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Nogueira, a esquerda e o Judiciário

Local: Santana, Ap, 22/12/2009
Fonte: Por Heverson Castro
Link: http://www.heversoncastro.blogspot.com

Essa semana a imprensa governista comemorou a condenação do prefeito Nogueira no TJAP, devido ao processo armado pelo procurador da república Manoel Pastana.

Sabemos que essa ação orquestrada, pelo na época procurador do Amapá, tem uma grave conotação política e viés eleitoral, o que só demonstra que nossas instituições judiciais não estão isentas de interesses de grupos de poder e principalmente da direita conservadora local.

A tentativa de criminalizar a imagem de Nogueira por parte de Pastana se deu em um momento conturbado de disputa eleitoral, onde estava em jogo a eleição de um governador altamente comprometido com os setores oligárquicos e a elite judiciária do estado.

Manoel Pastana mostrou claramente que a sua ação política em 2002 tinha lado na disputa eleitoral. Pastana se comportou mais como um “cão de guarda” das elites, fazendo investidas pesadas contra lideranças políticas ditas de esquerda, tais como João Capiberibe (Capi), Dalva Figueiredo e Antonio Nogueira, esse último até hoje é o principal alvo das armações de Pastana.

Toda a imprensa golpista soltou fogos, estampando nas primeiras capas dos jornalões locais. Quem mais comemorou foi o Diário do Amapá, veículo de defesa dos interesses do coronel eletrônico, Gilvam Borges (PMDB-AP).

Por que a imprensa sarneyzista enfocou que Nogueira foi condenado a oitos anos de prisão?

O povo desconfia que ultimamente, Sarney andou metendo o dedo em algumas ações judiciais contra políticos que não são alinhados com seu grupo de poder no estado ou que ousam bater de frente com seus interesses. É só observar o dedo do judiciário as vésperas de uma eleição interna do PT, enfocando uma ação para desgastar Nogueira na disputa interna do seu partido. Os jornalões emplacaram na investida contra a ameaça aos interesses de Sarney dentro do PT, que hoje é vista na figura de Antônio Nogueira e não mediram esforços em desgastá-lo.

A harmonia criminosa e a ala Sarneyzista do PT estavam com medo de uma possível vitória do grupo petista que defendia uma ação mais independente do PT em relação aos governistas.

Alguém já se perguntou o porquê de depois de um ano, contra o parecer do Ministério Público, um juiz cassou o mandato de prefeito de Nogueira, uma verdadeira aberração judicial. Não esqueçamos que o juiz cassou Nogueira e se mudou de Santana três dias antes das eleições internas do PT, como fez em 2008, as vésperas de um pleito eleitoral.

Mas voltando ao assunto, que diz respeito ao processo denominado, “escândalos das carteiras”. A ação do judiciário nesse processo foi totalmente contraditória e duvidosa, pois coloca em risco a já pouca credibilidade das instituições judiciais em nosso país, onde apenas 1% do povo confia no Judiciário brasileiro.

O cão de guarda da direita, Manoel Pastana, foi tão incisivo em sua investida contra o PT em 2002, que rolou no processo exatamente 13 pessoas, que supostamente encamparam o esquema das carteiras. Por que será 13 pessoas? 13 é o numero do PT, que estava no auge da onda Lula e levou Dalva para o segundo turno nas eleições, que elegeram o torneiro mecânico presidente da república.

Pastana foi denunciado por Dalva e Nogueira, onde é acusado de tomar posições que iam de encontro aos interesses republicanos da instituição que ele fazia parte. Nesse mesmo período, posterior ao processo eleitoral de 2002, Nogueira é cassado pelo TRE-AP, baseado nas acusações de Pastana.

Logo em seguida o procurador é transferido do Amapá para o Rio Grande do Sul, acusado e suspeito de cometer diversas irregularidades em sua atuação, o que lhe rendeu alguns processos.

Baseado nessas acusações contra Pastana e na politização da procuradoria nas ações eleitorais, o TSE concede liminar à Nogueira para que o mesmo permaneça no cargo deputado federal.

Quero lembrar esses fatos aos nossos leitores, por conta de que andei observado, que recentemente nossas instituições judiciais inocentam apenas os políticos atrelados ao grupo de poder de Sarney e Waldez, e condena que ousa bater de frente com seus interesses políticos. Por que será que isso acontece no Amapá?

Essas e outras perguntas tentarei responder em outro momento.

 

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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