“Che está vivo nos ideais”
Brasília, 10/10/2007 – 40 anos após a morte do líder revolucionário Ernesto Guevara da La Serna, o Che, aos 39 anos, e 36 anos depois terem estado na Bolívia a primeira vez, a deputada federal Janete Capiberibe – PSB/AP – e o ex-senador João Alberto Capiberibe voltaram ao país onde um dos companheiros de Fidel Castro na Revolução Cubana foi preso e assassinado pelo Exército Boliviano a mando dos EUA. Eles participaram de uma homenagem de políticos de esquerda de vários lugares do mundo ao líder da revolução cubana que queria espalhar a luta armada por justiça social a todo o continente latino-americano.
Nem a viagem de 240 quilômetros, que durou mais de 10 horas, enquanto sacolejaram dentro de um ônibus pelos Andes, desanimou os socialistas brasileiros. “A ideologia continua atual, contra a opressão do neoliberalismo, para erradicar a desigualdade, para distribuir a riqueza e na busca por justiça social”, diz a deputada.
“Foi uma cerimônia mundial, multirreligiosa, feita por aqueles que comungam do mesmo ideal e que querem continuar a luta, cada um no seu espaço planetário. O Che está vivo no ideal daqueles que estiveram em La Higuera”, completa.
Janete e João Capiberibe estiveram acompanhados de lideranças políticas vindas dos continentes latino-americano e europeu, um grande número de brasileiros ligados às igrejas e aos movimentos sociais. Foram os únicos parlamentares brasileiros na homenagem.
Janete, o marido João Capiberibe e a filha Artionka passaram pela Bolívia quando se refugiavam da repressão militar no Brasil, em 1971, há menos de 4 anos da morte do líder revolucionário e quando a ditadura militar e a violência armada contra as populações se instalara em todos os países do continente latino-americano, como norma para o controle político e econômico dos Estados Unidos.
San Ernesto – La Higuera é um vilarejo boliviano onde vivem 18 famílias de camponeses, 40 a menos do que quando Che foi preso e assassinado em 1967. A cada 08 de outubro, os moradores locais homenageiam San Ernesto de La Higuera. Relacionam milagres que atribuem ao santo rebelde, como as chuvas mandadas para superar a seca que afligia a safra deste ano ou a cura de doenças pelo médico revolucionário.
Santo para os agricultores locais, mártir, mito, ideólogo para os militantes políticos, Che deixou plantadas sementes da sua revolução por justiça social e contra qualquer tipo de opressão. “A população entendeu muito bem quais os objetivos da luta de Che”. Quase meio século depois de ser conhecido mundialmente, o vilarejo que venera o revolucionário ainda continua sem energia e sem telefone. A água potável foi instalada há menos de cinco anos. A esperança está no governo de Evo Morales. “É um governo que luta pela igualdade, que resiste à pressão dos Estados Unidos pelo controle da região. Com certeza a condição desses moradores vai melhorar agora”, acredita a socialista.
Segundo Janete, agora ficou clara a importância de terem passado pela Bolívia apenas quatro anos depois da morte de Che Guevara. “Não sei como saímos vivos de lá. A repressão norte-americana era muito forte em toda a América Latina para impor uma cultura única sob seu domínio. Por isso temos que continuar mobilizados contra este símbolo nefasto que é o neoliberalismo. A luta de Che é uma luta que continua, em outro momento”.
Trabalho dobrado – João Capiberibe pondera que, hoje, a ação revolucionária não comporta a luta armada, mas precisa ser feita por outros meios, já que “as condições de injustiça ainda permanecem iguais àquelas de há 40 anos. É uma luta contra a desinformação, para socializar e compartilhar o conhecimento, organizar principalmente os excluídos pelo neoliberalismo”. Para o socialista, hoje, o exército de revolucionários é feito por pessoas bem informadas.
Ele ressalta que “a globalização ampliou o fosso entre os ricos e os pobres” e a falta de reação se dá pelo “controle das massas feito pelos meios de comunicação social a serviço dos ricos, do poder hegemônico”.
O desafio é superar este controle e esta manipulação. Para Capiberibe, o militante político deve redobrar seu trabalho de mobilização e de compartilhamento de informações para trazer à ação principalmente a grande maioria da população que está fora de qualquer organização política, por causa do controle da mídia e do enfraquecimento dos movimentos sociais e dos sindicatos.
Leia aqui uma rápida biografia de Che Guevara
Sizan Luis Esberci
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*Publicado por Nezimar Borges
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