O PSOL e a encruzilhada da esquerda no amapá
Neste Sábado, 27/03, o PSOL – Partido Socialismo e Liberdade, realizou plenária para definir as diretrizes de alianças nas eleições vindouras de 2010. Estive lá e os debates, tensos, nervosos e calorosos deram-se em torno da futura aliança entre o PSOL e o candidato ao governo pelo PTB, Lucas Barreto. Randolfe Rodrigues e Clecio Luis defenderam suas posições a favor de alianças para se alcançar o objetivo principal, o qual é eleger Rodrigues para o senado.

.Foto: Heverson Castro
O grupo de Dorinaldo Malafaia rebatia com argumentos e com convicção essa aliança com o PTB-AP de Lucas e Sarney. Essa posição, da futura aliança com o PTB, encontra fortes resistências dentro do partido, pois Lucas Barreto “nada mais é uma extensão de Sarney no Amapa” como afirmei na nervosa fala diante da militância Socialista. Talvez porque vejo a esfacelamento da esquerda amapaense diante do quadro, a divisão entre o PSOL, PSB e outros menores. Isso é muito ruim para o futuro do Amapá, pois com a aliança com Lucas Barreto, fica difícil a esquerda retomar o governo do estado. E o que é pior, a continuidade das políticas nada publicas ditadas por Jose Sarney, pois como se sabe, Lucas Barreto foi pego pela mídia nacional pendurado em ato secreto de Sarney no senado federal.
E essa aliança é vista com muita preocupação por todos os socialistas, pois ao mesmo tempo em que se esfacela a frente pela mudança, ainda corrobora para os interesses de Sarney no estado, criando dificuldades para militância engajada, que embora seja fácil fazer campanha para Rondolfe, que é natural e voluntaria, mas não é tão cômoda pedir voto para um dos candidatos da harmonia de Sarney, Lucas Barreto. E, apesar de Rodrigues dizer que sua candidatura não compromete a outra candidatura de outro socialista ao senado, Joao Capiberibe do PSB, o que se vê é que fica difícil para Capibaribe e Randolfe disputarem o mesmo perfil de eleitor, pois isso obrigaria, a qualquer custo, o PSB fazer qualquer aliança fisiológica com qualquer partido, pois isso passa por uma questão de sobrevivência política e que não é descartada essa junção tanto com Amanajás ou com outro que, até pouco tempo seria impossível, a aliança do PSB com o PMDB de Gilvam.Mas como este último é aliado incondicional de Sarney, o que frustra quaisquer alianças entre os dois antigos rivais.
O que se pode desprender de tal aliança PSOL-PTB é que facilita consideravelmente a eleição de Randolfe Rodrigues. Este tem votos em demasia em quase toda, para não dizer todas as searas políticas, sendo em alguns casos o primeiro voto para senado, e em diversos casos, o segundo voto. O que elevaria consideravelmente a ser o mais votado, obrigando os que possuem rejeição como Waldez, Capiberibe e ainda Gilvan, disputarem o segundo lugar. É uma situação difícil, e o que vai definir as alianças, ficando mais claro essas possibilidades, é a possível divisão da harmonia com a saída de Waldez Góes. É só aguardar e vê o que se segue.
Nezimar Borges - Tecnólogo e professor
*Publicado por Nezimar Borges
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