Esperar para ver
São vários os aspectos a serem analisados e discutidos na decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) contra 40 denunciados pela Procuradoria Geral da República. Entre eles o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente nacional do PT, deputado José Genoíno, e os principais dirigentes do Partido dos Trabalhadores à época das denúncias de Roberto Jefferson, especialista em "merrrecas".
O fato mais grave me parece a foto publicada pelo jornal O GLOBO, onde os ministros Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia aparecem trocando mensagens pelo computador sobre a "inconsistência da denúncia". Votaram para que a mesma fosse aceita.
É evidente que houve uma grande pressão da mídia para isso. Acima de tudo, uma decisão política do STF (independente de existir crime ou não), num momento que o Judiciário se vê arrastado no olho do furacão de mutretas e coisas tais que varre o País da turma do CANSEI.
Esse é outro dos aspectos de grande importância. Arrogante, prepotente, o ex-ministro José Dirceu achou-se substituto de "deus" no Governo Federal (ou seja, saiu FHC, entrou José Dirceu). Montou o mesmo cavalo, quer dizer, o mesmo esquema que rolava no governo do tucanato e achou que podia seguir em frente em trote seguro e garboso, até que um "merrequeiro", por conta de uma diretoria de FURNAS, botou a boca no trombone.
A grita da turma do CANSEI é por aí. A chave do cofre trocou de dono. E foi na presunção de todo poderoso de José Dirceu que o esquema ruiu.
De uma só vez o Judiciário promove um show para a mídia, recebe denúncia contra políticos de importância, com foro privilegiado, e calcula que nos próximos dois anos e meio, no máximo cinco, tudo vá estar resolvido.
Como memória não é muito o forte do País...
Vale tudo na "sociedade do espetáculo".
Por curiosidade o advogado do deputado José Genoíno é José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça do governo FHC.
Foi possível abrir até o sarcófago do faraó William Bonner e reabilitá-lo depois da crise histérica quando da queda do avião da TAM e a falta de ranhuras na pista principal do aeroporto de Congonhas. Deve ascender ao paraíso dos "negócios" no quadragésimo dia depois da falta de ranhuras.
Como se a GLOBO exibisse a última mulher virgem no planeta.
Nesse contexto rola de tudo. Desde cafetinas para ministro da Fazenda, até ator contratado para dar bengalada em José Dirceu. Papel de cidadão indignado e que termina num salto fantástico do STF. Pelas palavras da ministra presidente Ellen Gracie, não pode ser comparado, em termos de eficiência, a qualquer outra suprema corte.
Depende do ângulo que se olha. Voto em processo no qual o ex-concunhado é parte em negócios do ex-marido é complicado. Os filhos do casamento têm direitos futuros.
Há todo um emaranhado de cipós nessa congestionada linha política surgida com a "modernidade" de FHC. Começa de leve na concorrência fraudulenta do SIVAM e tem seu ápice no golpe da reeleição e na compra de deputados e senadores (a denúncia está lá parada na Procuradoria Geral da República) para favorecer sua alteza real, o tucano-mor. Depois foi só vender o Brasil. Transformar em S/A.
As personagens hoje deixam apenas de ser Jader Barbalho e adereços, passam a ser Renan Calheiros e pingentes, mera troca de "guarda". É por turno. Renan já chefe da guarda duas vezes pelo menos. Ministro de Collor e ministro de FHC.
O xis da questão é o modelo político e econômico. Não existe. É pura marmelada, farsa do princípio ao fim, ainda que sobreviventes teimosos teimem em resistir e acreditar num negócio chamado democracia. Essa é fajuta. É de faz de conta.
E tem mais. A turma quer tungar o governo Lula na CPMF para acertar o programa Bolsa Família e a Saúde e chegar em 2010 e disputar em condições de igualdade (a popularidade do presidente continua a mesma) a chave do cofre. José Serra erra erra está de olho na boutique da vizinha de Brasília, e Aécio então nem se fala.
São as alternativas que o modelo DASLU oferece. Crescimento do mercado de liteiras, de troncos, chibatas e Faustão aos domingos.
*Publicado por Nezimar Borges
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