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E agora José? E agora amapaenses?

18/05/2007

Local: Macapá
Fonte: Nezimar Borges
Link: http://www.historiadocapi.com.br

Por Nezimar Borges

O estado do Amapá, o mesmo de outras épocas, nunca se viu tão desgovernado como agora. Os amapaenses não tiveram chance de mudar esse estado nas eleições de 2006. Todo mundo sabe que este governo desde os primeiros anos de mandato 2003 e 2004 era fraco, lembro me de uma vez em que a presença do governador em um show na expo-feira levou uma baita vaia daquelas “calorosas”. Nessa época imaginávamos que esse governo fraco, inoperante, incompetente e como todos sabem corrupto, não teria chance nas eleições que viria dois anos depois. Então como explicar que um político descrito como este conseguiu a reeleição, acredita-se que se o mesmo dependesse de si para se sobrelevar, não teria conseguido tal feito. Então como foi capaz de arregimentar uma gama de partidos, senão todos os partidos em sua eleição. Como? Quem ou o que foi fundamental para que se chegasse a essa situação deplorável na saúde, educação, segurança, salários atrasados, greves e graves desvio de dinheiro publico corrupção ativa passiva, formação... Como a PF diz. Quem seria o fiel da balança para se chegar a onde se chegou. Pode-se inferir então que os políticos locais não teriam competência para aglutinas quase todas as forças em torno de um só nome. Pensa se que não, pois na última eleição tinha um candidato, recém saído do entorno governista que tinha, sobretudo, bom tramite no bojo da elite amapaense que era o Dr. Papaleo Paes. Enfim, o nome caudilhista capaz de convencer todos do que precisaria ser feito para que as eleições tivessem o fim que tiveram chama-se Jose Sarney. Experiente como ninguém, influentíssimo no executivo central e no Judiciário, de muitas eleições... Atribui-se a ele tudo o que aconteceu e acontece no Amapá. Tem-se que reconhecer a sua magistral competência para costurar uma ampla coligação para defender seus interesses e os interesses dos seus subalternos locais.

Portanto, o preço do resultado das ultimas eleições os amapaenses mais necessitados estão pagando, um preço alto se levar em conta que vidas são ceifadas. E agora amapaenses como é que fica? Continuar refém disso tudo? Como dizia o velho poeta: “E agora, José? A festa acabou, A luz apagou, O povo sumiu, A noite esfriou, E agora, José? E agora, você?”  Está-se de mãos atadas, pois existe uma “harmonia” esplendorosa entre pátrio poder e o quarto que é a ditadura da mídia local que “eles” controlam. Fica difícil, sobretudo, se conformados que são a maioria dos amapaenses e não se preocupam com a desgraça que acontece no seu dia a dia. É mais relevante atribuir a uma divindade e que Deus vai melhorar as coisas. Não fazem a relação direta de Competência Administrativa com Qualidade de Vida, principalmente para os que mais precisam dos serviços públicos.

No entanto a máxima de uma velha filosofia a de que “Todo povo merece o governante que tem”. Se partirmos do pressuposto que é o povo, por livre espontânea vontade, sem a influencia mentirosa construída pelo marketing político, sem interferência e sem pressão política, e assim escolhe seus governantes, diz-se que sim, todos merecem o governante que tem. Mas do contrario não se pode concordar. Senão vejamos: o atual governador do estado do Amapá a três meses antes da eleição de 2006, figurava como um dos últimos em pesquisa realizada. E agora seis meses depois acontece o mesmo fenômeno. O que se atribui a este é a livre escolha da população sem a pressão do poder que começa três a quatro meses antes da eleição. O fim da reeleição poderia ao menos amenizar esses efeitos, pois no final e o povo quem paga uma conta muito cara.

E agora José? Está-se no mato sem saída, pelo menos até os próximos três anos. Ou se um milagre acontecer e a água se transformar em vinho, coisa que é muito difícil nessas alturas dos acontecimentos.    “DEUS tenha pena de você José.”

* Publicado e escrito por Nezimar Borges

 

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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