Perguntas sobre a tragédia na ponte do Vila Nova
Ontem tive a oportunidade única, de pela primeira vez na minha empreitada como blogueiro e agora trabalhando na área da mídia (rádio e jornal) de cobrir uma fatalidade de grande proporção. É fácil você escrever algo sobre uma tragédia, desde é claro que tenhamos informações e possamos ter noção dos fatos e acontecimentos. Foi a primeira vez que fiz a cobertura ao vivo de uma tragédia no rádio, através da 105,9 FM, Onda Livre.
Mas você fazer a cobertura ao vivo de um acontecimento, uma tragédia ou uma fatalidade que acabara de acontecer é muito difícil para um ser humano. Pois ao mesmo tempo que você fica triste, assustado e até mesmo com uma dor no peito diante do fato de saber que pessoas morreram, também você tem a consciência de que é preciso informar ao povo do que realmente está acontecendo naquele momento.
Não se pode brincar com uma fatalidade, um acidente que causou perdas de vidas humanas. O nervosismo toma conta da gente. Mas essa tarefa creio eu, que nesse sábado trágico para as famílias e o povo amapaense, consegui cumprir o papel que poucos setores de nossa imprensa tem o dever e a obrigação de cumprir.
Mas o assunto que não quer sair de nossas mentes é a causa desse desastre. O governador Waldez, os técnicos da empresa CR Almeida deixaram de responder algumas perguntas que o povo quer saber. Se não vejamos estes questionamentos feitos por populares de Mazagão no momento do acidente:
1 - O governo do estado estava dando pressão na empresa, que consequentemente pressionava os trabalhadores para acelerarem o andamento da obra de construção da ponte. Isso poder ter sido a causa de um erro humano por conta da pressa em inaugurar esse grande empreendimento que seria que estaria marcado para o dia 27, na mesma data que Waldez faria o anúncio de que deixaria o governo?
2- Por que os responsáveis da CR Almeida não quiseram responder as perguntas da imprensa e negaram dados sobre o número de trabalhadores presentes no local do acidente?
3 - É possível que mais mortes possam ser anunciadas nos próximos dias, já que não se sabem o número de trabalhadores presentes no local, pois sabe-se que há pessoas desaparecidas?
4 - A presssa em inaugurar uma obra que tinha o prazo de até agosto para ser concluída se deu por uma questão política eleitoral?
5 - O governador Waldez Góes vai fazer uma apuração rigorosa e chamar para responsabilidade dele a ação da empresa CR Almeida sobre o fato ocorrido, exigindo melhores explicações, ou ficará mesmo só nas indenizações às famílias das vítimas?
6 - Em quantos dias realmente poderemos saber o laudo técnico da tragédia?
7 - O MPF e outras instituições, bem como uma auditoria independente pode ser acionada para fazer um laudo mais profundo do desabamento das vigas da ponte?
Essas e outras perguntas devem ser respondidas e esclarecidas pelas autoridades policiais, o Ministério Público, a empresa CR Almeida e o governo do estado do Amapá. Esperamos que seja dado um tratamento sério e uma resposta convicente à sociedade amapaense.
Heverson Castro é blogueiro e diretor-responsável do jornal Correio Santanense
*Publicado por Nezimar Borges
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