Pedra Branca e a ilusão do desenvolvimento da era Waldez
Local: Macapá - 20/09/2009
Fonte: Eduardo Neves
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O município de Pedra Branca do Amapari, hoje com cerca de 10 mil moradores amarga os prejuízos e a falta de responsabilidade do governo Waldez na implantação das mineradoras na região. Os problemas vão desde a falta de infraestrutura a poluição ambiental.
O relato dos moradores chega a ser deprimente a situação que o povo de Pedra Branca está sujeito. “Aqui não temos água encanada. A energia falta todo dia. A saúde um caos total. E o povo sem poder pescar porque os rios e igarapés estão todos poluídos. E o que é pior, ninguém faz nada por nós”, desabafou Amiraldo Basto, líder comunitário.
ENERGIA
O município de Pedra Branca vem sofrendo nos últimos dias com constantes apagões. Na última sexta-feira, 11, a cidade de Pedra Branca do Amapari, ficou sem energia das 11h da manhã às 8h da noite. “Isso acontece todos os dias. Inclusive já ficamos 14 dias sem energia”, informou o líder comunitário Amiraldo Basto.
O deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB/AP) e a deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), receberam informações nesta segunda-feira, 14, do superintende da Eletronorte, Marcos Drago, que a estatal colocou a disposição da CEA um transformador, que necessita apenas de manutenção no valor de R$80 mil. Mas até agora a Companhia de Energia do Amapá (CEA), não fez a manutenção do equipamento. “A recuperação do transformador vai possibilitar, que Pedra Branca tenha sua própria substação, e acabe com o problema da falta de energia”, esclareceu o superintende da Eletronorte.
ÁGUA
Assim, como em Macapá o problema da falta de água tratada, não é diferente em Pedra Branca do Amapari. Na cidade, há encanação da Caesa em alguns pontos do centro, o que não chega alcançar 20% das residências. “Um dia tem, o outro não tem água na torneira”, disse a doméstica, Raimunda Lopes, que teve que pagar R$1.300 mil para ter um poço amazonas.
Ainda de acordo com os moradores, em 2007 a empresa MMX, através de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), do Ministério Público Estadual, construiu três poços artesianos, mas nem a Prefeitura e o governo do Estado, implantaram a tubulação. “E agente que precisa d’água é que sofre”, lamentou a doméstica.
SAÚDE
O retrato de abandono de políticas públicas no município é ainda mais chocante, quando se trata da saúde. “Não temos aparelho de raio-X. Nada de cardiologia. Sala de parto inadequada. Ambulâncias sucateadas. Falta de leitos, falta de pessoal e até material para um simples curativo nós não temos”, relatou Neli Raiol, técnica em enfermagem da Unidade Básica de Saúde de Pedra Branca.
Segundo os profissionais de saúde do município, Pedra Branca tem apenas três médicos. Hoje eles estão todos sobrecarregados com a demanda de pacientes da cidade. “As comunidades ribeirinhas estão desassistidas, por falta de profissionais”, disse Técio da Silva, técnico em enfermagem, ao informar que há um aparelho de Raio-X lacrado há mais de dois meses no hospital a espera de um técnico para instalar e um radiologista da secretaria de saúde do Estado, para que o aparelho comece a funcionar.
Ainda de acordo com o relato dos moradores, pacientes grávidas e muitas senhoras, viajam em pé nos ônibus de Pedra Branca do Amapari até Macapá, porque as ambulâncias que deveriam fazer o transporte, não funcionam. “É triste, mas é essa a nossa realidade”, disse Neli Raiol.
POLUIÇÃO AMBIENTAL
As 33 famílias de agricultores que vivem a margem do igarapé Willians, tiveram suas atividades paralisadas, devido à contaminação da água. As mineradoras utilizavam o cianeto (material utilizado que transforma o ouro em líquido), o que matou os peixes e a produção agrícola dos trabalhadores.
Após muita luta do Ministério Público Estadual, através do promotor Afonso Guimarães e da deputada federal Janete Capiberibe, que acionou o Ministério Público Federal. Os agricultores começarão a receber indenizações das mineradoras, no valor de R$41mil cada família, a partir do dia 25 de setembro. Outra informação prestada pelos agricultores é que 70% do igarapé foi despoluído.
*Publicado por Nezimar Borges
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