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Ex-senadora Heloisa Helena visita São Caetano e lota auditório do IMES

Walter Mello

Quem esteve presente no último dia 16 no auditório do Campus do IMES pode constatar que a ex-senadora e atual presidente nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) não perdeu o “punch” nem a contundência com a saída do senado.

Um misto de ternura e guerreira, passando a mão nos rostos de quem estava mais próximo, abraçando a todos que a procuraram para as fotos no final da palestra, e em contrapartida dura, definitiva, quando a política era a pauta de momento.

O mais interessante é que o evento não foi promovido por nenhuma entidade de esquerda, nem pelo núcleo do PSOL municipal, mas pela LIBRA-ABC (Liga da Mulheres Eleitoras do Brasil) que na sua composição tem ali futuras candidatas para a próxima eleição de 2008 que seguramente concorrerão batendo de frente e disputando vagas com candidatos do partido da ex-senadora.
Mais interessante ainda é constatar que a aceitação de Heloisa Helena é maior do que na época em que ela concorreu à presidência em 2006. Cerca de 280 pessoas lotavam o auditório do IMES, muitas delas em pé, se acotovelavam nas laterais do auditório enquanto outras bloqueavam a porta de entrada sem condições de se acomodar de forma mais confortável.

Heloisa Helena chegou ao IMES por volta das 14h30 acompanhada pelo vereador do PSOL, Horácio Neto, concedendo uma coletiva à imprensa televisiva e impressa (acesse em vídeo).

Em seguida, cumprindo a proposta, falou às mulheres e convocou a todas para participarem de uma maneira mais ativa no processo político do país e também no processo social envolvendo inclusive a educação dos próprios filhos. Sempre forte na colocação das suas idéias Heloisa evidencia a sua personalidade tão marcante quando fala - “lutamos não porque somos masoquistas, ninguém gosta de sofrer, nós praticamos uma militância de vida”.

Várias figuras públicas estiveram presentes no evento, entre elas Heleni Paiva, vereadora de Santo André que nesta semana trocou o Partido dos Trabalhadores pelo de Luiza Erundina, o PSB. Rapidamente falou ao ABCmm respondendo à pergunta se agora estava começando uma nova etapa - “lavei minha alma”, respondeu Heleni.

A ex-senadora, sem dúvida, marca profundamente a todos com frases que retratam a sua personalidade e o seu caráter. Vale apena conferir algumas delas:

- Ética na política é vergonha na cara e amor no coração (lembrando Pedro Casalgada)

- Só enriquece na política quem é ladrão

- O poder não muda as pessoas, só as revela

- Sua majestade barbuda” (referindo-se ao presidente Lula)

- Se o PSOL mudar de lado eu saio e monto o “PLUA”.

- O PSOL é um partido pequeno, mas não um partido nanico. Existem outros partidos que são nanicos “morais”.

- As excelências delinqüentes contam sempre com a impunidade.

- Eu fui expulsa do partido por causa da fidelidade partidária. Eu fiquei fiel às propostas do partido.

- A reforma da previdência é uma fraude. Ela é superavitária.

- O país tem um Congresso Nacional apodrecido quando o presidente da república e o Palácio do Planalto apodrecido é.

- Arrumamos em uma semana 60 mil assinaturas, de pessoas de outros partidos, de pessoas sem partido, de pessoas de coração partido… (referindo as assinaturas contra a permanência de Renan Calheiros no Senado).

- Não dou a ninguém o direito de roubar, até o que eu tenho de mais precioso, a minha esperança e a minha capacidade de luta. Isso ninguém tira de mim.

- Tudo o que aconteceu de bandidismo (nesse governo) não foi porque não aconteceu a Reforma Política, não acreditem nessa estória.

- Tem gente que é assim - “é governo tô dentro, para reivindicar prestigio e poder”. Parece que o nosso destino era - “é governo tô fora!”

Ela falou na coletiva ( acesse em vídeo)

O Partido
Heloisa Helena diz que o PSOL é uma ferramenta partidária pequena, mas não um partido nanico. Afirma que grandes desafios foram enfrentados para poder apresentar ao povo brasileiro uma ferramenta que conservava as concepções programáticas e ideológicas acumuladas pela esquerda socialista-democrática e que tentava enfrentar o que chamou de “falsa polarização” do projeto neoliberal representado pelo PT e pelo PSDB.

Quanto a participação nas eleições Heloisa Helena diz que o partido está estudando e define que até março de 2008 será definido quais os municípios que irão participar da eleição e deixa claro qual será o norte a ser seguido - “onde estivermos disputando as eleições deveremos superar a mentalidade pedante, esquerdista, de se reivindicar como donos da verdade absoluta, farol a iluminar a classe trabalhadora…”. A proposta, conforme Heloisa, será apresentar alternativas concretas e eficazes a curto, médio e longo prazo para os municípios.

O apoio aos candidatos do ABC
Quando perguntada sobre o apoio ela responde - “o Horácio quando quiser, ele é o nosso chefe”, referindo-se ao vereador Horacio Neto por São Caetano.
Afirmou que não haverá nenhuma imposição aos municípios, porém prometeu ser implacável na manutenção à coerência programática no campo das alianças.

Aliança com PT
Respondeu de pronto - “não”.
Heloisa Helena diz que será feita uma Conferência Eleitoral onde as alianças serão tratadas nela, mas deixa claro a posição quanto a aliança com o Partido dos Trabalhadores - “mas qualquer passo de aliança política que desmoralize o PSOL perante a opinião pública significará as articulações com a direita tradicional do PSDB, do DEM e outros, ou com a direita enrustida do PT”, e define - “nós não poderemos fazer esse tipo de aliança porque isso acabará nos desmoralizando perante a sociedade”. Heloisa deixa claro que essa posição é dela como militante.

Importância do Horacio Neto para o PSOL
Foi um a pergunta feita por um dos repórteres e respondida por ela - “Ele está mais poderoso do que eu, ele está lá como vereador e eu como professorinha”, responde ela em tom de brincadeira, rindo e abraçando o vereador.

Respondendo perguntas

- Quando Heloisa fala de Renan Calheiros justifica que ele só permanece no Senado às custas de troca de favores entre ele e o governo Lula. Diz ela que Renan como presidente do Congresso Nacional ajudou a acobertar os mensaleiros, os sanguessugas e crimes contra a administração pública do governo Lula - “esse mesmo governo está retribuindo esse favor”, conclui.

- quanto a possibilidade de concorrer a algum cargo afirma que não será para o cargo majoritário (prefeito), porque considera que interromper o mandato de chefe de executivo é inconseqüente devido a complexidade do cargo.

- O entendimento da ex-senadora sobre fidelidade partidária, que ela é favorável, se deve ao programa do partido e não às conveniências da cúpula. Criticou o texto aprovado no Congresso. Disse que após se eleger por um partido o político tem um mês ou dois para decidir se troca de partido ou não - “ó, é um período que o legislativo tem para se vender para o executivo”, exclama.

- Ao falar da sua saída do PT Heloisa explica quem em 2002, para ganhar a eleição, o partido resolver fazer um acordo com o que ela identifica como “banda podre” da política brasileira. Explica que já no primeiro mês de governo Lula ela já votava contra e batia de frente com o presidente que indicava para o Banco Central Henrique Meireles - “eu disse, não posso votar em Henrique Meireles para presidente do Banco Central”. Por esse motivo Heloisa Helena diz que foi para o Conselho de Ética e não por causa da Reforma da Previdência. Afirma ainda que a Reforma de Previdência é uma farsa e superavitária. A ex-senadora desafia qualquer um a contradizê-la, mas com documentos e não no “blá-blá-blá”, conforme sua expressão. Heloisa busca resultados do TCU que mostra nas análises das contas do governo Fernando Henrique e do governo Lula, que a Seguridade Social é superavitária em mais de R$ 52 milhões.

- Apesar de considerar que dentro do Partido dos Trabalhadores ainda existem pessoas honestas, é firme na sua exposição quando diz que o PT não é mais um partido de esquerda - “eu não posso dizer que é um partido cuja as direções não compactuam com a robalheira política do Brasil. Não posso dizer isso porque não seria verdade”, conclui.

Heloisa mostra que a qualidade pessoal não é definida apenas pelo partido que o político está filiado - “conheço pessoas que pertencem a outro partido, com dinâmica completamente diferente da minha e que estão lá para defender democraticamente as sua posições, pensam coisas completamente diferentes de mim, mas são pessoas honestas que não estão lá para roubar”, finaliza.

ABC Minuto a Minuto

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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