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Democracia do oprimido x Socialismo democrático

Local: Macapá - 23/10/2007
Fonte: Nezimar Borges
Link: http://www.correaneto.com.br/noticias/10/23_10_07nezimar.htm

Por Nezimar Borges

Depois da queda do muro de Berlin, passou-se através da grande mídia a idéia do “fim da historia”, fim da esquerda ou o fim de uma materialização onírica que para muitos tornou se terror, tortura e pesadelo. Para a direita, a derrocada do sistema no leste, significou o fim de uma era e a supremacia, de vez, do capitalismo selvagem traduzida nestes tempos de um novo liberalismo o chamado neoliberalismo. Para eles a esquerda sucumbira e perdera o discurso, como se não houvesse o abismo entre poucos ricos e muitos pobres, como se não houvesse concentração das riquezas dos pobres nas mãos de poucos ricos. Sabemos que esse “fim da história” vai de encontro com o histórico da História, isto é, as mudanças sociais e políticas desde os tempos do homem em caverna, lutando por sua sobrevivência, até os tempos contemporâneos. Depois de mais de vinte anos, surge nos últimos oitos anos um novo sistema chamado de Socialismo Democrático, nomeada no discurso da neoesquerda em detrimento do já manjada Democracia do Oprimido sempre representativa da elite midiática neoliberal ou da extrema direita.

Precisamos entender e analisar as forças políticas que compõem o eixo principal dessas duas correntes em voga no mundo atual. A pergunta que se faz é: Qual é o sistema político que vive o Brasil atual? Sem dúvida nove entre dez pessoas que respondem a esta pergunta, responderiam assim: Sistema político democrático de direitos. Essa resposta representa a postura atual das elites onde o processo de redemocratização tornou-se elo desligado entre a dicotomia ditadura e democracia. Essa é a idéia passada pelas elites através de seus meios de comunicação, ou seja, de que a sua “verdadeira democracia”, resume unicamente e exclusivamente a processo de escolha livre através do sufrágio. Sendo então perfeitamente adequada a Democracia do Oprimido em analise. Mas o que seria a democracia do oprimido, que exemplos podemos citar. O Brasil encaixa nesta democracia? E o Amapá? Atentai bem!

Nesta modalidade de “democracia”, a do oprimido, fomenta-se junto às massas uma desilusão em relação a seus direitos e o não cumprimento deles é fator preponderante para essa analise, de descrédito com as leis e que nada é cumprido, que a classe política é tudo igual e que nada pode ser mudado. Esse é o seu discurso. Não obstante faz se questão de não conscientizar o povo de seus direitos os quais acabam em círculos viciosos que se completam. Na realidade para eles quanto mais analfabetos políticos mais fluídos oleaginosos têm a engrenagem de seu sistema. As riquezas de uma região, de um país, não são compartilhas a seus verdadeiros donos - o povo pobre em geral. O povo não é conscientizado de seus direitos, e, mesmo se fosse, esbarraria na burocracia, o qual acaba culminando ao não cumprimento d leis e, isso é decorrente dessa sistemática onde o judiciário é o suporte de todo o conjunto sistêmico. As massas não são chamadas a participar do processo político, sendo mero objeto de manobra e sustentação, alienadas por meios que só a elite tem – pois as mídias antidemocráticas estão em seu poder. Portanto nessa democracia vez em quando falam em cidadania, que para se ter uma qualidade de vida aceitável é preciso exercer seu “verdadeiro” papel de cidadão na sociedade, mas em vez de conscientizarem o povo por mudanças – que alias, só se pode mudar através de uma conscientização crítica política - preferem abster-se, os fomentando apenas com “migalhas” ou “esmolas” que o sistema produz e dá às massas, e, muitas das vezes uma vez por ano de algum movimento ou através de uma grande empresa de mídia – como é o caso da Ação global – quando apenas em um dia o cidadão possa sentir-se como tal. Quando deveria ser esse sentimento todos os dias do ano. Ações como esta mascara o verdadeiro sentido de cidadania, que é a participação maciça do povo ao processo político, o qual todas as riquezas de uma região é dele e que somente ele, o povo, deve ter seus benéficos. Como não tem consciência disso ficam a mercê do sistema. Na verdadeira democracia o povo participa da partilha das riquezas de sua região, de sua nação.

No sistema ora exposto a elite, que seja 1% da população, controla toda a estrutura do estado. Interessa a ela a situação a que está de extasia das massas, não interessando os outros 94% da população a se insurgir por seus direitos ou participar ativamente do processo político e social, enquanto apenas 5% representam aqueles que sabem do verdadeiro sentido de democracia e de cidadania. Nessa engrenagem não tem como se aliar cidadania e democracia pois se seu verdadeiro sentido seguir a risca irão tirar das classes dominantes - que são poucos - o capital e as riquezas canalizado-as para os dominados os quais são muitos. Nesse caso haveria choque de interesses principalmente doutra classe que teria muito a perder e, nesse aspecto o Amapá encaixa-se claramente nessa conjuntura. Como? Senão vejamos: nessa democracia o marketing aliado às mídias é elemento principal da engrenagem para alienação dos menos esclarecidos. O exemplo vem do financiamento do dinheiro publico, quando são desviados 10 milhões de reais para movimentar um carnaval que não vai trazer benefícios para a população pobre do estado e, que continua a sofrer nos postos de saúde sem ter gaze e muito menos remédio básico para tratamento de saúde, mas os dez milhões o carnaval vai ter para satisfazer a orgia carioca em detrimento ao sofrimento dos carentes locais.

Doutro exemplo, a moda do momento, representada pela empresa MMX, assim como o interesse de toda grande empresa é o capital, então quando ela leva para fora do estado aproximadamente 40 toneladas de ouro ao ano de nossa região ai pergunta-se sobre essa riqueza: pelo menos metade é repassada a população? Todos sabem que não, pois o que sobra são migalhas e esmolas que caem do banquete dos dominantes. Deixa rastro de mazelas sociais por onde passam e para conseguir isso, a contento, subornam governantes, e o discurso é sempre o mesmo, trazer desenvolvimento com justiça social através de emprego, emprego e emprego. Como se fosse favor que teríamos que retribuir a eles esse “beneficio”, os quais acabam levando toda a nossa riqueza para longe para desenvolver outros centros. No Brasil o caso da nossa Vale do Rio Doce é outro exemplo claro da afronta a nossa soberania igual a da “nossa” MMX. As riquezas do solo brasileiro vão para longe e o capital circulam não para os pobres brasileiros, mas para fomentar o mercado especulativo de outras regiões do mundo que não são as do Brasil e muito menos as do Amapá.

Essa é a democracia do oprimido em voga no Amapá e no Brasil. Além do mais é preciso identificar os entes políticos que os representam para vê-se sua postura diante de fatos e acontecimentos. Mas nem tudo está perdido. Em detrimento a Democracia do Oprimido, está galopando a passos largos a verdadeira tradução de cidadania e democracia representativa, o qual teve origem na América Latina o qual sua ideologia espalha-se pelo mundo e que já preocupa as classes dominantes de parte do globo. O antagonismo entre o Socialismo democrático e a Democracia do Oprimido, dois modelos totalmente diferente, gira em torno de 180º e tudo que se tecerá a respeito de um se chocara abruptamente com os interesses de outro, aquela chamada democracia da elite ou a democracia do oprimido. Aqui no Socialismo democrático o povo é chamado e educado e conscientizado de seus direitos. O governante implementa políticas publicas na direção da conscientização crítica social e política em relação a outro modelo e governará para a maioria da população. Aqui começa a luta de classe, não interessando a alienação do povo pois o estado estará as suas necessidades. Aqui o governante precisara do apoio maciço da população para derrotar os interesses da elite e, para isso precisa conscientizá-los de que seus anseios passam pela conscientização crítica da sociedade atual.

Há de divulgar que a política do oprimido ou do neoliberalismo falhou, falha e falhará para o todo sempre e, políticas publicas já são implementadas rumo ao Socialismo democrático o qual teve inicio na nossa vizinha Venezuela. Mas, para seguir este caminho é preciso saber enfrentar o ataque da mídia que é constante e, quando se vê um jornalista ou outra coisa do tipo no ataque, das duas uma você pode classificá-lo. Ou de um desinformado ou de um bem pago pelo sistema do oprimido. O discurso a priori é o de sempre: liberdade de expressão e ações ditatoriais. Aliás, sempre que um governante decline em favor de ações que “cheirem” a povo (populismo) isso acontece. É fato que a mídia neoliberal está preocupada, senão vejamos: a comemorar os 30 anos da morte de Che –há dez anos atrás - em 1997 a revista Veja(http://veja.abril.com.br/090797/p_088.html) era só adjetivos virtuosos a respeito do guerrilheiro, mas agora depois de 10 anos ela “desce o pau” no ataque a memória de Che. Por que isso foi possível?. A análise que se faz é a de que há dez anos atrás o Brasil era um verdadeiro “leiloásis”, FHC vendia o estado brasileiro a preço de bananas, vivia-se o apogeu das privatizações e não se tinha ainda fenômenos do Socialismo Democrático na América latina. O que fez a Veja pensar que a extasia do povo iria continuar, continuar, continuar... Agora é diferente eles estão preocupadas com a onda anti-liberalismo, vêem a ameaça a seus interesses e partem para o ataque. Assim como a Venezuela de Chaves outros como a Bolívia de Morales e o Equador de Correa sofreram e ainda sofrem taques da mídia elitizada. Quando se vê o “partido da mídia” agir só de um lado como aconteceu aqui no Amapá nas ultimas eleições é porque está defendendo a Democracia do Oprimido.

Todavia, quem não se lembra do governo socialista e democrático do desenvolvimento sustentável, que optou por políticas publicas que iam a detrimento das elites locais. Quando isto acontece, tem-se que conscientizar o povo desde o início de seus direitos, trazê-los para o discurso a seu favor e fomentar uma consciência critica da sociedade em que vivem. Este talvez foi o pecado capital do governo socialista do desenvolvimento sustentável nos seus 7 anos e três meses de governo. Optou-se pela maioria da população e ser inexorável com a elite, então o embate com a ela iria ser inevitável e precisava ter deste 1 de janeiro de 1995, primeiro dia de governo, uma Secretaria de Conscientização Política que atuasse todos os finais de semana em bairros pobres da capital e do interior. Talvez desta forma anulasse parte do ataque do partido da imprensa neoliberal local. Ademais, o que aconteceu aqui acontece agora na Bolívia e no Equador, assim como aconteceu na Venezuela. Nesta o presidente, na figura de Hugo Chaves, foi para o combate direto com o partido da imprensa e dessa batalha da luta de classe todos conhecem o resultado: um golpe de estado promovido pela elite branca venezuelana, financiada pela CIA americana e que foi duramente esmagado pelo povo conscientizado.

Da analise de que o bonde da historia não fica parado, que sempre passa por mudanças desde que o homem se conhece como homem e, (ad hoc) nestes tempos modernos, a informação ser compartilhada com mais facilidade, através de meios alternativos, o que convém mencionar que essa mudança, verdadeiramente socialista, democrática e libertária, não irá demorar a beneficiar as massas, ademais o comprometimento que essas políticas selvagens do capitalismo está levando o planeta a catástrofes e que algo precisa necessariamente ser feito, mudado ideologicamente, pois essas políticas comprometem todo o sistema do meio ambiente, e, que o aquecimento global é prova concreta da destruição do planeta e que são questionamentos a ser analisados dentro do que foi discorrido aqui. Mais isso é uma outra História.

nezimar@uol.com.br

*Escrito por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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