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Mino Carta denuncia volta da Marcha da Família com Deus

30/07/2007

http://cafenapolitica.blog.br/blog/

O diretor-de-redação da revista Carta Capital, Mino Carta, denuncia em seu blog , o retorno da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, movimento de cunho moralista e altamente financiado pela CIA, multinaconais e grandes empresas brasileiras e insuflado pela mídia, essencial no processo de derrubada do governo constitucionalista de João Goulart, pelos militares, em 1964. Com o terço na mão e acolitadas por padres e pastores americanos, senhoras da alta sociedade puxavam passeatas-monstro pelas grandes cidades, pregando a queda do "demônio" Goulart. Diz o jornalista: " Estamos às vésperas do retorno da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade. Agora passa a se chamar Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Trata-se de uma fórmula mais elaborada, mais complexa, mas os objetivos são os mesmos. O movimento foi lançado pela OAB de São Paulo, e conta com o respaldo de figuras importantes da Fiesp e da Associação Comercial paulista, e com a divulgação de televisões e rádios, por ora não melhor especificadas. "A idéia inicial faísca no escritório de João Dória Jr., o Iconoclasta Mor, aquele que destruiu a pauladas o monumento dedicado a Cláudio Abramo, o grande jornalista, em uma pracinha do Jardim Europa. Ali desceu o Espírito Santo, e iluminou os primeiros carbonários da grana, unidos em torno do slogan: Cansei. Uma campanha publicitária, oferecida de graça por Nizan Guanaes, gênio da propaganda nativa de inolvidável extração tucana, mais badalado entre nós do que George Clooney no resto do mundo, insistirá em peças destinadas a expor o pensamento dos graúdos envolvidos: “cansei do caos aéreo”, “cansei de bala perdida”, “cansei de pagar tantos impostos”. "É do conhecimento até do mundo mineral a quem esses valentes senhores atribuem a culpa por os males que denunciam: nem é ao governo como um todo, e sim ao Lula, invasor bárbaro de uma área reservada aos doutores. Mas o presidente da OAB paulista, certo D’Urso, diz que o movimento não tem conotação política. Enquanto isso, às sorrelfas, o pessoal pede instruções aos mestres. Alguns ligam para Fernando Henrique Cardoso, outros para José Serra. São os derradeiros retoques da tucanização da elite brasileira, a mesma que sentou-se em cima de um tesouro chamado Brasil e só cuidou de predá-lo, com os resultados conhecidos. Incompetência generalizada, recorde mundial em má distribuição de renda, baixo crescimento, educação e saúde descuradas até o limite do crime, miséria da maioria etc. etc. Acorda Lula, chama o teu povo.

 

CONTRA PONTO DE CHICO BRUNO

1964 x 2007

Será que existe diferença entre a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, de 1964 e o “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”, de hoje?

Muita gente já está respondendo que não. Entre eles, o jornalista Mino Carta, que compara um movimento ao outro e não enxerga nenhuma diferença. O problema é que, hoje em dia, pouca gente sabe o que foi a “Marcha da Família”, haja vista, que a história mais recente do Brasil é muito pouco difundida.

Como o Mino, comparou, mas não historiou a tal “Marcha da Família” decidi relembra-la. Tinha à época 16 anos, estudava em um colégio católico de classe média do Rio de Janeiro, portanto fui tentado a aderir ao movimento, mas resisti, pois jogava no time dos apoiadores de João Goulart.

Mas vamos a história:

A “Marcha” foi um movimento criado, no início de 1964 pelo padre estadunidense Patrick Peyton, em contraposição as medidas que vinham sendo adotadas pelo governo João Goulart. O padre, criador do "Terço em Família", foi enviado ao Brasil pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para congregar setores da classe média, temerosos do "perigo comunista" e favoráveis à deposição do presidente Jango. 

A primeira marcha foi realizada em 19 de março de 1964 em São Paulo, como resposta ao comício popular da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, realizado em 13 de março de 1964, durante, o qual, o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. O principal articulador desta marcha foi o deputado Antônio Sílvio da Cunha Bueno, apoiado pelo governador Ademar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor de Barros e reuniu, segundo seus organizadores, trezentas mil pessoas.

A “Marcha” foi preparada com o auxílio da Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), da União Cívica Feminina, da Fraterna Amizade Urbana e Rural, entre outras entidades, com o apoio das classes produtoras do estado, através da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. O manifesto de convocação contou com a assinatura de 30 entidades lideradas pelo Conselho de Entidades Democráticas, representado por André Faria Pereira. O jornal O Estado de São Paulo apoiou a “Marcha”, que contou com a participação do governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda. A marcha saiu da praça da República e terminou na praça da Sé, com uma missa "pela salvação da democracia". Durante o trajeto foi distribuído o Manifesto ao povo do Brasil, convocando a população a reagir contra Goulart.

A iniciativa da “Marcha da Família” repetiu-se em outras capitais, mas já após a tomada do poder pelos militares, o que as tornou conhecidas como "Marchas da Vitória". No Rio de Janeiro, articulada pela Camde, levou às ruas cerca de um milhão de pessoas no dia 2 de abril de 1964.

Para refrescar a memória, me vali dos verbetes da Fundação Getúlio Vargas, principalmente por que não quero ser imparcial. 

Pois bem, agora surgiu o “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”. Lançado pela OAB de São Paulo, com o apoio de membros da Fiesp e da Associação Comercial de São Paulo e coordenada pelo jornalista e publicitário João Dória Jr., organizador de um fórum anual de empresários pesos-pesado, na Ilha de Comandatuba, no sul da Bahia.

Conta com o apoio do publicitário Nizan Guanaes, que criou o slogan “Cansei” e uma campanha publicitária com peças com os títulos: “cansei do caos aéreo”, “cansei de bala perdida”, “cansei de pagar tantos impostos”, entre outros.

Será que os dois movimentos são iguais? Ao meu ver não. O de 1964 contava com o apoio da igreja, dos militares e tinha um apelo, que à época, assustava o povo: “o perigo do comunismo”.

O tal “Cansei” não conta com o apoio da Igreja, dos militares e não tem um apelo popular que possa virar a cabeça do povão. É um movimento do topo da pirâmide social brasileira instalada em São Paulo, apenas isso, mas nada.

O raciocínio do Mino e o meu em relação ao “Cansei” é o mesmo, apenas discordamos da comparação entre 1964 e 2007.

E você o que acha disso?  

 

*Publicado por Nezimar Borges

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