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Sobre o Casal Capiberibe: Uma fraude e duas vidas públicas de serviço ao Brasil

João Capiberibe: Perseguido indomável

João Capiberibe, Heloísa Helena e Protógenes Queiroz em ato do PSOL contra o desemprego e a corrupção

Carta aberta ao senador Renan Calheiros

Casal Capiberibe: Dois seres preciosos

O  caso da cassação de Capiberibe:  Passo a passo de uma farsa

Carta aberta a Carlos Veloso

João Capiberibe explica o projeto Transparência ao procurador-geral da República

João Capiberibe é Apontado como o "Maior Amapaense de Todos os Tempos"

João Capiberibe recebe Maior Comenda do Acre

Só a cassação salva o Senado de Renan

16/06/2007

Local: Macapá
Fonte: Diversos
Link: http://www.historiadocapi.com.br

Publicado aqui a repercusão do lamaçal em que está metido o Presidente do Senado Federal Sr. Renan Calheiro. Suas manobras para tentar salvar seu mandato que cada vez mais dificil sustentá-lo, por imaginar que todos são ingenuos e substimar a inteligencia do mais desinformado eleitor. Está na cara suas fraudes. Esse processo contra ele tem de ser configurado com a mais boa vontade de seus pares! Imagine se ele resolva falar das entranhas, e apresentar provas que 99% do senado é comprometido com os mais diversos negocios e negociatas - para não dizer corrupção em si - com empresas privadas. Já imaginou!! Todos imaginam esse congresso ser tão corrupto, mas as provas hein!! Seriam a desmoralização da democracia em si, onde protege corruptos do colarinho branco enquanto os ladroes baratos estão nas cadeias. E de pensar que esse sujeito foi um dos responsáves pela cassação do Senador Ambientalista João Capiberibe, dá uma revolta. ( Nezimar Borges)

Veja : O espelho trincou

16/06/2007

André Petry 

O senador Renan Calheiros já tem quase três décadas de vida pública. Em 1978, venceu sua primeira eleição para deputado estadual em Alagoas. É um político hábil. Já foi líder de governo, já foi ministro e hoje preside o Senado. No escândalo de suas relações promíscuas com um lobista de empreiteira, ele tem dado mostras evidentes de seu talento político: o Senado, não todo, mas quase todo, está francamente a seu favor. É bem verdade que boa parte desses senadores age assim por medo. Medo de Renan Calheiros porque ele já foi ministro da Justiça e, como tal, mandava na Polícia Federal. Os senadores, por alguma razão inexplicável, costumam ter medo da Polícia Federal. Não todos, mas quase todos da tropa de choque de Renan.

Também é verdade que esses senadores protegem Renan por um verdadeiro sentimento de solidariedade. Coisa real, autêntica. De irmão para irmão. A melhor definição para essa irmandade foi dada por um senador, nordestino e veterano em política, que infelizmente pede para não ser identificado. Ele diz: "O problema é que quase todos os senadores têm sua Mônica e seu Zuleido". Mas, ignoremos as amantes e os empreiteiros e reconheçamos que o comportamento bovinamente indecente da maioria dos senadores resulta do brilho, do talento, da habilidade política de Renan.

Pois não é que, com três décadas de vida pública, Renan está caindo numa armadilha criada por ele mesmo? Desde o início do Renangate, o senador adotou a tática do espelho, que consiste em usar a imagem refletida, que é sempre o inverso do real. Então, tudo o que o senador aparenta, tudo o que diz, tudo o que alega, é na verdade o seu exato oposto. Primeiro, tentou vender a idéia de que a imprensa invadiu sua vida privada, mas era o próprio senador que, ao expor sua vida pessoal para nela escudar-se, invadiu a vida pública. Depois, seguindo na tática do espelho, tentou dizer que as denúncias que o fazem sangrar são um ataque ao Senado, mas era o contrário: o senador é que, sangrando na cadeira de presidente, era, ele mesmo, um ataque à instituição.

Com suas atitudes espelhadas, Renan está tentando escapar da guilhotina. Tem todo o direito de fazê-lo. Se colar, colou. A maioria dos senadores reza para que cole. O único problema é que o espelho começou a trincar. VEJA mostrou que suas contas não fecham. O Jornal Nacional mostrou que suas vendas de boi não batem. Cada explicação do senador precisa de outra explicação, que logo requer uma terceira, formando um incessante conjunto de explicações sobre coisas que só podem ser inexplicáveis.

Para os senadores, para aqueles que têm Mônica, Zuleido e medo, não haveria incômodo em deixar Renan se explicando pela eternidade. O problema é que, ao confundir o público com o privado, ao confundir sua figura pessoal com a imagem do Senado, Renan, com seu naufrágio, está afundando o próprio Senado. É coisa séria. Não é o mandato de um senador que entra em jogo, mas o papel de uma instituição. Diante disso, Renan, com seu brilho, seu talento, sua habilidade política, deveria pedir licença do Senado. Entregaria a presidência ao sucessor, teria todo o tempo do mundo para preparar uma explicação – uma só – e evitaria que o Senado perdesse o que ainda lhe resta de credibilidade e respeito. Vamos lá, Renan, salve o Senado!

Veja: Ética à Cafeteira

16/06/2007

Carta ao Leitor 

"Os processos de apuração de desvios de conduta dos próceres de uma nação precisam resultar em algum aprendizado para a classe política, em benefício da sociedade. Sem esse saldo positivo, o que se tem são casos que geram mais calor do que luz. No caso atual envolvendo Renan Calheiros, presidente do Senado, corre-se o risco de que a exposição de suas perigosas ligações com um lobista de empreiteira e de seus negócios agropecuários obscuros termine sem uma apuração cabal dos fatos como quer o complacente relator do Conselho de Ética do Senado, senador Epitácio Cafeteira.

Os senhores senadores precisam estar cientes do fato de que ao varrerem para debaixo do tapete as suspeitas em torno do senador Calheiros estarão escrevendo um permissivo código de conduta ética para a vida pública brasileira.

Ficamos então combinados que pelo código Cafeteira todo senador ou deputado de agora em diante pode:

• Pagar contas de 100.000 reais usando dinheiro vivo sem declarar os gastos ao imposto de renda.

• Valer-se dos serviços de lobistas de empreiteiras para resolver questões pessoais de foro íntimo e que envolvam dinheiro.

• Apresentar emendas orçamentárias que beneficiem justamente a empreiteira do lobista-amigo-secretário-tesoureiro.

• Usar escritórios de empreiteiras como sua tesouraria pessoal.

• Usar apartamentos de lobistas para encontros amorosos.

• Ter lobistas como fiadores de suas despesas.

• Ter suas campanhas políticas financiadas por empreiteiros com interesses diretos em suas decisões de como gastar o dinheiro do povo.

• Apresentar emendas ao Orçamento que beneficiem empresas de lobista-amigo-secretário-tesoureiro.

• Vender bois com uso de recibos frios.

O filósofo grego Aristóteles em sua Ética a Nicômaco alertou para o fato de que as qualidades morais precisam ser praticadas até se tornarem um hábito. O código Cafeteira é a negação dessa verdade"

VEJA:Contas confusas

16/06/2007

Lauro Jardim na coluna Radar

O pizzaiolo Epitácio Cafeteira, relator do caso Renan no Conselho de Ética, não viu nenhum problema nas contas apresentadas pelo presidente do Senado. Não é para menos. Veja-se a prestação de contas que Cafeteira encaminhou ao TRE do Maranhão depois de sua eleição para o Senado em 2006. Cafeteira garante que gastou 81 274 reais para eleger-se (sua previsão de gastos era de 2,5 milhões de reais, conforme o TRE). Dá 8 centavos por voto — um recorde. Campanha barata, hein? Na verdade, o que há é um festival de omissões visível. Por exemplo: ele fez, é claro, campanha de rádio e TV. Só que em sua declaração de despesas não consta nenhum gasto em produção de programas. Não há dúvida de que Cafeteira mediu Renan pelo seu próprio metro.

Boca maldita

16/06/2007

É tarde,mas ainda há tempo

Roberto Jefferson

O tiro de misericórdia que acertou Renan Calheiros partiu do Jornal Nacional, com a revelação de que ele usou notas frias para tentar provar que teria capacidade financeira para honrar compromissos financeiros assumidos com Mônica Veloso (crime de estelionato). O melhor a fazer agora é ele se afastar da presidência do Senado e assumir o seu calvário. Ele não deve mais arrastar os amigos, pois já começa a sobrar pra eles. Pede o boné, Renan, as vacas e os bois acabaram com você. Se não, você será arrastado pelo cabresto.

 

Extra:Mafrial forneceu notas frias para legalizar bois de Renan

16/06/2007

As notas fiscais da venda de gado apresentadas por Renan Calheiros para justificar a origem dos pagamentos feitos à ex-amante, foram fornecidas ao senador pelo Mafrial – Matadouro Industrial de Alagoas, dirigido pela empresária Zoraide Beltrão. As notas fiscais fraudulentas foram emitidas em nome das empresas Carnal – Carnes de Alagoas Ltda., e GF da Silva Costa.
A Carnal está registrada em nome de João Teixeira dos Santos e foi desativada em 2003 e multada em R$ 127 mil por emitir notas fiscais falsas. A GF da Silva Costa nunca existiu, é fantasma, e está registrada em nome do “laranja” José da Silva Costa. As duas firmas têm em comum o contador Roberto Gomes de Souza, funcionário da Mafrial.

A reportagem do Extra constatou, junto ao Fisco Estadual, que as notas frias apresentadas ao Conselho de Ética pelo senador, são “calçadas”, artifício usado para sonegação de impostos. A prática criminosa consiste em registrar valores diferentes nas notas emitidas para escamotear o valor real da venda. Exemplo: Uma das notas apresentadas por Renan tem valor de R$ 170 mil, mas a via da Secretaria da Fazenda referente à mesma operação é de apenas R$ 170,00.

Como as empresas foram abertas há vários anos, deduz-se que o Mafrial vem usando essas firmas-fantasma para sonegar imposto, crime também praticado pelo senador Renan Calheiros para justificar seus gastos com a jornalista Mônica Veloso, com que teve uma filha bastarda.

Preocupado em abafar esse novo escândalo, Renan convocou a Brasília seu testa-de-ferro Tito Uchoa para forjar novas manobras contábeis na tentativa de salvar a cabeça do senador. Mas se o Conselho de Ética pedir ao Fisco de Alagoas as primeiras vias das notas apresentadas por Renan, comprovará a fraude.

A Tarde:Desventuras em série

16/06/2007

Dora Kramer

Uma parte dos senadores integrantes do Conselho de Ética começa, finalmente, a se render à evidência de que o Senado não é um clube nem uma entidade recreativa com fins corporativos, muito menos um cenário disponível ao patrocínio impune de ações entre amigos. É uma instituição submissa aos preceitos da República, delegada da missão de representar a Federação, devedora de satisfações ao conjunto da Nação.

Mas o presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda não incorporou essa percepção. Continua usando das prerrogativas constitucionais e regimentais em benefício próprio: defendeu-se sentado na cadeira de presidente e ontem movimentou-se o tempo todo antes da reunião do Conselho de Ética para obter apoio dos pares.

Tribuna da Imprensa

16/06/2007

Hélio Fernandes

Piorou m-u-i-t-í-s-s-i-m-o a situação do senador Renan Calheiros. Isso confirma o que eu disse assim que o fato explodiu: os documentos terão a última palavra, revelarão se o senador foi injustiçado, ou se os fatos aconteceram da forma como foram denunciados. Antes de mais nada, uma constatação: o constrangimento é total, afinal Renan foi eleito e reeleito presidente da casa.

Para situar o agravamento da situação, é preciso registrar um fato: a denúncia da Sujíssima Veja já foi ultrapassada há muito tempo. Por essas acusações, Renan estaria tranqüilo e absolvido.

O que está em causa agora, é o trabalho altamente profissional e jornalístico dos repórteres da TV Globo. E que foram apresentados anteontem, pelo Jornal Nacional.

Com esses documentos, houve visível reviravolta nos acontecimentos. E senadores que defendiam Renan abertamente, e outros, que constrangidamente ficavam calados, passaram a tomar posição e logicamente "pela apuração de tudo".

Ás 11:54 quando todos se movimentavam no sentido contrário a Renan, o senador Romero Jucá, líder do governo, comunicava à casa: "Acabei de receber um telefonema do senador Renan, e ele quer que tudo seja esclarecido CABALMENTE". (Que palavra.)

Ao meio-dia em ponto, a confusão era geral, como diria Machado de Assis. Um fato estranho: todos discordavam do relator Epitácio Cafeteira, mas diziam invariavelmente, "sem desrespeito ao relator". Ha! Ha! Ha!

Logo cedo, chegou a notícia de que o Corregedor, Romeu Tuma, teve que ser levado às pressas para São Paulo, "passando mal do coração", como foi anunciado oficialmente.

Ontem, na Comissão de Ética, apesar de presidida por um suplente, estavam presentes as maiores lideranças, mesmo as que não pertencem a essa Comissão. E era uma sexta-feira.

Modificação v-i-o-l-e-n-t-í-s-s-i-m-a em 48 horas: anteontem, quase todos queriam ARQUIVAMENTO de tudo. Ontem a preocupação geral era uma: todos queriam votar em SEPARADO.

E o senador Artur Virgilio, das maiores e mais respeitadas figuras da casa, propunha o voto DE PARTIDO. Quer dizer: não haveria voto INDIVIDUAL e sim voto COLETIVO. Por legenda.

A senadora Idelli Salvatti, querendo defender o Senado, só fez comprometê-lo. Textual: "Temos que resguardar a SOBERANIA do Senado, que não pode estar acuado por qualquer acusação sem prova".

Terrível contra ela. Quando diz que os que "acusam é que têm que provar", está dizendo uma bobagem tão colossal, que não cabe no espaço mínimo da sala onde funciona a Comissão de Ética.

Inicialmente contestei a acusação da Revista Veja, pelo fato de ter apenas o objetivo de invadir a PRIVACIDADE do senador-presidente, sem ter o mínimo respeito pelo fato público.

Agora, o que apareceu no Jornal Nacional é de uma profundidade i-n-i-m-a-g-i-n-á-v-e-l. Os documentos mostrados como prova da venda de gado pelo senador, não merecem o mínimo de credibilidade.

Como é que uma empresa que faturou 30 mil reais num ano, pode ter comprado 600 mil reais em gado? Esses documentos são falsos? Mas foram mostrados os personagens, era a palavra deles.

E bastava olhar para eles, (não precisava nem periciar os documentos) para verificar que não tinham condição de comprar coisa alguma. Como dizer que esses documentos não existem?

A sessão durou quase 6 horas. E terminou, ou melhor, foi prorrogada, da forma como Renan pediu. Às 2,08 minutos deu o segundo telefonema, pedindo que não houvesse votação até terça-feira.

A impressão geral: os senadores queriam dizer uma coisa, pensavam outra, e falavam tudo inteiramente diferente.

A invenção da Veja, nada a ver com os documentos, os relatos e as entrevistas da TV Globo. Não por causa de diferença entre os veículos, e sim no que foi apresentado.

Não há outro jeito a não ser terminar com Artur Virgilio: "Se não houver perícia, o Senado e os senadores ficarão muito mal".

Jornal do Brasil: Perícia vai beneficiar Renan

16/06/2007

Sérgio Pardellas e Vasconcelo Quadros

BRASÍLIA. O Conselho de Ética do Senado adiou para terça-feira a votação do relatório que pede o arquivamento do processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposta quebra de decoro parlamentar. O destino de Renan será selado por uma perícia, a cargo da Polícia Federal, sobre os documentos apresentados pelo peemedebista para comprovar rendimentos de R$ 1,9 milhão com venda de gado, que teriam custeados gastos com a jornalista Mônica Veloso e a filha dos dois.

O exame técnico será acompanhado pela Secretaria de Controle Interno do Senado, responsável por auditorias internas nas áreas financeira e orçamentária. A expectativa dos aliados de Renan é de que perícia da Polícia Federal contribua para inocentá-lo da acusação de uso de documentos frios para justificar o repasse de dinheiro. É que o pedido do presidente do Conselho de Ética da Casa, Sibá Machado (PT-AC), restringe-se só à comprovação da veracidade dos papéis. Leia mais.

O Globo: Votação é adiada e Renan muda versão

16/06/2007

Adriana Vasconcelos, Cristiane Jungblut e Ilimar Franco - O Globo; Luiz Cláudio de Castro - O Globo Online

Acuado pelas denúncias de que teria usado notas frias na venda de gado e impotente diante da decisão do Conselho de Ética de adiar para a próximna semana a votação do relatório que pede o arquivamento do processo contra ele, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), mudou a versão que havia apresentado à comissão. Segundo ele, a dona do frigorífico Mafrial, Zoraide Beltrão, descrita como uma mulher de 84 anos, que costuma fazer negócios armada e faz a intermediação da venda de gado em Maceió, seria a verdadeira responsável pela emissão de algumas das notas fiscais de empresas inativas ou que foram autuadas pelo extravio de notas fiscais.

Anteriormente, o senador dissera ao “Jornal Nacional” que o responsável pelas vendas de gado de suas fazendas era o veterinário Gualter Peixoto, que trabalha para ele. Já Zoraide afirmou que comprava de Peixoto. Ele seria secretário de vigilância sanitária em Murici, cujo prefeito é Renan Calheiros Filho.

Em entrevista ao “Jornal Nacional”, Zoraide Beltrão disse que comprava gado das fazendas de Renan Calheiros, mas que não tem qualquer recibo dos negócios. Segundo ela, as empresas cujos recibos foram apresentados pelo senador não existem mais.

Renan faz peregrinação a gabinetes para se defender

Com uma centena de folhas debaixo do braço, Renan tentou contestar a reportagem do “Jornal Nacional”. O senador percorreu nesta sexta-feira gabinetes, mostrando suas provas aos senadores. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), entregou o calhamaço para o relator do caso no Conselho de Ética, o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA).

Esses documentos, que não foram divulgados nem incorporados ao relatório do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), serão agora, conforme decisão adotada pelo presidente do Conselho de Ética, Sibá Machado (PT-AC),a de perícia da Polícia Federal, que terá de confirmar ou não a autenticidade dos papéis. Sibá ligou para o diretor da PF, Paulo Lacerda, e requisitou um perito. O trabalho será feito de forma conjunta, entre a PF e um perito da Secretaria de Controle Interno do Senado.

Segundo o relato de senadores que viram os documentos, Renan mostrou as Guias de Transporte Animal (GTA) que comprovariam não apenas a quantidade de rezes vendidas como também o tamanho de seu rebanho. Para cada uma das transações, o senador teria apresentado, segundo seus aliados, nota fiscal, recibo, cheque nominal do comprador, comprovante de depósito em conta corrente, extrato da conta corrente com o depósito, recolhimento de impostos e com registro da transação no Imposto de Renda.

Em sua defesa, o presidente do Senado especulou que Zoraide usava as notas frias, de empresas inativas ou autuadas pelo extravio de notas, por razões fiscais. Argumentou ainda que ele não poderia ser responsabilizado por crimes fiscais ou tributários eventualmente cometidos por terceiros. Renan também minimizou a declaração do gerente de uma de suas três fazendas, Everaldo de Lima Silva, de que ele tinha 1.100 cabeças de gado e não 1.700, alegando que ele não tem a dimensão do tamanho do rebanho.

Correio Brasiliense:Uma derrota da tropa de Renan

16/06/2007

Helayne Boaventura e Solano Nascimento

A tropa de choque do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acreditava que ontem seria o dia do sepultamento da denúncia contra ele no Conselho de Ética. O que ocorreu, porém, foi o recuo da ofensiva peemedebista e o adiamento da votação do parecer do relator do processo, Epitácio Cafeteira (PTB-MA), para a próxima terça-feira.

Acusado de receber dinheiro da empreiteira Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, entre as quais uma pensão à jornalista Mônica Veloso, Renan foi obrigado a aceitar tudo o que até então resistia: além do adiamento da votação, a tomada dos depoimentos de Cláudio Gontijo, funcionário da Mendes Júnior, e do advogado Pedro Calmon, representante de Mônica, no Conselho de Ética, convocados para a próxima segunda. Leia mais

Correio Braziliense:Filme antigo, não

16/06/2007

Por Denise Rothenburg
Com Guilherme Queiroz na coluna Brasília-DF

Alguns senadores que observam a movimentação do Conselho de Ética começam a sentir um cheiro de filme antigo no ar. Ontem, nos bastidores, muitos se referiram ao episódio do ex-presidente da Casa Jader Barbalho (PMDB-PA) que, em 2001, se viu num redemoinho que nem a renúncia ao cargo foi capaz de aplacar e terminou com o seu afastamento do mandato. Hoje a maioria dos senadores está disposta a preservar Renan Calheiros (PMDB-AL)desse destino. Querem sinceramente que ele responda a todas as dúvidas e que o caso esteja liquidado na terça-feira. Mas, na hipótese de a situação ficar ainda mais grave, muitos acreditam que Renan seria levado a abandonar tudo de uma só vez, a presidência do Senado e o mandato. Afinal, tudo o que Renan não quer é ser Jader amanhã.

Dia tenso e cheio de negociações

16/06/2007

Luiz Carlos Azedo

Com exceção do senador José Nery (PSol-PA), que entrou com a representação no Conselho de Ética — e a alguns raros e discretos desafetos nas demais bancadas, como os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Jefferson Péres (PDT-AM) e Demóstenes Torres (DEM-GO) —, todos os partidos do Senado se mobilizaram ontem em busca de uma saída para o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) evitar o processo de cassação por quebra de decoro parlamentar. Nenhum deles, porém, nem mesmo a bancada do PMDB, quis arcar com o ônus de uma decisão afobada do Conselho de Ética e arquivar a representação do PSol a toque de caixa.

A disposição de ajudar o peemedebista a sair da encrenca em que se meteu, por causa de seu relacionamento com a jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma filha, foi demonstrada antes mesmo da reunião do conselho. Renan participou de três reuniões sucessivas, com senadores aliados, a bancada do PMDB e líderes da oposição. Leia
mais.

O Estado de São Paulo: Renan tentou convencer colegas até 3 da manhã

16/06/2007

Cida Fontes E Ana Paula Scinocca

Assim que o Jornal Nacional da TV Globo de quinta-feira saiu do ar, depois de mostrar uma série de personagens negando que tivessem comprado o gado que alega ter vendido em Maceió e municípios vizinhos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), saiu a campo a fim de preparar os aliados para a reunião do Conselho de Ética que estava agendada para ontem, às 10 horas. Na madrugada de sexta, Renan disparou telefonemas com uma jura: “Não vou desonrar o Senado e lutarei até o fim”, disse a senadores do PT, PMDB e PSB, a quem entregou, logo cedo, nova documentação. Leia mais.

O Estado de São Paulo: Procuradoria vai analisar se Renan falsificou documentos

16/06/2007

Em questão de horas, o caso do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), migrou da certeira absolvição no Conselho de Ética para a mesa do procurador-geral de Justiça, Antonio Fernando de Souza. Quando Renan estava praticamente livre do processo político por denúncia de que tinha contas pessoais pagas pela empreiteira Mendes Júnior, o Jornal Nacional revelou, anteontem, que o senador usou notas frias, recibos de empresas inativas ou multadas para se defender no colegiado.

O procurador-geral, que até então não se manifestara, decidiu analisar a suspeita. Se concluir que vale investigação aprofundada, pode pedir inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF). No conselho, onde só faltava efetivar a absolvição, sem ouvir as testemunhas, o rápido desfecho acabou adiado para a próxima reunião, na terça-feira.

O cacique alagoano passou a madrugada de ontem disparando telefonemas. “Não vou desonrar o Senado e lutarei até o fim”, avisava, em conversas com senadores do PT, PMDB e PSB, logo cedo. Entregou novos documentos, dizendo que encerrariam de vez o caso. Procurou outros partidos, fez corpo-a-corpo, agiu nos bastidores. A intensa articulação, porém, não esfriou o escândalo.

Sibá Machado (PT-AC), presidente do Conselho de Ética, anunciou uma perícia nas notas fiscais. Mas, por pressão de aliados de Renan, avisou: só vai apurar se elas são originais e se há relação com a movimentação bancária do senador. Investigar as suspeitas de pagamentos da Mendes Júnior, ouvir a denunciante e apurar a veracidade das vendas de gado em Alagoas, por ora, está fora de cogitação.

Painel da Folha de SP: No comando

16/06/2007

Renata Lo Prete

Renan Calheiros (PMDB-AL) desistiu de aparentar distanciamento institucional do processo a que responde no Conselho de Ética do Senado. Por meio de Romero Jucá, líder do governo que funcionou ontem como seu pombo-correio, tomou as rédeas da apuração ao definir o adiamento da votação do relatório de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). O presidente da Casa tomou essa decisão por avaliar que a escolha de Cafeteira foi um erro. As queixas se estendem à sua tropa-de-choque. Aliados se disseram alarmados com o fato de Demóstenes Torres (DEM-GO) não ter sido rebatido quando elevou o tom, fragilizando publicamente Renan, que mostra desconforto por depender tanto do PT: descontada a fidelidade incondicional de Ideli Salvatti (SC), teme o preço a ser cobrado pelo partido.

Lili 1. Em suas conversas ontem com senadores, Renan disse que a verdadeira compradora de seu gado, Zoraide Beltrão, do frigorífico Mafrial, é uma mulher "brava" e "que anda sempre com carabina".

Lili 2. Alguns senadores falam em questionar o presidente da Casa sobre a triangulação heterodoxa com a dona do frigorífico, que comandaria a rede de pessoas de poucas posses supostamente usadas nos negócios com Renan. Ele mostrou os cheques delas, insinuando que seriam só laranjas da "mulher brava".

Vapt-vupt 1. Vários senadores enumeravam, aliviados, os documentos mostrados pelo presidente da Casa. A quem lhe perguntou se havia conferido datas e carimbos, Renato Casagrande (PSB-ES) respondeu que tinha olhado a papelada "por alto", sem prestar atenção em "detalhes".

Vapt-vupt 2. Marconi Perillo (PSDB-GO), que recebeu visita de Renan em seu gabinete, explica que não se preocupou em conferir a autenticidade da documentação mostrada ontem porque "ela já iria mesmo passar por uma perícia". A análise dos papéis será feita por técnicos do Senado e pela Polícia Federal.

Ninguém viu. José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA), respectivamente primeiro-aliado de Renan e líder do governo no Congresso, tomaram chá de sumiço desde que a situação do presidente do Senado começou a se complicar.

Protocolo. Já Lula telefonou a Renan para "prestar solidariedade" logo após a exibição da reportagem do "JN" que mostrou buracos na documentação apresentada pelo senador para justificar rendimentos com venda de gado.

Altas horas. Não foi Renan quem ligou para Maria Isabel, mulher de Epitácio Cafeteira, pedindo que convencesse o marido a não desistir da relatoria do caso. Foi Eduardo Suplicy (PT-SP), que teve de convencer a pessoa que atendeu o telefone a acordar a mulher do senador.

Folha de SP: A peculiar ética dos senadores

16/06/2007

Clóvis Rossi

O senador Renan Calheiros pode até ser inocente. Ficou mais difícil ainda acreditar depois que a história de seu gado se revelou mais malcheirosa do que excremento bovino. Mas ainda pode ser inocente.
Quem definitivamente não merece mais crédito são seus colegas Sibá Machado, presidente do Conselho de Ética do Senado, e Epitácio Cafeteira, relator do caso. Leia mais.

O crepúsculo de Renan

16/06/2007

Fernando Rodrigues

É impossível prever o desfecho da crise na qual mergulhou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Como o processo já começou, ele só pode ser absolvido ou cassado. Não há mais a hipótese de renunciar para fugir de uma eventual punição.
Há um certo tom patético em todo o caso, como nos escândalos políticos midiáticos de qualquer país. Homem casado, relação fora do casamento, filha, mulher bonita, pensão em dinheiro vivo e rebanho de gado fabuloso no interior de Alagoas. O azar de Renan é a fácil inteligibilidade da sua encrenca. Leia mais.

Folha de SP: Painel - A comédia bovina

Editorial  

16/06/2007

A farsa montada no Conselho de Ética do Senado teve ontem um novo capítulo. Sob o impacto de revelações sobre os malabarismos pecuários do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pelo "Jornal Nacional", deu-se o que todos naquele palco queriam evitar: ficou adiado para terça-feira o ensaiado arquivamento do processo por quebra de decoro pelo presidente da Casa. Sem investigação digna desse nome, por suposto.
O roteiro é obra coletiva dos senadores, mas carrega a assinatura de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Ontem ele interpretou até um melodrama familiar para justificar sua viravolta na anunciada decisão de deixar a relatoria, caso sua peça engavetadora não fosse aprovada. No papel de coadjuvante da pantomima erra pela cena Sibá Machado (PT-AC). No coro dos contentes com o enredo, senadores de todos os partidos. Na direção, segue firme Renan Calheiros. Leia a íntegra.

Zero hora: Peneira alagoana

16/06/2007

Rosane de Oliveira 

A experiência dos repórteres Carolina Bahia e Sebastião Ribeiro na cobertura do agronegócio permitiu a Zero Hora identificar novos furos na defesa do senador Renan Calheiros (leia mais). O trabalho dos dois repórteres reforça a suspeita levantada pelo Jornal Nacional de que Calheiros forjou as provas apresentadas para explicar sua renda e tentar convencer de que o dinheiro repassado à jornalista Mônica Veloso era mesmo dele.

O que Carolina e Sebastião fizeram foi comparar a rentabilidade do rebanho de Calheiros com a dos produtores gaúchos, líderes nacionais no setor. Constataram que os bois de suas fazendas estão supervalorizados, o que, somado aos indícios de uso de notas frias cheira a falsidade ideológica.

Por mais que até a exibição da reportagem do Jornal Nacional a disposição do Conselho de Ética fosse absolver Calheiros sem aprofundar as investigações, as novidades obrigaram pelo menos alguns dos membros a rever a posição. A suspensão da sessão até terça-feira pode ser útil para que Calheiros se articule com os colegas, mas a oposição pretende aproveitar esse tempo para fazer o que o relator Epitácio Cafeteira não fez: periciar os documentos, ouvir testemunhas e checar versões.

Se ficar provado que Calheiros mentiu aos senadores, a renúncia à presidência do Senado será inevitável, mesmo que hoje ele pareça blindado.

*Publicado por Nezimar Borges

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