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Entrevista do candidato ao Governo Camilo Capiberibe no SBT

Local: Macapá, 30 de junho de 2007
Fonte:Notícias Daqui
Link: http://www.lucianacapiberibe.com/

O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) do Amapá iniciou nesta segunda-feira, 31, uma rodada de entrevistas realizadas pelos jornalistas Ricardo Medeiros e Bernadete Farias, com os pré-candidatos ao governo do Estado do Amapá. No dia de hoje, 31, foi à vez do pré-candidato do Partido Socialista Brasileiro do Amapá, deputado estadual Camilo Capiberibe de expor durante 10 minutos suas idéias para governar o Estado. Confira:

Bernadete Farias- Na última reunião da Executiva do PSB seu nome foi referendado para ser pré-candidato do partido ao governo do Estado, como estão as conversações neste sentido?

Camilo Capiberibe – O PSB é o maior partido de oposição do Estado do Amapá. Nós tínhamos até esse momento uma situação em que as três candidaturas representavam o mesmo espectro político e havia uma cobrança não apenas sobre o PSB, mas também nos partidos que representam esse campo político, de que houvesse uma candidatura. Então na segunda-feira passada o Partido dos Trabalhadores decidiu romper com o governo do estado e definir como aliança prioritária o nosso partido, porque o nosso partido traz condições de aliança, pois é preciso ter uma aliança para enfrentar uma eleição. Então o PSB decidiu lançar o meu nome numa reunião da executiva como pré-candidato e avançar nas negociações de composição de uma ampla frente não de oposição, uma ampla frente de partidos que querem mudar o estado do Amapá.

Ricardo Medeiros - Quais as perspectivas em relação à saúde?

Camilo Capiberibe – O PSB é conhecido fortemente pela área social e particularmente pela saúde. Na época do governo do PSB a maternidade Mãe Luzia não era má notícia, era boa notícia, era premiada, era um exemplo para o Brasil inteiro, então a população sabe que nós temos a competência para cuidar da saúde. Agora veja, a saúde precisa que o dinheiro que está constitucionalmente garantido seja bem aplicado. Vou dar só dois exemplos rápidos, nós temos o hospital metropolitano, que vai ser administrado pelo governo do Estado e eu quero dizer que o PSB tem muita competência pra botar aquele hospital para trabalhar para o povo, seja ele um hospital regional, seja ele um hospital do Câncer. Nós temos em Santana a construção de um hospital que está paralisada há dois, três anos, com a capacidade para 100 leitos em Santana dos quais 40 são pra maternidade. Então veja, se você avançar com essas obras lá em Santana que é recurso federal e aqui também, basta à gente aplicar corretamente o recurso, valorizar o trabalhador e cobrar que a saúde muda. Por que não muda hoje? Porque não é prioridade, com o PSB saúde foi prioridade, é prioridade, e vai continuar sendo.

Bernadete Farias– Deputado, na área da educação quais são as prioridades do PSB?

Camilo Capiberibe - Nós vimos aí na semana passada que foi mudado o nome de uma escola. Por que se muda o nome das escolas hoje? Porque não têm sido construídas escolas para suprir a demanda, nossa população cresce muito. Então nós temos que avançar na construção de novas escolas, que isso parou, senão nós não estaríamos mudando os nomes das escolas e precisamos investir na qualidade da educação. É preciso que a nossa educação volte a ser o que ela já foi um dia. Eu fui estudante da escola pública, estudei no Barão, estudei no GM e no Colégio Amapaense e passei no vestibular em São Paulo. Veja antigamente a gente estudava na escola pública, ia pra Belém do Pará passava em engenharia, passava em medicina, passava em todos esses cursos. Então, é preciso a gente resgatar a qualidade da educação, é preciso a gente garantir, por exemplo, a merenda, não tem mais merenda nas escolas porque a secretaria de educação está envolta em problemas de corrupção na gestão. Então é preciso haver prioridade na educação, aplicação correta do recurso público e valorização da qualidade com investimento em profissionais, assim a educação vai voltar a ser uma educação que vai orgulhar o povo do Amapá.

Ricardo Medeiros- Deputado, a gente também tem que falar sobre segurança pública. Quais são as perspectivas de investimento? Recentemente foi criada a polícia de fronteira, o que pode haver ainda de avanço com relação a sua gestão?

Camilo Capiberibe - A polícia de fronteira é um projeto específico pra fronteira, não resolve os problemas do dia-a-dia que nós estamos vivendo. Quando nós estávamos no governo - eu quero até dizer, nós não estamos olhando pro passado, nós estamos construindo algo de novo olhando para o futuro - existem experiências que foram feitas que são extremamente modernas, eu vou citar um exemplo: hoje está em grande debate a polícia de pacificação do Rio de Janeiro que tá resolvendo o problema da segurança nos morros. Isso nós fizemos aqui através da polícia interativa. Então veja, tínhamos polícia interativa nos bairros Araxá, Cidade Nova, Perpétuo Socorro, Pedrinhas e Igarapé da Fortaleza, esse projeto foi abandonado e hoje ele ressurge no Rio de Janeiro resolvendo um gravíssimo problema lá, então nós temos que resgatar essa política, e também eu que tive a oportunidade de participar da Conferência Nacional de Segurança Pública, tem um novo eixo, e qual é esse novo eixo pra conduzir a questão da segurança? É a integração. Veja nós inauguramos o Ciosp do Pacoval e qual é a idéia do CIOSP? É ser um centro integrado, ter lá o Ministério Público, a Justiça, a defensoria, ter a delegacia, ter todo mundo, é como uma CAP, o Super Fácil da Segurança Pública. Foi instalado lá, mas foi abandonado esse projeto. Por exemplo, nos Congós não funciona desse jeito, no Renascer tem um abandonado. Então veja, tem exemplos que nós implantamos que nós vamos aproveitar, mas nós temos que avançar muito mais. Tem que expandir o debate sobre segurança pública e desenvolver economicamente esse estado. A melhor maneira de combater a violência é dar oportunidade para a juventude que tá aí sem ter perspectiva e que tá cedendo à armadilha do destino, essa armadilha que condena nossa juventude a ocupar o Iapen, 70% das pessoas que estão no Iapen são jovens, isso é triste para o nosso Estado que perde essa ferramenta de desenvolvimento que é à força da nossa juventude.

Bernadete Farias– Então, nessa área de segurança pública, o sr. que faz parte da comissão de direitos humanos da Assembléia Legislativa, está normalmente no Iapen fazendo vistorias, o que a gente constata? Que o maior número de criminosos chegam até lá por assaltos, homicídios ou tráfico de drogas, ou seja, tudo isso está relacionado a uma segurança pública fragilizada?

Camilo Capiberibe - Com certeza, fragilizada porque demoliram as políticas que eram importantes. A polícia interativa é o que? É o policial que conhece o bairro que ele está policiando, que a população conhece ele e confia nele e que denuncia a ele, então tudo se resolve. Por exemplo, Pedrinhas e Araxá eram os bairros mais violentos da capital, com a implantação da policia interativa reduziu-se drasticamente a violência, então é tudo uma questão de vontade política. Segurança não está avançando porque não é prioridade, você não tem recursos para a policia militar, você não tem recursos para botar o combustível no carro, para pagamento, para armamento, para nada disso, o orçamento é muito pequeno, a decisão que o governador tem que tomar é de botar o recurso lá e dizer –nós vamos resolver! E bota o dinheiro lá para resolver. Dinheiro tem, orçamento de R$ 2,5 bilhões, não resolve porque não tem tido vontade política, nós sabemos que é possível resolver.

Ricardo Medeiros – Deputado, agora com relação a infra-estrutura, saneamento básico, são assuntos que levam a população a questionar qual seria a solução para reverter esse quadro porque o estado do Amapá é citado inclusive como um dos estados com os piores índices de infra-estrutura e saneamento básico.

Camilo Capiberibe – Veja, realizamos uma audiência pública no ano passado na Assembléia Legislativa. Levamos a Caixa Econômica Federal lá. O governo federal colocou R$ 110 milhões para água, saneamento, desenvolvimento administrativo da Companhia de Água, Esgoto e o governo Waldez não conseguiu gastar... Então veja: Quando foi lançado agora os projetos do PAC 2 o Amapá não foi incluído por que? Porque não conseguiu inaugurar nenhuma obra do PAC. A gente vê na televisão o presidente Lula viajando os estados para inaugurar e o Amapá não conseguiu. Existem técnicos competentes no Governo do Estado. O PSB pela experiência que tem, tem vários técnicos competentes para fazer os projetos e captar os recursos, são R$ 110milhões só para o governo, sem contar o PAC FUNASA que é distribuído pelos municípios. Vitória do Jarí a obra não anda, por que? Porque não tiveram a competência de fazer um modelo de licitação que permitisse a gestão da obra, então você sabendo fazer uma licitação, que é uma coisa básica, é seguir a lei, você tendo a vontade de aplicar corretamente o recurso público, nós podemos e eu acho que em 4 anos reverter completamente essa situação porque o governo federal quer investir. Governo Federal, governo Lula, o PSB é um partido da base, um partido que já declarou apoio à candidatura da Ministra Dilma Roussef. Nós, com essa proximidade do Governo Federal, nós temos total condições de executar o que já tem e de captar muito mais para resolver esses problemas.

Bernadete Farias – Deputado estamos há um minuto para encerrar a entrevista, então voltando às alianças partidárias, quais os partidos que já sinalizaram apoio a sua candidatura?

Camilo Capiberibe – O Partido dos Trabalhadores aprovou uma resolução de seu diretório estadual, ou seja, a instância máxima, dizendo que quer caminhar junto com o PSB, o Partido da Mobilização Nacional – PMN e nós estamos em busca de mais partidos, é preciso você estar aberto, o que o PSB quer fazer agora em 2010? Quer debater um projeto para toda a sociedade, não é para um setor ou para outro. É pro grande empresário, pro médio, pro pequeno, pro micro, é pra aquele excluído, é pra classe média, para o servidor público, enfim, um projeto para todos tem que estar aberto para agregar os partidos que querem construir sejam eles da base, sejam eles de fora da base, mas que estejam descontentes com essa situação triste que vive o nosso estado. Vamos pensar no Amapá do presente e num Amapá melhor para o futuro.

*Publicado por Nezimar Borges

 

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