O "vosso" oligarca e o Pré-Sal
*Por Nezimar Borges
O Brasil vem se notabilizando, dentre as nações emergentes, como o país que não sentiu os efeitos desastrosos da crise capitalista internacional, talvez por sua política econômica, dos últimos sete anos, de afastamento da economia americana e de uma proximidade eloqüente com os outros grandes emergente como a China, a Rússia e a Índia, além de outros asiáticos. Mas o que faz esse maravilhoso país tornar-se diferenciado de outros é a sua grande potencialidade energética diante da grande descoberta, um marco para o Brasil tornar-se potência hegemônica sulina continental: a sua autossustentação energética. A descoberta de grandes reservas de energias fosseis abaixo da camada Pré-Sal. Grande importância será para o país fazer parte da OPEP, a guinada de nação importadora à grande exportadora de petróleo é fato incomensurável para o seu futuro. De sua verdadeira independência, independente dos interesses nortistas em relação à sua soberania. Diante desse grande Marco, o que fazer? Aliar-se às grandes petrolíferas internacionais e ir de encontro às tendências econômicas do momento de estado forte? Ou preservar o que resta de soberania do país, nacionalizar e monopolizar qualquer exploração desse tipo para garantir o futuro das gerações que virão? Diante desses questionamentos, qual será o papel da elite brasileira e de seu mais fiel representante?
Aqui é bom fazer um comparativo com as várias tendências de momento que passou o Brasil nesses últimos sessenta anos. Em tempo, da onda de época entre as duas grandes guerras, o nacionalismo. E da onda pós-queda do grande Muro, o neoliberalismo. Qual tendência foi mais benéfica para o Brasil se fortalecer de fato como Grande?. No primeiro o país saltou de agrário a país industrializado, das grandes iniciativas estatais. Essa política é constantemente relembrado como o “ pulo do gato” do pequeno para o grande Brasil. E não é à toa que recentemente em pesquisa feita pelo jornal Folha de São Paulo intitulando a pergunta “Quem é o maior brasileiro de todos os tempos?” Vencida pelo grande nacionalista Getúlio Vargas. O contrário, o expoente do neoliberalismo no Brasil, Fernando Henriquue cardoso, desmantelou o estado brasileiro, falindo-o em duas ocasiões. Também não é à toa seu ¨choramingar¨ nos bastidores da política brasileira “O Brasil não reconhece o grande feito que eu fiz” essa sua frase reflete o ostracismo que colheu, consequente de sua política de entrega do estado brasileiro. Se o Brasil fosse um país sério e, já dizia o grande presidente francês, Charles de Gaulle: " o Brasil não é um país sério!¨, se fosse, FHC teria o mesmo fim de seus “compatriotas”, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, o argentino Carlos Ménen, e o ex-presidente mexicano, todos neoliberais que cometeram crimes de lesa-pátria assim como FHC, mesmo assim, apenas os três primeiros foram para a cadeia, tornando este um ótimo exemplo comparativo de duas épocas que viveu o Brasil. Doravante, deve-se sempre mencioná-lo para não se cometer o mesmo erro.
No entanto, em seu transcrito de hoje, o oligarca amapo-maranhense menciona do fundo de sua “ingenuidade” sobre a investida dos americanos no Iraque: “Eu nunca achei que a cobiça pelo petróleo estivesse nas motivações da guerra de Bush ao Iraque” e ainda “Não acabou o tempo em que se guerreava pelo petróleo e quem tivesse mais ganhava a guerra”. O que muitos não sabem é que Sarney, homem que no principio de sua carreira política era pobre, hoje, o mais rico da política brasileira, com um patrimônio que supera R$ 250 milhões, investe em petróleo desde antes da descoberta do Pré-Sal. Comprou anos atrás terrenos situados em regiões do Maranhão onde há perspectiva de exploração de petróleo e gás natural. Os investimentos mais recentes se concentram em Santo Amaro, município localizado a 243 quilômetros de São Luís, na região dos Lençóis Maranhenses. Portanto, alguém poderia imaginar que o egoísta Sarney poderia ficar de fora de uma operação tão rentável. Enganou-se. Sempre os negócios mais lucrativos atraem os ricaços e endinheirados. Isso é uma regra no Capitalismo.
Todavia há um vislumbre de futuro promissor para o Brasil com esta descoberta. Mas essa perspectiva promissora só será efetivamente conseguida se o Brasil aos poucos, gradativamente, desvincular-se das políticas submissas, que tanto norteou seu caminho, de décadas atrás. E isso já vem acontecendo, mesmo de forma bastante tímida. Um país soberano, independente, autossuficiente não pode deixar que sua elite seja formada e subjugada a interesses externos. O Brasil Grande, que queremos, não pode sujeitar-se a pagar uma dívida injusta em detrimento às bases do seu desenvolvimento: educação, saúde, inovação tecnológica... O exemplo do pequeno Equador é significativo, pois forçou uma auditoria nas suas dívidas externas e ficou constatado que sessenta por cento dela era injusta.
Afinal, espera-se que o novo marco regulatório sobre o Pré-sal corrija a famigerada Lei do Petróleo de FHC, o qual a priori privilegia as gigantes petrolíferas internacionais. Um afronto à nossa soberania que deve acabar, sem isso não será possível pensar no Brasil Grande que tanto queremos. Já dizia a marcha dos estudantes, artistas, intelectuais e Vargas no ínicio da década de 50: “O petróleo é nosso!” E queremos que seja. O petróleo tem que ser nosso!
Nezimar Borges: Tecnólogo e Professor
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*Publicado por Nezimar Borges
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