Em defesa de Cuba
No último mês, defensores do chamado capitalismo moderno caíram “de pau” em cima da ilha comunista de Fidel Castro. E aqui irá se fazer um contraponto divergente dos diversos paladinos da sociedade burguesa, os quais sempre lançam mão de subjetivos para justificar e defender seus interesses, entre tais como a moral, a ética; a democracia e o que é doce em suas bocas a “liberdade de expressão”. Entre eles estão os defensores do capitalismo selvagem e os “pit buls” da classe conservadora brasileira. Mas será que estão corretos os asseclas da sociedade de consumo? E que a sociedade Cubana está na contra mão da chamada globalização de mercado que alija milhões às margens de uma sociedade desigual? Nesse aspecto o gene egoísta deve prevalecer sobre os interesses coletivos?
O histórico das sociedades comunistas perpassa por Marx, ele acreditava que o futuro comunista dependia do desprendimento de rupturas com elites em um país exacerbadamente industrializado e rico. E acredita-se que a desgraça do comunismo [real] foi ter iniciado em um país pobre e totalmente agrário. E é bom sempre mencionar outro fato marcante para se fazer um paralelo entre rupturas de dois “primos”, o pobre e o rico, em suas diferentes épocas nas suas sociedades internas e vê o grau de sucesso alcançado em ambos: A revolução Russa e a Revolução Francesa. Mas por que discorrer sobre isto agora? Para vê os ataques a Cuba por aqueles doutro lado [dos ricos], que não se contentam com o sucesso da totalidade das massas Cubanas em diversos aspectos e níveis sociais elevados e, em muitos casos, até mais que os países que são potências mundiais.
Entretanto nos dois casos são notadas as discrepâncias diferenciadas. E é de fácil compreensão, que se torna uma quimera um rico persuadir um pobre. Aconteceu com a Rússia no inicio do século passado e, para não cair diante da persuasão dos capitais dos grandes da Europa, se fechou. Dessa maneira, via a possibilidade de auto-sustentar o regime. E ações ditatoriais eram necessárias, pois passava por uma questão de sobrevivência diante dos países ricos europeus, que viam ali um foco desestabilizador e uma ameaça ao sistema burguês capitalista. A Revolução Francesa, em outra época, foi diferente, e, torna-se difícil um rico persuadir outro também rico. A luta de braço é igual e dificilmente se vê um vencedor. Aconteceu nesta Revolução e o sucesso desta é visível nos dias atuais, em todo caso, a velha República romana, através dos franceses, prosperou nos diversos cantos do mundo. Mas se Cuba é costumeiramente definido como um país pobre, e em certos aspectos é, por que ainda não caiu diante dos grandes, ou do maior deles, os Estados Unidos? Ações de todo o tipo, incluindo a terrorista, foi posta para derrubar o comunismo na ilha. Mas acredita-se que não caiu - espera-se que nunca venha a cair - por um fato que passa pela geografia do país, justamente por ser ela uma ilha. Suas fronteiras são em sua totalidade circuncidada por mares. O que torna difícil a persuasão do capital através de suas fronteiras aquáticas. Porém...
Porém, se o contrário fosse, certamente, estaria em voga naquela ilha o mesmo capitalismo totalitário, do mercado sugador de ações sociais. E aí sim os paladinos da liberdade de expressão estariam calados se algum fato ocorresse em detrimento da pessoa humana, como acontece em alguns países e nada se fala sobre.
Os mesmos que atacam a ilha comunista será que teriam a mesma postura se a mesma fosse hoje capitalista, e se algum cidadão cubano morresse de fome em decorrência de tais políticas obscurantista? Ou é moral cerca de 70 milhões de brasileiros que aleatoriamente passam fome e nada se fala? É ético nesse país o devaneio político de corrupção de Jose Sarney e nada acontecer a ele? É democrático as leis nesse país serem pesadas apenas para aqueles desprovidos de bens materiais e capitais? Trata-se de liberdade de expressão o grande partido da mídia golpista “inculcar” nos desinformados sua ideologia rasteira em detrimento dos movimentos sociais democráticos?
Tenta se humanizar o capitalismo com políticas baratas através de bolsas de todo tipo, mas está na sua natureza desumanizar os cidadãos que se atrevem a questionar seu interesses. Atacam a falta de liberdade democrática e a falta de sua “liberdade de expressão” como se fosse objeto impar e que através dessa liberdade se teria todo dia um prato de comida para todo cidadão cubano. E, sobre isto, merece parágrafo a parte.
Quantas pessoas passam fome em cuba, ainda que apesar do bloqueio econômico? Nenhuma. E quantas passam fome no Brasil, por exemplo? Quantas crianças moram na rua em cuba? Nenhuma. E quantas crianças moram nas ruas no Brasil? Quantas crianças ficam sem educação ou sem escola em cuba? Nenhuma. E quantas no Brasil? Quantos cubanos ficam sem saúde [de primeiro mundo, diga-se]? Nenhuma. E no Brasil? Quantos cubanos sem teto ou sem terra há em cuba? Nenhum. E no Brasil? Quantos assaltos, a mão armada ou outro tipo de violência, há em Cuba todo ano? Nenhum. E no Brasil?
Questionamentos que passam despercebidos por aquele desinformado, mas por quem busca o conhecimento vê todas as respostas ser óbvia. Em tempo, por lembrança deste escriba, a frase resposta de Fidel a um questionamento de João Paulo II, o papa, quando da visita a Cuba no final da década de 80, sobre a abertura religiosa na ilha defendida pelo pontífice: “Sr. Papa, hoje, esta noite, dormirão mais de 200 milhões de crianças com fome nas ruas de todo o mundo, e vos digo com 100% de certeza que nenhuma é Cubana.”
O ataque que sofreu Cuba no final do último mês faz se analisar sobre o gene egoísta humano, um caso isolado, ativista morreu numa suposta greve de fome, o que despertou a fúria dos media capitalistas brasileiros a denegrir os louros da Revolução Cubana nesses 50 anos. E sobre isto, fazem-se os questionamentos: se colocassem em um paredão uma criança e um ativista “velhaco” para serem sacrificados em nome da dita “liberdade de expressão”, quem morreria? O ativista, talvez por ser de mais idade. Dez crianças e o gene egoísta humano? Este seria sacrificado. Se mil crianças e um político pro - capitalismo em um paredão? Obviamente o último tinha de ser sacrificado. Se um milhão de crianças e um desvairado político reformista... Aonde se quer chegar com esses argumentos? Que é possível sacrificar um ou um punhado de egoístas ativistas transloucados por tantas, mas tantas vidas salvas pelo sistema, pelo governo, pela tecnologia, pela ciência, pela solidariedade e pela cultura Cubana.
Mas se poderia dizer que, se você acha Cuba uma beleza, então, por que não ir para lá? Essa pergunta capciosa não vem ao caso. O que se tenta mudar aqui é a cultura frente ao egoísmo humano e o consumismo desenfreado. Claro, qualquer pessoa que viva em uma sociedade de consumo, como a nossa, irá estranhar, pois a cultura se eivou em sua formação cerebral quando criança. Sendo difícil readaptá-la a uma cultura totalmente “hostil” ao modo de sociedade consumista em que vivemos. Isto sem levar em conta, nesta analise, a relação indissociável entre esta sociedade capitalista e a destruição ambiental.
Portanto Cuba deve ser enaltecida, engrandecida e congratulada, pois é uma sociedade diferenciada culturalmente, que sobreleva, sobretudo, o ser humano frente a outros aspectos materiais, onde a tecnologia, a ciência e a solidariedade então sempre a serviço dos seus cidadãos. E diferentemente se vê em outras sociedades, como por exemplo, o Brasil, onde há uma infinidade de casos em que o cidadão bate nas portas de clinicas especializadas ou morre nas portas dos hospitais em vista de não terem recursos financeiros para tal. Um claro antagonismo com a sociedade cubana, nesse tipo de sociedade [brasileira] o que importa não é a vida e sim bens de natureza material [se não tiver dinheiro, morre], onde só tem acesso a ciência e a tecnologia que for bem abastado financeiramente.
E enfim, para aqueles que dão significado elevado a casos isolados, levem em conta o que realmente a Revolução proporciona ao povo Cubano. Veja o grande disparate das vantagens sociais em relação às coisas menores e sem importância. Veja que em Cuba – e não existem em lugar nenhum - os meios de produção, a economia; a política; a tecnologia; a ciência; a solidariedade e o social são fatores que sempre estão na agenda da sociedade daquele país em favor de qualquer cidadão. E viva Cuba sempre!
*Tecnólogo e Professor da Escola Augusto Antunes/STN
Graduado em Matemática e Especialista em Física
Escreve no Blog http://www.nezimarborges.blogspot.com
borges@unifap.br
*Publicado por Nezimar Borges
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