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Lobo travestido em pele de cordeiro

Chico Bruno-24/08/2008

"Eu, que sempre fui defensor da liberdade de imprensa – no meu governo nunca processei nenhum jornalista –, jamais posso aprovar qualquer retaliação direta ou indireta contra um órgão da mídia nacional, especialmente tão expressivo como a Editora Abril." José Sarney, senador (PMDB-AP)

O lobo travestido em pele de cordeiro declara a VEJA que no seu "governo não  processou nenhum jornalista". Pode até ser, não me lembro que isso tenha acontecido nos períodos em que governou o Maranhão e Brasil.

Mas, com certeza, como candidato à reeleição, ele processou uma penca de jornalistas que divulgaram matérias sobre a campanha "XÔ SARNEY", (foto do muro pintado pelo artista plástico Ronaldo Roni, que inspirou a campanha), nas últimas eleições de 2006 no Amapá, quando por pouco não foi derrotado por Cristina Almeida.

Além disso, ele conseguiu que a Justiça Eleitoral retirasse de circulação sites e jornais que o incomodavam durante a campanha.

Cito alguns jornalistas que lutam na Justiça, até hoje, para serem absolvidos dos procesos impetrados por Sarney:

- Alcinéa Cavalcante, Domiciano Gomes, Corrêa Neto, Chico Terra, entre outros.

Fernando Aurélio Aquino, chefe de gabinete do senador Gilvam Borges, funcionou como advogado do PMDB de Sarney em quase todas as ações contra a divulgação do "XÔ SARNEY".  

A campanha não impediu a vitória de Sarney no Amapá, mas contribuiu para a derrota de sua filha Roseana no Maranhão, haja vista, que o "XÔ SARNEY", deve grande repercussão naquele estado e obrigou Sarney a ficar 60 inéditos dias sem sair do Amapá, obrigando-o pela primeira vez, desde 1990, a fazer campanha corpo a corpo e até dançar marabaixo.

Portanto, Sarney conta uma meia verdade a VEJA, em sua declaração sobre a CPI da Abril.  

 

*Publicado por Nezimar Borges

 

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