O "nosso" oligarca e a questão indígena
A colonização do novo mundo, um marco e um divisor de água no tempo para os povos que aqui se faziam completamente inserida no meio natural, os quais faziam parte de uma harmonia em vias de mão dupla: indígenas e natureza se locupletavam em vida e, se subsistiam, especialmente os indígenas que, nesta relação, como filhos, figuravam com a mãe natureza, uma relação de matriarcado. Tão próxima e dependente era a relação entre esses povos e sua grande mãe natureza. Uma relação, sim, civiliza-tória que em muito se distância da relação do homem moderno com esta mesma mãe natureza. Aqui nem o homem e tão pouco a natureza se subsistem, pois assim como o ser deteriora a natureza, ele naturalmente, está na contramão se sua própria subsistência. Assim, do encontro com a “civilidade” moderna, os povos indígenas tornaram tão vulneráveis diante do egoísmo do homem branco que o subjugando-se, involuntariamente, diante da modernidade, este povo viu se, quase que totalmente, dizimado e extinto do seu meio natural. Para se ter uma idéia, por hora deste divisor de águas, existia supostamente cinco milhões de indígenas donos destas terras. E hoje não se sabe aproximadamente quantos resistem à fúria intermitente do homem branco: duzentos mil, cem mil ou cinqüenta mil índios sobreviventes?
É difícil não pensar, quando se escreve sobre nossos irmãos indígenas, sobre a dívida histórica que se têm com este povo. E que essa dívida têm de ser colocada a mesa quando se está diante de impasses que passam, necessariamente, pela sobrevivência de poucos que ainda resistem. Várias situações sobre, nestes últimos meses, envolvendo índios mostram os grandes empecilhos à sua sobrevivência. Casos que devam ser analisados um pouco mais adiante. Pois partir de agora, do fato do transcrito do oligarca maranhense para o jornal Folha de S. Paulo sobre a questão indígena, onde discorre sobre impasses relacionados aos índios brasileiros, suas faces e “problemas” que têm causado a este governo que este oligarca subscreve. A noticiar sobre uma tribo não “civilizada” encontrada no sul do Acre. Mais o importante a se noticiar que, é feliz a tribo que ainda não se encontrou com nossa civilização, pois caso se depare com essa situação, é previsível o deslumbre e o vislumbre por trás de tal “achado”. Diante destes povos desconhecidos, será previsível, também, o seu futuro.
A saber, se o governo Lula tem ou não uma política indigenista, o oligarca na dúvida de dentro deste governo não sabe se sim ou se não. Se isto acontece e como se percebe, este governo não tem uma política para a minoria indígena. Os fatos para essa conclusão residem nos problemas encontrados por essa minoria para que a lei seja cumprida em relação às reservas e delimitações das terras indígenas.
Deixe-se a demagogia de lado, e, a verificar a que interesses o oligarca maranhense serve. O seu nome já foi cunhado de lacaio do império e, portanto servidor-garçom da direita brasileira. Nesta questão é preciso delimitar e classificar sua postura, por exemplo, na questão do impasse dos índios na reserva Raposa Terra do Sol em Roraima. É preciso, também, analisar que, o que este demagogo fala é uma postura e suas ações, na pratica, é outra totalmente divergente. Portanto é importante neste momento se fazer uma análise crítica sobre as diferentes representações e posturas políticas das ações na prática das alas divergente: direita e esquerda. Isto posto, para se mostrar o aspecto peculiar da verdadeira face do oligarca diante de tais problemas enfrentado pelos nossos irmãos indígenas. Veja, políticos de declinações esquerdistas tem grande desvantagem junto a massa, de trabalhar contra o senso comum, aquela que está na vista de todos e que é sempre de facil compreensão, pois a ordem está completa e é difícil trabalhar o contrário, crítico da situação vigente, e a ojeriza quase sempre em relação a mudanças, além desses políticos, em minoria no Brasil, serem críticos às posturas capitalistas, anti-mercado liberalizado e portanto anti-liberalismo e pró-populaçao. Estes em ano de eleições não compram votos e tentam sim persuadir através da consciência crítica seus eleitores a votarem em si. Na contramão estão os políticos de direita, estes têm a favor de si a ordem clara e evidente do que está na vista de todos e de fácil compreensão. Para estes o capital e lucro têm de sobrelevar sobre os seres humanos e, sobretudo e sobre todos. Sempre compram votos em eleição. Para eles é facil convencer a manutenção do “status quo”, pois é o que se conhece é o que se pode ver e é facil convencer. E por que discorrer sobre isso agora?
Para se ver a face do oligarca maranhense diante dos impasses enfrentados pelos indígenas na reserva Raposa Terra do Sol. O que está em jogo naquela região é o avanço do capital sobre terras intocáveis. Reservas criadas por lei. O qual o capital e o lucro não podem avançar, pois essas terras não podem servir de especulação financeira. E que por lei não podem ser invadidas e principalmente, não podem ser comercializadas pelos fazendeiros, além claro, de não serem usadas para o agro-negócio. Daí o impasse, a invasão a revés da lei por pequenos grupos de empresários e latifundiários que sustentam a oligarquia tão bem representada por seu ícone, o oligarca maranhense.
A finalizar, só se viu um governo na Amazônia comprometido culturalmente e socialmente humanista, com uma política indigenista bem definida para essa minoria nesta região, trata-se do Programa do Desenvolvimento Sustentável do Amapá. Em que, para se ter uma idéia, patriarcas indígenas eram tratados como chefes de estado. Isto aconteceu no governo do Amapá de 1995 a 2002 através de um Programa que valorizava os indígenas em todos seus aspectos: humano, social, cultural e político.
*Publicado por Nezimar Borges
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