Ex-senadora Heloisa Helena visita São Caetano e lota auditório do
IMES
20 de Agosto de 2007
Walter Mello
Quem esteve presente no último dia 16 no auditório do Campus do IMES pode
constatar que a ex-senadora e atual presidente nacional do Partido Socialismo e
Liberdade (PSOL) não perdeu o “punch” nem a contundência com a saída do
senado.
Um misto de ternura e guerreira, passando a mão nos rostos de quem estava
mais próximo, abraçando a todos que a procuraram para as fotos no final da
palestra, e em contrapartida dura, definitiva, quando a política era a pauta de
momento.
O mais interessante é que o evento não foi promovido por nenhuma entidade de
esquerda, nem pelo núcleo do PSOL municipal, mas pela LIBRA-ABC (Liga da
Mulheres Eleitoras do Brasil) que na sua composição tem ali futuras candidatas
para a próxima eleição de 2008 que seguramente concorrerão batendo de frente e
disputando vagas com candidatos do partido da ex-senadora.
Mais interessante
ainda é constatar que a aceitação de Heloisa Helena é maior do que na época em
que ela concorreu à presidência em 2006. Cerca de 280 pessoas lotavam o
auditório do IMES, muitas delas em pé, se acotovelavam nas laterais do auditório
enquanto outras bloqueavam a porta de entrada sem condições de se acomodar de
forma mais confortável.
Heloisa Helena chegou ao IMES por volta das 14h30 acompanhada pelo vereador
do PSOL, Horácio Neto, concedendo uma coletiva à imprensa televisiva e impressa
(acesse em vídeo).
Em seguida, cumprindo a proposta, falou às mulheres e convocou a todas para
participarem de uma maneira mais ativa no processo político do país e também no
processo social envolvendo inclusive a educação dos próprios filhos. Sempre
forte na colocação das suas idéias Heloisa evidencia a sua personalidade tão
marcante quando fala - “lutamos não porque somos masoquistas, ninguém gosta de
sofrer, nós praticamos uma militância de vida”.
Várias figuras públicas estiveram presentes no evento, entre elas Heleni
Paiva, vereadora de Santo André que nesta semana trocou o Partido dos
Trabalhadores pelo de Luiza Erundina, o PSB. Rapidamente falou ao ABCmm
respondendo à pergunta se agora estava começando uma nova etapa - “lavei minha
alma”, respondeu Heleni.
A ex-senadora, sem dúvida, marca profundamente a todos com frases que
retratam a sua personalidade e o seu caráter. Vale apena conferir algumas
delas:
- Ética na política é vergonha na cara e amor no coração (lembrando Pedro
Casalgada)
- Só enriquece na política quem é ladrão
- O poder não muda as pessoas, só as revela
- Sua majestade barbuda” (referindo-se ao presidente Lula)
- Se o PSOL mudar de lado eu saio e monto o “PLUA”.
- O PSOL é um partido pequeno, mas não um partido nanico. Existem outros
partidos que são nanicos “morais”.
- As excelências delinqüentes contam sempre com a impunidade.
- Eu fui expulsa do partido por causa da fidelidade partidária. Eu fiquei
fiel às propostas do partido.
- A reforma da previdência é uma fraude. Ela é superavitária.
- O país tem um Congresso Nacional apodrecido quando o presidente da
república e o Palácio do Planalto apodrecido é.
- Arrumamos em uma semana 60 mil assinaturas, de pessoas de outros partidos,
de pessoas sem partido, de pessoas de coração partido… (referindo as assinaturas
contra a permanência de Renan Calheiros no Senado).
- Não dou a ninguém o direito de roubar, até o que eu tenho de mais precioso,
a minha esperança e a minha capacidade de luta. Isso ninguém tira de mim.
- Tudo o que aconteceu de bandidismo (nesse governo) não foi porque não
aconteceu a Reforma Política, não acreditem nessa estória.
- Tem gente que é assim - “é governo tô dentro, para reivindicar prestigio e
poder”. Parece que o nosso destino era - “é governo tô fora!”
Ela falou na coletiva ( acesse em vídeo)
O Partido
Heloisa Helena diz que o PSOL é uma ferramenta partidária
pequena, mas não um partido nanico. Afirma que grandes desafios foram
enfrentados para poder apresentar ao povo brasileiro uma ferramenta que
conservava as concepções programáticas e ideológicas acumuladas pela esquerda
socialista-democrática e que tentava enfrentar o que chamou de “falsa
polarização” do projeto neoliberal representado pelo PT e pelo PSDB.
Quanto a participação nas eleições Heloisa Helena diz que o partido está
estudando e define que até março de 2008 será definido quais os municípios que
irão participar da eleição e deixa claro qual será o norte a ser seguido - “onde
estivermos disputando as eleições deveremos superar a mentalidade pedante,
esquerdista, de se reivindicar como donos da verdade absoluta, farol a iluminar
a classe trabalhadora…”. A proposta, conforme Heloisa, será apresentar
alternativas concretas e eficazes a curto, médio e longo prazo para os
municípios.
O apoio aos candidatos do ABC
Quando perguntada sobre o apoio ela responde
- “o Horácio quando quiser, ele é o nosso chefe”, referindo-se ao vereador
Horacio Neto por São Caetano.
Afirmou que não haverá nenhuma imposição aos
municípios, porém prometeu ser implacável na manutenção à coerência programática
no campo das alianças.
Aliança com PT
Respondeu de pronto - “não”.
Heloisa Helena diz que será
feita uma Conferência Eleitoral onde as alianças serão tratadas nela, mas deixa
claro a posição quanto a aliança com o Partido dos Trabalhadores - “mas qualquer
passo de aliança política que desmoralize o PSOL perante a opinião pública
significará as articulações com a direita tradicional do PSDB, do DEM e outros,
ou com a direita enrustida do PT”, e define - “nós não poderemos fazer esse tipo
de aliança porque isso acabará nos desmoralizando perante a sociedade”. Heloisa
deixa claro que essa posição é dela como militante.
Importância do Horacio Neto para o PSOL
Foi um a pergunta feita por um dos
repórteres e respondida por ela - “Ele está mais poderoso do que eu, ele está lá
como vereador e eu como professorinha”, responde ela em tom de brincadeira,
rindo e abraçando o vereador.
Respondendo perguntas
- Quando Heloisa fala de Renan Calheiros justifica que ele só permanece no
Senado às custas de troca de favores entre ele e o governo Lula. Diz ela que
Renan como presidente do Congresso Nacional ajudou a acobertar os mensaleiros,
os sanguessugas e crimes contra a administração pública do governo Lula - “esse
mesmo governo está retribuindo esse favor”, conclui.
- quanto a possibilidade de concorrer a algum cargo afirma que não será para
o cargo majoritário (prefeito), porque considera que interromper o mandato de
chefe de executivo é inconseqüente devido a complexidade do cargo.
- O entendimento da ex-senadora sobre fidelidade partidária, que ela é
favorável, se deve ao programa do partido e não às conveniências da cúpula.
Criticou o texto aprovado no Congresso. Disse que após se eleger por um partido
o político tem um mês ou dois para decidir se troca de partido ou não - “ó, é um
período que o legislativo tem para se vender para o executivo”, exclama.
- Ao falar da sua saída do PT Heloisa explica quem em 2002, para ganhar a
eleição, o partido resolver fazer um acordo com o que ela identifica como “banda
podre” da política brasileira. Explica que já no primeiro mês de governo Lula
ela já votava contra e batia de frente com o presidente que indicava para o
Banco Central Henrique Meireles - “eu disse, não posso votar em Henrique
Meireles para presidente do Banco Central”. Por esse motivo Heloisa Helena diz
que foi para o Conselho de Ética e não por causa da Reforma da Previdência.
Afirma ainda que a Reforma de Previdência é uma farsa e superavitária. A
ex-senadora desafia qualquer um a contradizê-la, mas com documentos e não no
“blá-blá-blá”, conforme sua expressão. Heloisa busca resultados do TCU que
mostra nas análises das contas do governo Fernando Henrique e do governo Lula,
que a Seguridade Social é superavitária em mais de R$ 52 milhões.
- Apesar de considerar que dentro do Partido dos Trabalhadores ainda existem
pessoas honestas, é firme na sua exposição quando diz que o PT não é mais um
partido de esquerda - “eu não posso dizer que é um partido cuja as direções não
compactuam com a robalheira política do Brasil. Não posso dizer isso porque não
seria verdade”, conclui.
Heloisa mostra que a qualidade pessoal não é definida apenas pelo partido que
o político está filiado - “conheço pessoas que pertencem a outro partido, com
dinâmica completamente diferente da minha e que estão lá para defender
democraticamente as sua posições, pensam coisas completamente diferentes de mim,
mas são pessoas honestas que não estão lá para roubar”, finaliza.
ABC Minuto a Minuto
*Publicado por Nezimar Borges
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