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Assassinato de Chávez de volta à TV

Local: São Paulo
Fonte: Luiz Azenha
Link: http://viomundo.globo.com

Durante sete segundos, na tela da CNN em espanhol, essa imagem foi exibida. Sobre a foto de Hugo Chávez, a frase "Quem o matou?". A CNN diz que foi um engano. O governo da Venezuela ameaçou processar a emissora por incentivar ao magnicídio, o assassinato de um líder de Estado. Recentemente, Fidel Castro afirmou que acreditava na possibilidade de um atentado contra Chávez.

Em agosto de 2005, o televangelista americano Pat Robertson sugeriu, em programa de TV, que os Estados Unidos deveriam matar Chávez, para evitar uma futura guerra como a que levou à invasão do Iraque para a derrubada de Saddam Hussein. Robertson depois se desculpou pela declaração.

 

Ainda assim, Robertson comparou Chávez ao ditador iraquiano e a Adolf Hitler, citando um teólogo luterano alemão, Dietrich Bonhoeffer, que disse: "[Se um louco] estivesse dirigindo um carro contra um grupo de pedestres inocentes, eu não posso, como cristão, simplesmente esperar pela catástrofe e depois confortar os feridos e enterrar os mortos. Tenho que tentar tirar a direção das mãos do motorista." Bonhoeffer foi enforcado pelos nazistas em 1944 pelo envolvimento num plano para matar Hitler.

Dizendo que Chávez pretendia espalhar o comunismo e o islamismo pelas Américas, em suas declarações originais Robertson, que representa a extrema-direita cristã americana, havia afirmado: "Se temos a capacidade de matá-lo, penso que chegou a hora de fazer isso. Não precisamos gastar outros 200 bilhões de dólares para se livrar de um ditador. É muito mais fácil encomendar o trabalho a um operador secreto e acabar logo com o problema."

Para que os leitores deste site entendam melhor de onde veio Hugo Chávez, fiz uma longa entrevista com o jornalista e escritor Gilberto Maringoni, que também é cartunista:

 

Maringoni diz que as reformas constitucionais que serão votadas em plebiscito no próximo domingo correm o risco de ser derrotadas, embora ele acredite que o mais provável é uma vitória do governo por pequena margem. De acordo com o jornalista, que escreveu um livro sobre a Venezuela e já visitou o país várias vezes, das polêmicas em que se envolveu nas últimas semanas - já perdi a contagem de quantas foram - a pior foi com a Igreja Católica venezuelana, o que pode custar votos a Chávez.

Na opinião de Maringoni ruim mesmo seria uma vitória de um dos lados por pequena margem, o que teria o potencial de acirrar os confrontos de rua que aconteceram no país nas últimas semanas. Sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, o jornalista não tem qualquer dúvida. Segundo ele, as bancadas do PSDB e do DEM, para votar contra, terão que enfrentar o lobby de empresas brasileiras que tem grandes negócios na Venezuela, entre elas a empreiteira Odebrecht e a Sadia, exportadora de alimentos.

Os vídeos da entrevista de Gilberto Maringoni estão aqui.

Publicado em 28 de novembro de 2007

Um milhão e meio de pesquisas serão divulgadas nos próximos dias, com todo tipo de resultado. O grupo Datanalisis tem se mostrado consistentemente correto em suas previsões, de acordo com o próprio Gilberto Maringoni. Na pesquisa mais recente, divulgada no dia 24 de novembro, o instituto disse que, entre possíveis eleitores, 49% disseram se opor às reformas e 39% foram a favor.

A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. Ou seja, Chávez teria no máximo 41,5% e o "Não" teria no mínimo 46,5%. A pesquisa foi feita com 1.088 entrevistados que disseram que pretendem votar, uma amostragem razoável. Segundo o Datanalisis, em votações anteriores Chávez sempre chegou ao dia da votação com grande margem a favor. Há, porém, alguns fatores a considerar. O voto não é obrigatório. A mobilização no dia do plebiscito será essencial e Chávez tem a máquina do estado para arrastar eleitores até as urnas, além de movimentos sociais organizados com grande penetração nos bairros populares de Caracas e no interior. A oposição tem muito dinheiro para fazer o mesmo, assim como a Igreja Católica, que apóia o "NÃO".

O resultado da pesquisa talvez ajude a explicar os discursos mais recentes de Chávez. Ele foi à TV explicar que o fato de que a reforma prevê reeleição ilimitada não significa o fim da democracia, dizendo que haverá eleições e que outros candidatos poderão concorrer, fazendo menção inclusive a uma "presidenta". Além disso, Chávez atacou continuamente a Colômbia, o que equivale a atacar, no Brasil, a Argentina. Chávez se referiu especificamente a Santander, herói colombiano que os bolivarianos consideram traidor de Bolívar. Há uma grande disputa entre colombianos e venezuelanos pelo legado de Bolívar, que lutou uma de suas mais famosas batalhas em território colombiano.

Não percam de vista que a divulgação de pesquisas, especialmente as de boca-de-urna, foi usada na Venezuela para desacreditar resultados eleitorais. Divulgadas em todo o mundo, elas ajudam a criar a impressão de fraude. Quando Chávez foi derrubado, em 2002, a posição assumida pelo governo brasileiro, de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, foi essencial para se contrapor ao rápido reconhecimento do novo governo pelos Estados Unidos e Espanha.

Acrescentado em 29 de novembro de 2007

 

*Publicado por Nezimar Borges

 

LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Cientista político, professor emérito da Universidade de Brasília e autor de "As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos de Collor a Lula, 1990-2004", "Brasil, Argentina e Estados Unidos" e "De Martí a Fidel: a Revolução Cubana e a América Latina". Leia alguns de seus artigos AQUI>>

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