Fica decretada a criação do SAPDPCDP
Todo trambiqueiro está autorizado a montar uma empresa, enganar quem quiser e depois pedir falência. Qualquer dirigente de clube, escola de samba, bloco carnavalesco, quadrilha junina, caixa escolar, associação de jogo de botão, mesmo não sendo desonesto, mas sendo incompetente, pode levar à bancarrota a entidade que dirige.
Quem estiver incluído em uma dessas categorias pode fazer dívidas à vontade que o SAPDPCDP - Sistema Amapaense de Pagamento de Dívidas Particulares Com Dinheiro Público assume a responsabilidade pelo calote. A sede dessa “instituição” fica na Rua General Rondon, entre as Avenidas FAB e Procópio Rola, bem em frente ao Tribunal de Justiça do Amapá. O Sistema é presidido pelo senhor Waldez Góes, que começou sua gestão anunciando o pagamento de uma dívida da CEA, questionada na Justiça.
Depois pagou as contas do Trem Desportivo Clube, do Independente Esporte Clube, liberando cem mil para uma desapropriação que não aconteceu e agora já garantiu que não vai deixar a Universidade de Samba Boêmios do Laguinho penhorada pela Justiça. Tudo com dinheiro público. No caso da sede do Trem, o SAPDPCDP vai ter que pagar mais R$ 300 mil para o dono do imóvel, de acordo com a mais recente avaliação feita pela Justiça.
Resta saber se esse dinheiro todo que vem sendo derramado sobre instituições privadas, não dá para garantir também as contas dos cidadãos que fazem dívidas com a compra de medicamentos para a família ou são obrigados a ter plano de saúde privado, ou a colocar seus filhos em escolas privadas pela precariedade da saúde e do ensino público.
*Publicado por Nezimar Borges
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