Políticos usam caneta como pé de cabra
Está no Corrêa Neto, edição de hoje
Políticos usam caneta como pé de cabra.
O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, defende a não participação nas eleições, de políticos processados por crimes de natureza grave, ainda que não tenham sentença condenatória transitada em julgado. Ele foi voto vencido em votação que decidiu sobre o assunto, mas continua insistindo. Esses políticos devem ser os mesmos que o presidente do TSE identifica como os que “fazem da caneta um pé de cabra” que, para quem não sabe, é um instrumento usado pelos ladrões comuns para arrombar portas de residências.
O ministro ataca a existência de “caciques” nos partidos políticos, que usando o prestígio de que desfrutam pelo controle partidário, nomeiam apaniguados para a montagem de verdadeiras quadrilhas que sugam o dinheiro em princípio destinado à melhoria da qualidade de vida do cidadão comum, aquele que trabalha e produz a riqueza que esses gatunos embolsam impunemente, acobertados por mandatos populares, com a conivência dos governantes.
O discurso do ministro presidente pode não ser nada de extraordinário, mas é animador. Dá a esperança de que político nenhum vai influenciar nas decisões do TSE, onde já se viu até boi voar, e de um tratamento igual para todos os acusados de crimes eleitorais, o que seria uma novidade na vida pública nacional.
Independente do que fará com os ladrões que usam “canetas como pés de cabra”, estou muito interessado na ação do ministro em relação á igualdade de tratamento. E assim me permito lembrar: há um processo por “captação ilegal de sufrágios” contra o senador José Sarney, maranhense radicado no Amapá, - eleito sem domicílio eleitoral numa época em que valia tudo e ele, Sarney, dava ordens e todos cumpriam. Hoje o maior cumpridor de ordens dele é o Lula. – denunciado pelo Ministério Público Eleitoral que está engavetado há muito tempo, enquanto os que a turma dele move contra o governador maranhense Jackson Lago e jornalistas não atrelados, correm feito velocistas olímpicos.
Querer que José Sarney seja condenado num país como o nosso, é sonhar alto demais, queremos apenas e humildemente que ele seja julgado, como manda que julguem e condenem seus desafetos. Só isso.
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*Publicado por Nezimar Borges
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