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Dados do Inpe não incluem Amapá
no gráfico da devastação Amazônica

Em maio deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) divulgou um novo levantamento de dados sobre o processo de devastação da Amazônia. Os dados mostram que entre agosto de 1999 e agosto de 2000 a região sofreu o seu segundo maior processo de devastação de todos os tempos. 

No gráfico da triste notícia, o Amapá é o único estado da região a não ser citado, enquanto apenas dois Estados, juntos, Mato Grosso e Pará, respondem por 70% da devastação. Para o Amapá a notícia não é surpresa pois o Programa de Desenvolvimento Sustentável, implementado pelo governador João Alberto Capiberibe desde 1995 alia desenvolvimento com preservação ambiental.

Estado

Participação no total
de devastação da Amazônia (em%)*
Mato Grosso  40
Pará  30
Rondônia  14
Maranhão  7
Amazonas  4
Acre  3
Roraima   1
Tocantins  1
*Fonte: Inpe

Ao analisar as fotos de satélites, os especialistas do Inpe chegaram à conclusão de que foram desmatados 20 mil quilômetros quadrados no período de 99 a 2000. Durante toda a década de 90, esses números só perderam para a mega devastação registrada em 1995, quando desapareceram do mapa 29 mil quilômetros quadrados de mata.

Os pequenos produtores rurais, assentados na região pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e os madeireiros foram apontados como os vilões da história. 

Matérias publicadas recentemente, nas duas principais revistas científicas do mundo, revelaram dados alarmantes. Uma delas diz que até 42% da floresta Amazônica poderá estar devastada em 20 anos se forem mantidos programas do governo federal que não levam em consideração o impacto ambiental dessas obras.

Sobre esses projetos, João Paulo Capobianco, do Instituto Sócio Ambiental (ISA), disse à revista Galileu que esses programas não contemplam alternativas do chamado desenvolvimento sustentável, que consiste em explorar os recursos naturais sem levá-los à exaustão. “O desenvolvimento sustentado pode ser resumido no tripé ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável”, afirma.

Desenvolvimento Sustentável

No Amapá, o governo socialista de Capiberibe decidiu atacar a questão e dar soluções. Primeiro foram fechadas as portas para projetos que costumam impactos ambientais negativos, como os madeireiros da Malásia que estiveram no Estado prometendo investir R$ 150 milhões na exploração de madeira. O segundo passo foi valorizar a biodiversidade local, desenvolvendo pesquisas a partir do saber tradicional. Neste processo alguns produtos já tiveram desenvolvida uma cadeia produtiva, destaque para a castanha do Brasil, os móveis de madeira e os fitoterápicos e cosméticos. O incentivo aos castanheiros acabou se tornando a vitrine do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA). Além de criar reservas extrativistas, o Estado incentivou e passou a financiar cooperativas que hoje exportam os produtos derivados da castanha. 

No setor de pesquisas o Estado, através do Instituto de Estudos e Pesquisas do Amapá(IEPA), vem atingindo avanços significativos na produção de fitoterápicos. O resultado dessas pesquisas vem despertando interesse do governo de Cuba e parcerias com entidades como a Fundação Oswaldo Cruz. 

Para o governador Capiberibe o desafio é conscientizar a sociedade que o projeto exige planejamento de longo prazo e que os recursos naturais são esgotáveis. Recentemente o governador decidiu barrar o plantio de soja no Estado. Estudos revelaram que o solo amapaense é adequado ao plantio do produto mais a realidade de outros estados mostra que a soja gera desmatamento e concentra o lucro.

Uma pesquisa publicada este mês pelo World Wildlife Fund do Brasil, mostra que a preservação da floresta é a grande prioridade para os 20 milhões de brasileiros da região. Segundo a pesquisa 34% dos entrevistados disseram que preservação é a prioridade. Para o secretário geral do WWF no Brasil, a grande mensagem é que a Amazônia quer o desenvolvimento sustentável.

Apoio 

Para o governador amapaense, se o Governo Federal desse mais apoio ao Estado, os resultados seriam bem melhores. O Amapá é o Estado com o menor volume de recursos no Orçamento Geral da União e hoje recebe mais apoio internacional do que da União. 

O Amapá é também o único Estado com 95% de sua área verde preservada, condição que esteve ameaçada, anos atrás, em função do extrativismo mineral – manganês e ouro – e projetos inadequados para a região, como o projeto Jari.

* Fonte: departamento de Comunicação do Governo do Amapá.

*Publicado por Nezimar Borges

 

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