Crise exposta na véspera de convenção
Crise interna do PSB está nas ruas.
Antônio Corrêa Neto
O que o secretário-geral do PSB do Amapá, engenheiro Cláudio Pinho, e o deputado Rui Smith fizeram hoje no programa Tribuna da Cidade, da 101 FM, foi colocar para a opinião pública uma discussão que vem sendo feita dentro do partido, há mais de dois anos. Começou com a indicação de Cristina Almeida para a disputa pela vaga do Senado e seguiu-se pela de Camilo Capiberibe para a Assembléia Legislativa. As duas decisões foram consideradas familiares, ambas partidas do núcleo partidário comandado pela família do ex-governador João Capiberibe. O grupo que Cláudio e Ruy representam é formado por militantes históricos da esquerda no Amapá, integrantes do partido desde muito tempo. Reconhecem a liderança do ex-governador e presidente do PSB, João Capiberibe, mas não aceitam incondicionalmente suas decisões, e estão convictos de que o lançamento da candidatura de Camilo em 2006, prejudicou o desempenho partidário porque teria inibido apoios até extra-partidários para a candidatura majoritária, como estaria prejudicando agora, no sentido inverso. “A candidatura de Camilo a prefeito de Macapá só dá visibilidade a ele para disputas futuras”, disse Cláudio Pinho hoje pela manhã para o programa da 101FM e à tarde, pelo telefone para o site. Para o grupo, a candidatura de Camilo só contribui para aumentar o isolamento do partido, que estaria entrando na disputa sem chances de vitória. E então, diante desse entendimento qual seria o caminho?
“Não sendo o próprio Capiberibe o candidato, o PSB deveria indicar um outro nome ou até abrir mão da cabeça de chapa, para apoiar uma candidatura”, argumentou o secretário-geral, que sugeriu os encontros com Dalva Figueiredo e João Henrique para estudar possibilidade de alianças como a que está acontecendo em Mazagão, com Ana Dalva, do PT, e deve acontecer em Santana, com o prefeito Nogueira, do mesmo partido. Ele raciocina em cima de um projeto de poder que corre na Assembléia e poderá ser aceito ou não, mas exclui o PSB, o PT e outros partidos. A obra, de origem na imaginação “fértil” e despojada do senador Gilvam Borges, teria como prioridades, Pedro Paulo para o governo do Estado com Jorge Amanajás na vice, Waldez e Gilvam para o Senado, evidentemente Marília Góes para a Câmara dos Deputados, ficando a Assembléia sob o controle dos Borges através de um testa de ferro apoiado por eles. Para quebrar isso o PSB tem de abrir mão, para juntar forças com outros partidos que podem hoje o amanhã, mudar o rumo dessa política que se tem hoje no Estado. Do jeito que as coisas estão, Cláudio Pinho diz que uma boa parte do PSB está desmotivada, e não deve sair para a campanha.
Comentário do Site:
Não havia momento mais infeliz para as tradicionais figuras do PSB a jorrar balde de agua fria na militância pesebistas. A desistência da chapa do PR tendo Trajano na cabeça, e este agora aliado de Dalva, veio como um "calafrio" às pretenções do PSB à eleição que se aproxima. Mas nem por isso deve-se substimar a capacidade do povo sagrar derrotas fragorosas às eleites. Ainda assim, se não acredita-se nesse potencial popular, haverá de se colocar à mesa, negociações em um eventual segundo turno, as "preocupações" desses militantes da hora. E por que mostrar uma suposta fragilidade interna do partido?. É de ficar "contrariado" frente às atitudes e virtudes de fraqueza e de falta de coragem desses militantes históricos. Se a candidatura de Camilo não se sustenta, como dizem, haverá de se compor com o grupo que deverá fazer frente a direita que hoje manda no estado, nem que para isso apoiar o PT de Dalva. Isso, é claro, em um eventual segundo turno.
*Publicado por Nezimar Borges
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