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Eleições para reitor da Unifap

Local: Macapá, 25/01/2010
Fonte: Marinalva Oliveira, Presidente do SINDUFAP
Link: http://www.correaneto.com.br

Mais um processo eleitoral se aproxima e a comunidade acadêmica anseia por um processo democrático, com amplas discussões sobre concepção de universidade e a indicação de novos rumos para a Unifap.

Os candidatos a Reitor, independente de nomes, serão professores universitários que vivenciam o tripé ensino, pesquisa e extensão. Dessa forma, o que devemos esperar desses candidatos? Apenas para apresentar o mínimo, espera-se que: 1) discutam e disputem uma concepção de universidade; 2) estejam abertos aos debates e críticas; 3) sejam democráticos e vivenciem o processo eleitoral como parte da vida acadêmica; 4) respeitem o pluralismo de idéias e de concepções políticas e pedagógicas.

Assumir estes posicionamentos só é possível para os candidatos que, dotados de uma vida acadêmica, tenham a compreensão de que ser Reitor de uma Universidade Pública nunca poderá significar ter enquanto objetivo a disputa pelo poder e com o poder, pois isso descaracteriza tudo que respalda a concepção de Universidade Pública. Ser Reitor, portanto, significa: 1) acreditar e defender que a Universidade é resultado de uma construção social e coletiva e nunca individual; 2) ter base de apoio e grupo político que lhe dê sustentação e parceria para construir o projeto de universidade autônoma e democrática; e 3) acima de qualquer coisa, respeitar as instâncias colegiadas e acreditar que é a partir das mesmas que se constrói a universidade.

Construção de candidatura para disputar a concepção de universidade requer defender as idéias nas quais se acredita e que são partilhadas por uma ampla base de apoio em prol da construção e defesa incondicional da Universidade Pública, Gratuita, Laica, Plural, Democrática e com Qualidade Social. Gerir uma universidade é um trabalho hercúleo que deve ser feito por uma equipe ampla e com o apoio da comunidade universitária e da sociedade civil organizada. Os nomes em questão serão apenas as pessoas que estarão coordenando as atividades meio e fim dessa instituição, lutando para que ela seja pública, gratuita, democrática e tenha qualidade social. Assim, as candidaturas, quaisquer que sejam suas origens, precisam representar um compromisso político-acadêmico para a condução, por um quadriênio, da maior Universidade do Amapá.

Diversos aspectos são importantes nesse momento. Por exemplo, é necessário compreender que estar à frente de uma universidade requer gestão democrática onde todos são responsáveis pela construção da Unifap, cada um a partir do seu lugar e de sua referência política e acadêmica. Uma candidatura ou gestão não significa desconstruir o OUTRO, pelo contrário, requer que se debata com o outro para mostrar onde estão as diferenças e que por isso há candidaturas próprias e independentes. Tenho muita preocupação com pessoas que se negam ao debate com os diferentes. Poderíamos conceituar esta postura como fascista. Ou seja, ao que concorda comigo, tudo, ao que discorda, torno-o invisível, nego-me a vê-lo, a conversar, a debater. Tal postura é uma fuga do debate. E quem tem medo do debate é porque não tem condições de estar à frente de uma Universidade Pública, cujo próprio nome revela: local da diversidade, universo, diferenças, local de construção do conhecimento a partir dos debates e das divergências.

O reitor, mais que qualquer outro na instituição deve ser capaz da convivência com o diferente, entender suas demandas, e agir sem impor autocrática, ditatorial e unilateralmente sua decisão. Exatamente por isso, espera-se que o próprio processo eleitoral seja democrático no sentido de permitir que as 3 categorias que representam o conjunto da comunidade acadêmica (alunos, professores e técnicos) tenham igualdade no poder de decisão na hora da votação para escolher seu Reitor e que o escolhido pela comunidade acadêmica seja legitimado pelo Consu e pelo Governo Federal. Espera-se acima de tudo que os candidatos assumam o compromisso de apenas assumir a reitoria caso seja o mais votado pela comunidade unifapiana. Qualquer decisão ou posição contrária a essas, os candidatos devem ser os primeiros a rechaçar.

O processo eleitoral se aproxima, os novos rumos serão indicados e, por isso, acreditamos que, apesar das enormes dificuldades, é possível (e necessário) sonhar e transpor limites e, sobretudo lutar pelas nossas crenças, convicções e opções político-acadêmicas.

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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