseguição política. E, no Amapá, essa expressão comumente vem associada ao nome de José Sarney. Embora careça de evidências, a acusação é plausível. A influência política do senador no estado é ainda maior do que no Maranhão.

Pedro Paulo Dias decidiu se lançar candidato por conta própria, sem a bênção do presidente do Senado. Dias foi impulsionado pela popularidade de Waldez Góes (PDT), de quem era vice-governador. A candidatura de Jorge Amanajás (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, é resultado de um acordo político do qual o PMDB participou.

O escolhido – Mas José Sarney tinha outro candidato: Lucas Barreto (PTB) – justamente o maior beneficiado com as prisões. E essa união não vem de hoje. Barreto, derrotado na disputa para a prefeitura de Macapá, em 2008, foi beneficiado por um ato secreto do Senado. Por dois anos, ele recebia um salário de 7 mil reais para trabalhar como assessor na Casa. Mas vivia em Macapá, a 1800 quilômetros da capital federal.

Aliados de Pedro Paulo insinuam que o senador pode ter influenciado para que a Operação Mãos Limpas ocorresse a três semanas das eleições. Alegam que as denúncias já eram conhecidas há pelo menos três anos, e que as acusações se referem a crimes diferentes, sem relação entre si. Um dos que defende essa hipótese é o prefeito da capital, Roberto Góes (PDT): “É muito estranho que as coisas tenham acontecido justamente agora”, afirma.

A operação da Polícia Federal não tirou votos só do candidato do PP: Jorge Amanajás também teve a imagem prejudicada com as investigações, já que foi levado à força para depor à Polícia Federal. Cenário que interessa a Lucas Barreto – e a Sarney.

As prisões, realizadas para desfazer um esquema de corrupção dentro do governo, foram motivadas por denuncias de empresários e funcionários públicos.Também é atribuído à atuação de Sarney o processo que levou à cassação do então senador João Capiberibe e da condenação da mulher dele, a hoje deputada federal Janete Capiberibe. Eles teriam comprado dois votos ao preço de 26 reais, nas eleições de 2002. O casal, filiado ao PSB, é adversário político de Sarney no estado.

O senador raramente é visto no Amapá. Mas, num estado com pouco mais de 20 anos de existência, instituições frágeis e uma economia dependente de recursos federais, a influência dele se mantém inalterada.

Detidos – A Operação Mãos Limpas prendeu 18 pessoas, entre elas o governador Pedro Paulo Dias, o ex-governador Waldez Góes (candidato ao Senado pelo PDT), a ex-primeira dama Marília Góes e o presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio de Miranda. Segundo a Polícia Federal, o grupo participou de desvios da ordem de 300 milhões de reais. Todos os detidos estão em Brasília, onde devem ficar por até 10 dias antes de serem soltos.

(Gabriel Castro, de Macapá)
Veja On Line aqui

Comentário do Blog: A influência de Sarney na republica brasileira é inquestionável e isso é um fato. Em tempo, da oprerção Pororoca da PF em 2004, foi também inquestionável a mão do caudilho maranhense a levar a operação Pororoca para depois da eleições, a qual teve dois concorrentes dos capiberibes presos, Bala Rocha e João Henrique Pimentel. Se a influência de Sarney na república brasileira é inquestionável imaginem como o é na republiqueta amapaense. Sarney tem informações privilégiadas e foi assim em muitas outras operações tanto na operação "boi barriga" que de toda maneira tentou preservar a idoneidade de seu filho Fernando Sarney; a operação, que não recordo o nome agora, o qual avisou seu amigo Zuleido Veras, precavindo-o da PF do então desvio de recursos do aeroporto internacional de Macapá; a operação da PF no Banco Santos - ele avisou seu amigo dono do banco- o qual teve tempo de fugir para o exterior. Portanto, têm a mão de Sarney sim nesta operação. Se quizesse poderia influenciar para a operação acontecer depois das eleições como o vez em 2004. PP e WG foram jogados às traças pelo influente Sarney. Bem feito!

*Publicado por Nezimar Borges

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