Argentina, Venezuela e Bolívia pressionam o Brasil
http://cafenapolitica.blog.br/blog/ >11/08/2007

Os jornais brasileiros não deram muito destaque ao encontro de sexta-feira, 10/08/07, em Tarija, na Bolívia, próxima à fronteira com a Argentina, dos presidentes Nestor Kirchner, Hugo Chávez e Evo Morales. Mas o fato é que os presidentes da Argentina, Venezuela e Bolívia deram ali o ponta-pé inicial para a construção do grande Gasoduto do Sul, o qual, partindo da Faixa do Orinoco, na Venezuela, e entrando no Brasil por Manaus, seguindo por Fortaleza, Recife, São Paulo, Buenos Aires, chegará à Bolívia. Na verdade, as obras deveriam começar pelo trecho Orinoco-Manaus, mas por causa das vacilações brasileiras e das premências argentinas por gás, houve a determinação de tocar o megaprojeto em sentido contrário, ou seja, da Bolívia para a Argentina. Este ramo inicial do gasoduto, segundo os acordos assinados pelos três presidentes, estará fornecendo, ate o ano 2011, à Argentina 27 milhões de metros cúbicos de gás, o equivalente ao total das atuais exportações da Bolívia para o Brasil. Não se compreende a ausência do Brasil naquela solenidade de Tájira, onde praticamente se delineou o futuro da segurança energética. Como é sabido, nosso país encontra-se muito dependente do gás boliviano, não podendo dar as costas a um evento daquela magnitude, quando seu próprio destino estará em jogo. Como ficaremos, se a Bolívia, por alguma contingência ou mesmo chantagem, resolver transferir suas prioridades comerciais para a Argentina, que vive uma crise energética sem precedentes? Onde é que vamos buscar o gás de que tanto necessitamos? É possível que o isolamento do Brasil naquele ato constitua um ato deliberado de Kirchner, Chávez e Morales para pressionar nossa diplomacia a abandonar suas hesitações e procrastinações e tomar uma atitude, aderindo concretamente ao espírito de integração regional, sob pena de pegar o bonde andando, com enormes prejuízos para a nossa economia. Na verdade, os três presidentes, mandaram um recado ao presidente Lula de que não estão mais dispostos a esperar mais por suas decisões. O presidente Kirchner disse, naquela ocasião, que, se a Petrobrás, detentora dos diretios de um poço de gás na região, continuar negando-se a investir (numa aparente manobra conjunta com duas outras multinacionais), a Argentina se dispõe a fazer os investimentos necessários. Por sua vez, o presidente Evo Morales avisou que a aquelas empresas perderão suas concessões, se seguirem fazendo corpo mole. Já o presidente Chávez já tinha antes manifestado sua inconformidade: "Que vergonha, ainda não começaram a fazer a refinaria de Peranmbuco" (cuja pedra fundamental foi lançada há mais de um ano)... (continua daqui a pouco...) Veja vídeo com discursos dos 3 presidentes (em espanhol)
*Publicado por Nezimar Borges
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