Nada vai mudar
Estamos perto das onze da manhã desta terça-feira, 20, quando termino o giro que faço pelos sites e blogs, principalmente os que tratam dos assuntos da Amazônia e do Amapá. Li alguns comentários que arrepiam a democracia, deixando claro o tipo de comportamento que fez o Amapá e o Brasil descerem aos mais baixos níveis de degradação moral, chegando ao lençol de lama que recobre o fundo do poço da democracia.
Hoje é o dia do julgamento de mais um recurso do prefeito de Macapá, Roberto Góes, contra uma decisão do juiz Marconi Pimenta que cassou pela quinta vez, o diploma obtido em uma eleição reconhecidamente corrompida, o que pode ser comprovado por quatro decisões de juízes do TRE, cassando o diploma do prefeito.
Escolhi o comentário postado no blog Repiquete no meio do mundo, feito por uma mulher que admite a necessidade do cumprimento das leis, mas entende que o prefeito Roberto Góes deve continuar por estar fazendo um bom trabalho. O comentário concorda com a existência de crimes eleitorais, sugerindo a impunidade diante do que a Prefeitura vem fazendo. É o retrato “cuspido e lambido” de uma grande fatia do eleitorado brasileiro, que já nos deu uma geração de políticos viciados eleitos pela corrupção e protegidos pelos tribunais.
No caso presente não está em jogo os acertos ou erros cometidos pelo prefeito no comando das PMM: o que está em jogo é a cassação do diploma dele. O prefeito de Macapá vai ser julgado por crimes eleitorais que possa ter cometido, e deve ser condenado se esses crimes restarem confirmados, independente do que virá a acontecer depois, seja a posse de quem realmente ganhou a eleição, ou a eleição de um novo prefeito através de uma nova votação.
Sobre o julgamento do recurso, é difícil acreditar que a lei eleitoral seja respeitada. É clara a existência, no Tribunal, de uma tendência à não condenação de políticos que integram a cúpula do grupo que manda no Amapá de hoje. É muito estranho, porque são quatro cassações em primeira instância, em sentenças prolatadas por juízes diferentes, e acima de qualquer suspeita. Assim, Roberto Góes deve ter o recurso aceito pelo TRE, e outro resultado, que não esse, surpreenderá quem conhece um pouco da relação entre o poder político e o comando da Justiça no Estado.
*Publicado por Nezimar Borges
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