"Temos que continuar a Luta"
João Capiberibe, deputada Janete Capiberibe e Modesto da Silveira
Brasília, 24/11/2009 - A deputada federal Janete Capiberibe e o ex-senador João Capiberibe, ambos do PSB do Amapá, participaram, hoje, 24, do encerramento do 3º Seminário Latino-Americano de Anistia e Direitos Humanos - Manoel Conceição. O evento iniciou no domingo, 22, e debateu temas como a descriminalização dos movimentos sociais, pré-sal e direitos humanos, Comissão Memória e Verdade, tortura e genocídio, além das leis 8,878/1994 e 10.559/2002.
Resistência - No final da década de 60, o casal Capiberibe fazia parte do movimento estudantil e, em seguida, ingressou na Ação Libertadora Nacional - ALN - que, liderada por Carlos Marighella, esgotou todos os meios institucionais de resistência à ditadura antes de partir para a guerrilha urbana.
Capiberibe discursou enfatizando a importância da luta pela democracia e lamentou que 24 anos depois do retomada do regime democrático muitos militantes que se opuseram à ditadura ainda enfrentem restrições por causa da sua ação política. Segundo ele, "a anistia é importante por que o Estado passa a reconhecer que errou, que cometeu crimes contra a sociedade".
Reconstrução - "Foram 21 anos de ditadura que deixaram marcas profundas. Nós não vamos recuperar o estágio democrático que vivíamos lá atrás 64 sem no mínimo 50 anos de democracia. A luta política precisa continuar", reforçou Capiberibe.
O senador disse que as transições de regime no Brasil se dão por acordo das elites que representam menos de 5% dos brasileiros, o que impede mudanças radicais no sistema e permite que as mesmas oligarquias se perpetuem no poder. "Quem era um dos líderes da ditadura? José Sarney. Quem é nosso adversário hoje? José Sarney, por obra de quem nossos mandatos foram cassados em 2005", exemplificou. O deputado federal Luiz Couto (PT/PB) ressaltou a injustiça que significou a cassação dos mandatos dos dois parlamentares socialistas naquele ano "por um político que pensa que é dono do Maranhão e que quer ser dono também do Amapá".
Homenagem - Capiberibe lembrou e agradeceu a luta dos que permaneceram no Brasil enquanto muitos foram obrigados pela ditadura a deixar o país. Eles próprios deixaram o Brasil rumou ao Chile, em 1971. Citou, nominalmente, os advogados Modesto da Silveira, que presidia a mesa, e Iramaia Rodrigues, que advogaram para que a Lei da Anistia abarcasse todos os exilados políticos, em 1979.
Ao final, o ex-senador João Capiberibe e a deputada Janete Capiberibe foram cumprimentados por militantes da resistência à ditadura de todos os lugares do país.
Na segunda, a deputada Janete Capiberibe entregou a Carlos Marighella Filho a placa em homenagem ao pai Carlos Marighella pela sua mobilização em favor da democracia, representando todos os que lutaram contra a ditadura. Também foram homenageados Manoel da Conceição (camponeses), Modesto da Silveira (advogados), Raimundo Pereira (jornalistas), Honestino Guimarães (estudantes) e Santo Dias (sindicalistas e movimentos sociais).
*Publicado por Nezimar Borges
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