Smith e Pinho
Os dissimulados
Por Chico Bruno
As eleições municipais de 2008 não estão fugindo as regras da política brasileira em todos os quadrantes do país. Como sempre e todo, foram colocadas muitas pré-candidaturas apenas para servir de negociação com vistas às coligações.
Em Salvador, os pré-candidatos do PSB e PC do B se renderam ao PT, com os socialistas abocanhando o lugar de vice. O PTB preferiu indicar seu pré-candidato à vice, na chapa do PMDB e o PPS fez o mesmo em relação ao PSDB.
O mesmo sucedeu-se em São Paulo e em outras paragens, como em Macapá, onde o PDT, partido do governador e aliado de Lula, trouxe para sua coligação o DEM e o PSDB. O pré-candidato do PR virou vice da candidata do PT, o PC do B abriu mão de uma candidatura para indicar o vice na chapa do PMDB e o PSol que teve seu pré-candidato lançado com festa, com a presença da estrela máxima do partido, preferiu indicá-lo como vice na chapa do PSB.
Uma movimentação normal.
Essas turbulências deixam seqüelas, geralmente naquelas minorias silenciosas, que ficam choramingando pelos corredores. Mas tem também os que decidem lavar a roupa suja em público e que geralmente antes de fazê-lo ficam com uma postura dissimulada.
Isso está estampado na manchete desta sexta-feira, 27, do Jornal do Dia, de Macapá sob o título “Racha no PSB”, cuja matéria assinada por Paulo Silva, repercute entrevista concedida ao programa “Tribuna da Cidade”, da Cidade 101-FM pelo secretário-geral do PSB, Cláudio Pinho e o deputado estadual do partido, Ruy Smith.
Os dois contestam de público, em alto e bom som e, ainda, alinham nomes de outros descontentes, a candidatura a prefeito de Macapá do deputado estadual Camilo Capiberibe.
A dissimulação é gritante, pois, os dois estavam presentes, sendo que o deputado Ruy compôs a mesa da entrevista coletiva à imprensa em que foi lançada a chapa da coligação PSB, Psol e PMN no dia 16 de junho, na sede do PSB.
Por que não se rebelaram naquela ocasião? Por que deixaram para abrir a boca nas proximidades da convenção?
As alegações dos dois são simplórias. Baseiam-se em exemplos de coligações em cidades do interior onde o PSB apóia candidatos de outros partidos, para reforçar a tese que os socialistas na capital deveriam apoiar candidatos de outros partidos.
O que querem eles? Que o PSB apóie candidatos da base aliada do governador Waldez (PDT) e do prefeito João Henrique (PT), os principais adversários do partido, jogando no ralo toda a sua credibilidade, apenas para alcançar possíveis migalhas de poder.
Ou será que eles querem que o PSB lance a candidatura de João Capiberibe para que vê-lo enfrentar o mesmo frentão de 2006, já no primeiro turno.
A estratégia do PSB está correta. É preferível enfrentar uma situação rachada no primeiro turno, do que repetir 2006 e não ter mínima chance de ir ao segundo turno. Agora essa possibilidade existe com a aliança entre o PSB, PSol e PMN.
Vale lembrar que o futuro a Deus pertence e que os governistas podem chegar rachados ao segundo turno, pois, eles serão obrigados a bater boca no turno que se avizinha para decidir quem irá chegar à etapa seguinte.
É, em cima dessas seqüelas, que se montam às alianças do segundo turno. Pensem nisso.
*Publicado por Nezimar Borges
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