Waldez trata falta de habitação no Amapá como caso de polícia
Assim como no ato de reintegração de posse da área invadida por sem tetos no Alfhavile, quando foi usada a força policial para retirar os invasores, na tarde desta quarta-feira, 9, o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT/AP), esquivou-se de reunião agendada na semana passada e mandou o chefe de segurança institucional do governo do Estado, coronel da PM Vilhena, negociar com a comissão de sem tetos.

De acordo com os sem-tetos, ao iniciar a reunião o coronel Vilhena começou em tom de intimidação ao movimento. "Pela forma que está sendo conduzido o processo é uma apologia ao crime e por isso vocês poderiam ser reconduzidos a delegacia", informou Dulce, membro da comissão de sem tetos, que negocia uma saída para o problema.
O ato tido como manobra do governador Waldez pelos mais de 700 sem tetos que estiveram na manifestação desta quarta-feira, foi veemente criticado. "Não queremos brigas, só queremos uma política voltada para habitação e que ele desapropriei a área que não serve pra nada", protestou a sem teto Joaquina Silveira.

Para o senhor Manoel Raimundo da Silva, a atitude do governador de não querer uma saída para o problema, significa um desrespeito com a população. "Nós que votamos nele e elegemos agora ele vira as costas pra nós. Mas, ele vai querer bater na nossa porta no próximo ano e vamos ter a resposta pra ele", desabafou o sem teto.
PROTESTO - Apitos, carro-som e gritos de protesto pela falta de política pública de habitação no Estado animaram a manifestação, que saiu da Praça da Bandeira em direção ao palácio do Setentrião e contou com a presença do presidente da comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa do Amapá, deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB/AP), do deputado estadual Rui Smith (PSB/AP) e da vereadora de Macapá, Cristina Almeida (PSB/AP).

"Governador olhe no rosto dessas pessoas, são seres humanos que precisam de moradias e querem apenas um pedaço de terra para morar, resolva o problema dessa gente", cobrou o deputado Camilo Capiberibe.
Ao usar o microfone o deputado Rui Smith, disse que de acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), publicada recentemente, aponta um déficit habitacional de 31.000 moradias no Amapá. "E que o governador fez? Nada. No governo do PSB, foram 14 mil lotes distribuídos nos bairros do Pantanal, Renascer, Marabaixo e Zerão", ressaltou o parlamentar.
A vereadora Cristina Almeida (PSB/AP), fez questão de lembrar as parcerias da prefeitura de Macapá e governo do Estado. "A parceria da violência, que espancou os camelôs e mais recentemente vocês que precisam de terra pra morar. Essa é política da parceria nota dez do PDT", desabafou a vereadora Cristina Almeida.
Mesmo depois de muito protesto em frente ao palácio, os manifestantes se deslocaram em caminhada até em frente à residência oficial do governador, na rua Cândido Mendes. "Saí daí governador só queremos uma resposta para o nosso problema", disse o sem teto Delei Pinheiro.
Após horas à espera de uma resposta do governador e sendo cercada a residência oficial por Policias Militares, os manifestantes se dispersaram, ficando para manhã desta quinta-feira, 10, novo protesto. "Enquanto não tiver uma solução para o nosso problema, não vamos deixar de protestar", informou Arlindo Nascimento.
Legenda: Deputados Ruy Smith e Camilo Capiberibe e veradora Cristina Almeida com manifestantes em frente ao Palácio do Setentrião
Legenda: Multidão pede habitação pela segunda vez em frente ao Palácio do governo; Waldez novamente se recusou a receber os sem-teto
Contato: Eduardo Neves - Assessor de Imprensa do deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB/AP) - 8117 2883.
*Publicado por Nezimar Borges
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