Por quem se move o Waldez
Um episódio político ocorrido nesta segunda-feira, quase banal no Amapá da era da harmonia, diz muito do tipo de política praticada em nosso Estado nos últimos sete anos. Incomodado com as notícias sobre os mais recentes desastres políticos e administrativos de sua administração, o governador Waldez Góes resolveu agir.
Para os desavisados, pode parecer que o Governador agiu indignado, determinando a exoneração do secretario de saúde Pedro Paulo, que nas últimas semanas fez o Amapá ser notícia nacional em razão do ocorrido na Maternidade Mãe Luzia, quando mais de 9 recém-nascidos vieram a óbito num único final de semana, sem nenhuma explicação convincente. Tudo isso agravado pelo caso do garoto Danilo, paciente de câncer, que tendo recebido alta do hospital geral morreu em sua casa, com dor e com fome, esperando que a Secretaria de Saúde providenciasse seu TFD.
Os amantes do carnaval, podem imaginar que o Governador resolveu exigir, como maior financiador do carnaval amapaense, que fossem tomadas as providências necessárias para que se cumprisse as regras pré estabelecidas para a disputa do carnaval 2010, impedindo que a LIESA, sucumbindo a chilique de uns e outros, resolvesse inovar declarando todas as escolas participantes do desfile 2010 campeãs.
Já os cidadãos e cidadãs deste Estado preocupados com os rumos de nossa Educação, de imediato imaginariam que nosso Governador, ciente da denuncia do Ministério Público Estadual contra seu secretário de educação (Adauto Bittencourt) – que está sendo acusado pelo MPE de ser o chefe da quadrilha que desviou cerca de R$ 200 milhões dos cofres públicos – determinou sua exoneração sumária, já que não se deve admitir qualquer sombra de dúvida quanto a honestidade dos gerenciadores de dinheiro público.
Apesar das medidas acima elencadas serem todas convenientes e necessárias, nada disso foi sequer imaginado por nosso governador. O que o motivou a sair de sua infindável apatia político-administrativa foi a inusitada cobertura jornalística feita pela teve Tucujú de propriedade da família do senador Gilvam Borges do PMDB, na manhã da segunda-feira, que “inovou” ao simplesmente noticiar a denuncia do MP sobre o desvio de R$ 200 milhões na SEED e a bagunça geral que tomou conta do carnaval de 2010.
Com rapidez e agilidade não habituais, o Governador colocou sua tropa na rua e deu ordem geral para que se promovesse a paz com o senador Gilvam. O senador, que liberou a cobertura jornalística, andava insatisfeito por ter perdido seu espaço “político” nas estruturas do governo e ficou enfurecido diante das estratégias eleitorais de seu concorrente Waldez que o deixavam no mais puro isolamento político nas eleições de 2010. A conversa deve ter sido boa pois a cobertura realista não durou nem o dia todo. E a paz foi comemorada pela grande maioria da imprensa (alinhada) local.
E, assim, se tem governado o Amapá nos últimos anos. O Governador não se move pelos resultados administrativos do seu governo mas, pelas negociações políticas a serem feitas. Afinal, são elas que garantem que, apesar da ineficiência administrativa, Waldez e sua turma continuem ganhando eleições.
E, depois de sete anos, todos já aprendemos que não faz parte das preocupações de Waldez os inúmeros e vergonhosos escândalos de corrupção e ineficiência de seu governo, mas sim o que os jornais, rádios e televisão dirão (ou, não!!!) sobre os mesmos.
*Publicado por Nezimar Borges
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