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30 de Agosto de 2007
De 1º a 7 de setembro, o povo será consultado sobre a validade do leilão da
Cia Vale do Rio Doce realizado em 1997
Pedro Carrano
de Curitiba (PR)
Nos sindicatos, nos locais de trabalho, nas associações de moradores de
bairro, nos salões paroquiais, a campanha A Vale é Nossa, pela nulidade do
leilão da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), está se espalhando e construindo o
plebiscito popular programado para os dias 1º a 7 de setembro.
O objetivo do plebiscito popular parte de um fato concreto: a possibilidade
de reverter na justiça o leilão da Vale do Rio Doce - datado de 1997, em uma
venda marcada por irregularidades - para então fazer um trabalho pedagógico com
os trabalhadores, a partir das quatro questões do plebiscito (ver quadro), que
inclui a retomada da Vale, dívida pública, tarifa de energia e reforma da
Previdência.
Os meses de junho e julho foram marcados pela consolidação dos comitês da
campanha em cada Estado, compostos por diferentes organizações. A tarefa dos
comitês estaduais é a de formar lideranças para a criação de comitês locais, em
bairros, sindicatos, em cada comunidade.
Rio de Janeiro
O comitê da cidade de Volta Redonda (RJ), por exemplo, tem como objetivo
instalar urnas em quatro centros comerciais da cidade, também em praças e na
prefeitura, durante a semana do plebiscito. Conta ainda com duas “urnas
volantes”, uma outra possibilidade de votação, quando os militantes devem
percorrer a cidade de carro para incentivar a participação popular.
Cidade marcada pela história da luta dos trabalhadores da Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN), a fábrica é um dos alvos para discutir com a
população a retomada da Vale.
“Panfletamos na porta da usina a partir das quatro perguntas do plebiscito”,
relata Maria das Dores Pereira, do comitê estadual. As organizações em Volta
Redonda ainda guardam 400 modelos de urnas que tinham sido elaborados na época
do plebiscito sobre a Alca (2002), para eles uma referência para a organização
do plebiscito em 2007.
Paraná
No Paraná, o comitê estadual incentivou a criação de comitês em 17 cidades,
que a partir daí organizam suas atividades, com a tarefa de multiplicar a
campanha nos municípios vizinhos. Na região de Maringá, a multiplicação de
lideranças tem sido feita a partir das paróquias, assentamentos e acampamentos
dos movimentos do campo e demais movimentos sociais.
Para João Aparecido da Silva, da cidade de Sarandi, o objetivo é que a
campanha ganhe capilaridade entre as associações de moradores da região. Silva
reclama da falta de mobilização das massas atualmente. Pensa, porém, que a
formação de espaços e a articulação de diferentes organizações é uma
contribuição da atual campanha.
“Não conseguimos espaço na mídia, mas o que vai ficar de articulação para
depois do plebiscito é algo inédito, qualquer outra atividade vai colher o
resultado positivo dessa articulação. As perguntas do plebiscito são um bom tema
para aglutinar a militância”, antecipa. Informes de atividades chegam de Norte a
Sul do país. No Mato Grosso, o plebiscito foi divulgado durante atividade da
jornada nacional em defesa da educação pública.
Objetivos
A campanha A Vale é Nossa continua após o plebiscito popular. Será feita uma
apuração dos votos, realizada primeiro pelo comitê de cada Estado, coletando os
resultados fornecidos pelos comitês locais e enviando para a secretaria nacional
da Campanha. Os resultados das quatro perguntas do plebiscito serão entregues
para o poder Executivo, Legislativo e Judiciário, como mecanismo de pressão pela
nulidade do leilão da Vale.
A entrega será feita por uma representação ampla das organizações que
construíram o plebiscito. Atos de rua nos Estados devem marcar a entrega. “A
entrega, no dia 24 e 25 de setembro, será seguida de atos de rua para dar mais
força na entrega do resultado do plebiscito. Enquanto uma comissão se mobiliza
para entregar os resultados, as pessoas se mobilizam nos seus Estados”, comenta
Carlos Renato Monteiro, da secretaria nacional da Campanha. Na mesma data, as
organizações irão se reunir para uma avaliação do plebiscito e para definir os
próximos passos da campanha.
“A volta da luta”
Os comitês organizam atos de rua e panfletagem junto à população, nesta reta
final antes do plebiscito. Na cidade de Volta Redonda, por exemplo, onde se
encontra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a crítica às privatizações é
forte, afinal a CSN foi a primeira companhia a ser privatizada (1993), além de,
quatro anos mais tarde, formar o consórcio comprador da Vale na época do
leilão.
O trabalho de conscientização parte do fato de que as organizações locais
começaram a se organizar a partir da greve dos trabalhadores da CSN ocorrida
neste ano, depois de 14 anos de silêncio. A partir de então, criou-se então um
fórum que envolve de metalúrgicos ao movimento estudantil. “Com a greve da CSN
rearticulamos as entidades e criamos o fórum ‘A volta da luta’, e a campanha
está dentro deste fórum”, comenta Maria das Dores Pereira.
Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br/
*Publicado por Nezimar Borges
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