Sem Ciro, presidente do PSB discute alianças estaduais com Lula
Local: Brasília, 23/04/2010
Fonte: Portal IG
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Presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, evitou nesta sexta-feira polemizar com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) sobre as declarações dadas ao iG, mas disse que Ciro terá de aceitar a decisão do partido sobre o impasse envolvendo a sua candidatura.

Na tentativa de diminuir o mal estar pelo vazamento da decisão, Campos afirmou que Ciro "não está fora do páreo". No entanto, segundo o iG apurou, durante encontro nesta manhã com o presidente Lula, no Palácio do Alvorada, foi iniciada a discussão sobre as alianças entre o PSB e o PT nos Estados beneficiadas com a saída de Ciro da disputa presidencial.
O PSB espera uma contrapartida do PT e quer apoio do partido nos Estados do Espírito Santo, Piauí, Amapá e no Distrito Federal. O caso do deputado federal Rodrigo Rollemberg serve de exemplo. Ele quer sair candidato ao Senado no Distrito Federal numa chapa encabeçada pelo PT. O ex-ministro Agnelo Queiroz vai disputar o governo e Geraldo Magela ficará com outra vaga para o Senado.
Outro caso similar é do senador Renato Casagrande, que pretende disputar o governo do Espírito Santo pelo PSB. Como o PT prefere a aliança com o PMDB, ele planeja fazer uma coligação com o PR. O problema é que esse partido quer apoiar Dilma como candidata a presidente .“É uma realidade que se impõe”, afirmou Rollemberg.
Atualmente, há quatro Estados em que os pré-candidatos do PSB estudam formar aliança com o PSDB, partido de oposição ao governo federal. São os diretórios socialistas de Alagoas, Amazonas, Paraíba e Paraná. Quase vinte diretórios do PSB preferem o partido na campanha de Dilma, para não ter de dividir palanques, enquanto só oito sustentavam Ciro, sem exigir contrapartidas.
Durante a entrevista ao iG, Ciro assumiu pela primeira vez que sua candidatura à presidência da República chegou ao fim. Oficialmente, aguardará a decisão da executiva do partido, marcada para o dia 27 de abril, terça-feira da semana que vem.
Além de citar pressões do Palácio do Planalto no PSB para derrubar sua candidatura, Ciro ainda deu a entender que o tucano José Serra deve vencer a eleição presidencial. Para ele, o desafeto político é mais preparado para enfrentar crises do que a ex-ministra Dilma Rousseff.
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, foi procurado pela reportagem para comentar as previsões de Ciro de que, com a sua saída, o candidato tucano, José Serra, tem mais chances de vencer a eleição do que Dilma Rousseff. Dutra, no entanto, disse que não iria comentar as declarações.
Ciro aposta em Serra e diz que tucano 'é mais preparado'
Após ter a sua candidatura à Presidência da República negada pelo próprio partido, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disparou hoje contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, e o PMDB, principal partido aliado do governo. O deputado disse que Lula "está navegando na maionese" e ainda previu uma vitória do pré-candidato do PSDB, José Serra, nas eleições. Para Ciro, o tucano "é mais preparado, mais legítimo, mais capaz" do que a pré-candidata petista.
Ciro desabafa Serra "é mais preparado"
O deputado previu uma vitória do ex-governador de São Paulo José Serra, seu desafeto histórico, nas eleições deste ano. "Minha sensação agora é que o Serra vai ganhar esta eleição. Dilma é melhor do que o Serra como pessoa. Mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz. Mais capaz inclusive de trair o conservadorismo e enfrentar a crise que conheceremos em um ou dois anos", afirmou.
"Em 2011 ou 2012, o Brasil vai enfrentar uma crise fiscal, uma crise cambial. Como estamos numa fase econômica e aparentemente boa, a discussão fica escondida. Mas precisa ser feita." Segundo o deputado, Dilma tem menos chance de enfrentar o problema do jeito que ele precisa ser enfrentado. "Como o PT, apoiado pelo PMDB, vai conseguir enfrentar esta crise? Dilma não aguenta. Serra tem mais chances de conseguir", observou.
"Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior, ninguém chega para ele e diz: 'Presidente, tenha calma'. No primeiro mandato eu cumpria esse papel de conselheiro, a Dilma, que é uma pessoa valorosa, fazia isso, o Márcio Thomaz Bastos fazia isso. Agora ninguém faz", disse Ciro, em entrevista concedida ao site IG.
O deputado assumiu pela primeira vez que não deve ser candidato à Presidência e, oficialmente, aguardará a decisão da Executiva do partido, marcada para terça-feira da semana que vem.
Ciro afirmou que Lula merece a popularidade porque seu governo tem realizações, "mas ele não é Deus". O deputado criticou a postura do Planalto, que lhe tirou "o direito de ser candidato". "Mas quer saber? Relaxei. Eles não querem que eu seja candidato? Querem apoiar a Dilma? Que apoiem a Dilma. Estou como a Tereza Batista cansada de guerra. Acompanho o partido. Não vou confrontar o Lula. Não vou confrontar a Dilma."
'Missão estratégica'
O deputado se comprometeu em acatar a decisão do PSB de apoiar a candidata petista, mas avisou que não vai se envolver na campanha. "Não me peçam para ir à televisão declarar o meu voto, que eu não vou. Sei lá. Vai ver viajo, vou virar intelectual. Vou fazer outra coisa." Para Ciro, sua participação no pleito era "uma missão estratégica, que não será desempenhada por mais ninguém".
Ciro acredita que a eleição deste ano será marcada por baixarias, entre as quais inclui uma ação de grupos radicais abrigados no PT. "Sabe os aloprados do PT que tentaram comprar um dossiê contra os tucanos em 2006? Veremos algo assim de novo. Vai ser uma m…", disse.
*Publicado por Nezimar Borges
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