O "nosso" oligarca e o Paraguai
Na América latina há uma corrente de pensamento político comparada somente aos anos 60. A gênese desse pensamento está fincada nas fracassadas políticas neoliberais que foram adotadas por esses estados. O começo da ruptura com as políticas neoliberais começou com a eleição de Hugo Chaves em 1999 na Venezuela. Depois veio a eleição Evo Morales na Bolívia; Rafael Corrêa no Equador; Daniel Ortega na Nicarágua e agora Fernando Lugo no Paraguai. Além do rompimento do governo Argentino com as políticas obscurantistas do FMI e do Banco Mundial. Todos adeptos de políticas justo-nacionalistas e humanistas. Esses mencionados são comprometidos com as classes que sempre foram alijadas do processo político e social nas últimas décadas. É um processo de transição que preocupa as elites, pois o efeito é contaminador, ou seja, é o chamado efeito dominó. Mas estaremos a debruçar sobre os últimos acontecimentos, os quais vieram à tona com a eleição do ex-bispo católico. Este, defensor da corrente da Teologia da Libertação dos pobres, eleito nas últimas eleições do Paraguai. Corrente esta, desvenda (os olhos) dos pobres para a situação presente os quais passa necessariamente, para uma melhora, a médio prazo, por políticas socialistas comprometidas com a classe operaria e, sobretudo mais ênfase ao bem estar social do homem – sociedade – meio ambiente.
A se falar em políticas justo-nacionalistas, o Paraguai tem chamado a atenção da mídia e de representantes demagogos da direita brasileira. Veja o que diz o oligarca maranhense em seu letrado artigo de hoje para a Folha de São Paulo (ler abaixo). Veja como começa: “Torci pela vitória do ex-bispo Lugo” e “a alternância de poder é um aprofundamento da democracia”. Você caro leitor, pode imaginar que o oligarca também torceu pela reeleição de Hugo Chaves na Venezuela em 2006, ou torceu pela eleição do índio Evo Morales na Bolívia; ou de Rafael Corrêa; ou ainda, com a eleição de Ortega? Pois estes defendem políticas parecidas com as que Lugo sempre defendeu durante toda a campanha a presidente. E estas políticas ameaçam interesses defendidos pelo oligarca maranhense. Como sempre, ele tenta posar de estadista em questões internacionais, quando sabemos do seu servilismo a tudo que representa ameaça a “soberania” estadunidense no quintal latino. Ou a sua preocupação ser referente ao fortalecimento, unidade e proximidade das esquerdas no continente. Eles, a direita servil, sempre menciona que a democracia passa, necessariamente, por alternância de poder. Se assim fosse, os anos de chumbo seria uma maravilha democrática. Pois, como se sabe, entre os militares havia a alternância de poder que tanto o oligarca menciona.
Nesse aspecto, ao invés de tanto discutir clima, aquecimento global; petróleo; energia; meio ambiente; terrorismo... Porque não se discutir a democracia? Ela representa necessariamente, o bem estar social das massas populares?. Coloca-se e tira-se governantes por meio do sufrágio sempre pensando que o nosso representante da ora, irá beneficiar as massas, pois foram elas que colocaram o governante no poder. Mas quando se chega ao poder, vejamos quem é que manda nas diretrizes do dito governo popular e “democrático” em detrimento da vontade democrática das massas, quem manda?: O mercado de capitais, o poder econômico. Esta democracia (com o “d” maiúsculo) na verdade, só funciona para o poder econômico. Logo que se chega ao poder, as massas são alijadas e ai entra mídia para apaziguar as vontades populares e a criminalizar movimentos sociais. Então é do lado dessa democracia que está o oligarca da ora. Doutro está a verdadeira Democracia defendida por aqueles já mencionados.
Apesar de o Brasil ter um governo 100% neoliberal, ainda assim, têm um representante na direção deste governo que veio das classes populares. E é preciso insurgir neste presidente vontades aos apelos do presidente paraguaio por justiça com seu povo. De rever questões que a direita, lá, subjugou sua população durante os 60 anos a esta situação deplorável do presente. Há de se mencionar que temos, ao contrario do que diz o oligarca maranhense, uma divida histórica com nossos irmãos paraguaios, pois o Paraguai, em meados do século dezenove era uma potencia econômica industrial, era aponta de lança do desenvolvimento na América do Sul e uma grave ameaça aos interesses do império de então: O império Britânico. A guerra serviu, também, para satisfazer a vontade dos ingleses. Foram eles que mais usufruíram ganhos impressionantes com o conflito. E depois da guerra o Paraguai nunca mais foi o mesmo. Nunca se recuperou até então. E a esperança está no ex-bispo socialista Fernando Lugo de recuperar em parte os anseios por qualidade de vida decente para seu povo.
Portanto, não custará muito a população brasileira, o governo a se sentar a mesa, não para rever o contrato da usina de Itaipu, mas rever o pagamento do megawatts/hora fora de mercado da binacional oferecida ao povo paraguaio. Desta forma, acreditamos que o Brasil estará a consolidar os entrelaço de solidariedade e de humanismo entre os povos irmãos paraguaios e brasileiros.
Artigo do oligarca aqui>>
*Publicado por Nezimar Borges
|